16 de julho de 2026

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Crise ambiental: como a falta de pertencimento acelera a destruição do planeta

Geral Pertencimento 16/07/2026 18:23 JuKa Ladeira, autora de 'Quem és tu diante da Água?'

A crise ambiental não é apenas um problema de leis ou políticas públicas. Ela nasce da nossa desconexão com a natureza, como explica a escritora JuKa Ladeira. Neste artigo, ela mostra como o corpo humano é feito da mesma matéria do planeta e como a ilusão de separação leva à exploração e destruição. Entenda como a consciência individual pode ser a chave para mudar essa realidade.

A responsabilidade pela crise ambiental é tão dividida que parece não pertencer a ninguém. Fala-se em fábricas, agronegócio, consumo e governos, mas, quando a culpa se espalha por toda parte, sua origem desaparece.

  • A crise ambiental está ligada à nossa falta de conexão com a natureza, não apenas a leis ou políticas.
  • O corpo humano é feito dos mesmos elementos que compõem o planeta: água, cálcio, ferro e carbono.
  • A ideia de que o ser humano está separado da natureza é uma ilusão que beneficia a exploração e o lucro.
  • Reconhecer essa conexão impõe limites à destruição, pois ninguém envenenaria o próprio sangue se soubesse que a água que o compõe também está nos rios.
  • Ciência e religião concordam: o ser humano vem da Terra, depende dela e para ela retorna.

Ignora-se a fonte: uma floresta só é derrubada depois que alguém deixa de enxergá-la como vida. Se a devastação começa num pensamento, é preciso entender como uma ideia destrutiva se tornou socialmente aceita. Para isso, é necessário desmistificar a conexão entre o ser humano e a natureza.

Essa conexão ainda é tratada com desdém porque a ilusão da separação é conveniente para o modelo atual. É muito mais fácil explorar aquilo que parece externo, mas basta desmontar o corpo humano para que essa fronteira desapareça.

O que o corpo humano tem a ver com a natureza

A água que compõe o corpo é a mesma substância que corre nos rios, paira nas nuvens e enche os oceanos. O cálcio dos ossos está nas rochas e no solo. O ferro do sangue nasceu nas estrelas e também integra a Terra. O carbono das células está nas árvores, nos animais e na atmosfera.

Nenhum dos elementos que compõem o corpo é exclusivamente humano. Ele reúne a mesma matéria presente na natureza, organizada provisoriamente de outra forma. Desfeito, o corpo devolve a água ao ciclo, a matéria orgânica a outras vidas e os minerais ao solo.

Por que a desconexão é tão perigosa

Reconhecer essa conexão não gera lucro. Ao contrário, impõe limites à exploração e ainda desmonta a ilusão de posse e permanência. Por isso, é mais conveniente ridicularizá-la. Ninguém envenenaria o próprio sangue se reconhecesse que a água que o compõe também circula fora do corpo.

Por ser uma organização temporária da mesma matéria que circula pelo planeta e pelo cosmos, o ser humano pode ser compreendido como imagem e semelhança da natureza. Ciência e religião, tantas vezes colocadas em extremos opostos, convergem nesse ponto: a forma humana provém da Terra, depende dela e a ela retorna. Dizer "o homem e a natureza", como se fossem entidades independentes, é como dizer "o pulmão e o corpo".

A solução vai além das leis

Leis e políticas públicas são indispensáveis, mas combatem apenas parte do problema. A crise ambiental é consequência de uma crise anterior: a crise de pertencimento. Enquanto o ser humano se imaginar fora da natureza e se comportar como superior a ela, continuará chamando de progresso a destruição daquilo que o mantém vivo.