A prefeitura do Rio deu início ao programa Tolerância Zero nas praias da Zona Sul, entre o Leme e o Leblon. A ação mudou a rotina dos ambulantes, que sumiram da areia e da orla. Agentes da prefeitura estão nas ruas para fiscalizar e apreender produtos sem procedência.
O ordenamento prometido pela prefeitura do Rio na orla da Zona Sul da cidade teve início nesta quinta-feira. Com a implementação do programa Tolerância Zero, a rotina das praias mudou, principalmente a presença de ambulantes. Na areia, é notório o sumiço de vendedores de milho cozido e de queijo coalho, por exemplo. Já na pista próxima aos prédios, foram os vendedores de quentinha que desapareceram.
- O que mudou:A prefeitura colocou agentes nas ruas para fiscalizar e apreender produtos ilegais.
- Quem foi afetado:Vendedores ambulantes de comida, como milho, queijo coalho e quentinhas, foram os mais atingidos.
- Onde acontece:A fiscalização ocorre nas praias da Zona Sul, do Leme ao Leblon.
- O que é proibido:Vender comida usando gás ou carvão, como espetinhos e milho cozido.
- Reação dos vendedores:Muitos ambulantes protestaram, e um deles chegou a se ajoelhar para pedir diálogo com a prefeitura.
Na Avenida Atlântica, no Leme, próximo à Praça Heloneida Stuart, uma vendedora de quentinhas, que fica parada próximo aos carros estacionados, foi abordada por uma equipe da prefeitura, que recolheu a comida. Mais à frente, pontos em que normalmente há a comercialização de quentinhas estavam vazios.
O Tolerância Zero promete ordenar a orla, com fiscalizações entre os prédios e a faixa de água da orla da Zona Sul, entre o Leme e o Leblon. Duplas de agentes da Secretaria de Ordem Pública (Seop) ficarão posicionados em acessos à orla. Por lá, irão reter produtos sem procedência comprovada.
No caso de vendedores de milho e queijo coalho, há ainda a proibição, por meio de um decreto do ano passado, a comercialização com uso de gás ou carvão. Espetinhos também são proibidos.
"Não vou conseguir trabalhar hoje", desabafou o vendedor de churros José Wilton.
Trabalhando na praia de Ipanema entre tarde e noite, José esteve no local pela manhã para acompanhar o início da fiscalização. Ele chegou a se ajoelhar diante de funcionários da prefeitura ao pedir por diálogo.
A cena ocorreu durante a abordagem de uma artesã, na Avenida Vieira Souto, altura da Rua Teixeira de Melo. Houve bate boca entre ambulantes. A vendedora de artesanato, que preferiu não se identificar, disse que irá migrar para a Praça General Osório.
Grades em Copacabana e no Arpoador
A maior concentração de agentes da Seop e da Guarda Municipal está em Copacabana, onde, além dos que se instalaram nas esquinas das transversais com a orla, também há pelo menos dez viaturas estacionadas diante do Hotel Copacabana Palace, numa espécie de base.
Um caminhão baú com apreensões também está instalado no local, com carrinhos e isopores apreendidos. Um funcionário da Seop informou que três caminhões cheios de apreensões foram usados desde a madrugada até o fim da manhã.
A prefeitura também instalou grades em algumas calçadas para reduzir espaço e facilitar a fiscalização em alguns acessos à praia. Os equipamentos estão concentrados em vias próximas ao Posto 3 de Copacabana ruas Santa Clara, Figueiredo e Magalhães, Siqueira Campos e República do Peru. Também há grades nos acessos de pedestres da praia do Arpoador.

Quentinhas foram apreendidas no Leme. Foto: Gabriel de Paiva/Agência O Globo


