O Tribunal de Justiça de São Paulo decidiu absolver o empresário Thiago Brennand em um dos casos de estupro pelos quais ele era acusado. A defesa da vítima já recorreu da decisão, alegando erros no julgamento.
O Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP) aceitou um pedido da defesa de Thiago Brennand e o absolveu em uma das nove acusações de estupro que ele enfrenta.
A decisão, tomada em maio, mudou, por dois votos a um, a condenação de oito anos de prisão que havia sido dada em agosto de 2025, no processo sobre a acusação de estupro da estudante Stefanie Cohen.
- Thiago Brennand foi absolvido em uma das nove acusações de estupro.
- A decisão do TJ-SP anulou a condenação de oito anos de prisão.
- A defesa da vítima recorreu ao STJ contra a absolvição.
- Os advogados da vítima criticam o uso de provas digitais sem verificação.
- Brennand continua preso e tem outras condenações por crimes sexuais.
A defesa da vítima recorreu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para tentar reverter a absolvição. Segundo os advogados Márcio Cézar Janjacomo, João Manssur, Marcelo Zovico e Márcio Cézar Janjacomo Jr., a decisão que absolveu o réu 'violou a lei federal ao dar peso excessivo a provas digitais que não têm cadeia de custódia', disseram em nota.
A defesa de Stefanie também disse que a decisão desrespeitou o Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), e a Lei Mariana Ferrer, que protege a dignidade de mulheres em processos de violência sexual.
Já a defesa de Brennand afirma que a relação foi consensual. Durante a análise do recurso, as inconsistências apontadas pelos advogados do empresário fizeram os desembargadores concluírem que a dúvida deveria levar à absolvição.
Esta é a segunda condenação de Brennand que a Justiça de São Paulo anula. O empresário ainda tem outras três condenações em primeira instância. Ele está preso desde abril de 2023 e cumpre pena na Penitenciária II de Potim, no interior de São Paulo.
Stefanie afirma que foi dopada pelo empresário durante um jantar e levada a um hotel, onde teria sido estuprada. Segundo ela, Brennand também teria ameaçado divulgar um vídeo íntimo.
'Eu estava passando mal, e ele forçando a relação, sempre de forma violenta. Não houve relação consensual em nenhum momento, pois eu estava totalmente fora de mim. Ele foi forçando a relação anal, e eu lembro de implorar que não, porque era uma coisa que eu nunca tinha feito. Ele estava forçando aquilo sem preservativo, sem nada, e falando que eu era a namorada dele. Eu disse não várias vezes, reagi com mais força quando ele quis fazer aquilo, que é algo ainda mais agressivo, mas ele não se importou', disse Stefanie, em 2022.
Além das acusações de violência sexual, a denúncia do Ministério Público de São Paulo contra Brennand inclui suspeitas de cárcere privado, tortura, lesão corporal gravíssima, registro não autorizado da intimidade sexual e divulgação de cena de sexo ou estupro.

Reprodução / @thiagobrennandfv / Instagram


