O inverno traz riscos para quem tem asma, como o aumento de vírus e o contato com cobertores guardados. Especialistas explicam como manter o tratamento em dia e tomar vacinas para evitar crises e internações, principalmente em crianças e adolescentes.
Manter as janelas fechadas para se proteger do frio, o aumento de viroses e o contato com cobertores e casacos guardados são alguns dos gatilhos que podem complicar a vida de quem tem asma no inverno, principalmente crianças e adolescentes. Para evitar crises e o agravamento do quadro, especialistas recomendam manter o tratamento em dia para que a inflamação fique controlada.
O coordenador da Comissão Científica de Asma da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), Emilio Pizzichini, explica que o frio em si não agrava a asma. O que realmente causa problemas é a maior circulação de vírus no ambiente, que pode causar infecções respiratórias e afetar uma asma que não esteja bem controlada.
- No inverno, os vírus gripais circulam mais, podendo desencadear crises de asma.
- Manter o tratamento da asma em dia durante o ano todo é essencial para evitar problemas.
- Vacinas contra gripe, Covid e vírus sincicial respiratório (VSR) ajudam a prevenir crises graves.
- Crianças e adolescentes de 0 a 14 anos são os mais afetados, representando a maioria das internações por asma.
- Manter a casa arejada, limpa e sem mofo, além de evitar contato com fumantes, são cuidados importantes.
Pizzichini destaca que a medicação para asma deve ser usada o ano inteiro, pois a maioria dos casos precisa de tratamento contínuo. Ele também recomenda vacinas contra viroses como a gripe, Covid e o vírus sincicial respiratório (VSR), que previnem inflamações respiratórias mais graves. "Quando a pessoa usa a vacina, diminui o risco de ter uma crise de asma e ser hospitalizada", afirma.
O médico lembra que existem cerca de 20 milhões de asmáticos no Brasil, que geralmente têm uma ou duas infecções respiratórias por ano. Ele ressalta a importância de tratar essas infecções na atenção primária, pois muitas crianças não fazem testes respiratórios para saber se sintomas como chiado no peito são causados pela asma.
Risco para crianças e adolescentes
Dados do Datasus mostram que crianças e adolescentes de 0 a 14 anos representaram 70,5% das internações por asma em julho de 2024. Naquele mês, houve 4.034 internações nessa faixa etária, quase o dobro das 2.108 registradas em janeiro. Em 2024, o Brasil registrou 52.087 internações por asma, sendo que crianças e adolescentes até 14 anos foram responsáveis por 73,7% do total.
A pneumologista Marcela Marques, do Atendimento Multiassistencial de Saúde da Umane, dá dicas para evitar crises: "A casa deve estar arejada, com sol, sem mofo ou umidade, com cortinas limpas, sem brinquedos acumulados no quarto da criança, nem bichos de pelúcia. Evite cobertores e use mais edredom. Em vez de varrer a casa, os pais devem usar um pano úmido ou aspirador". Outro cuidado importante é evitar a proximidade de fumantes, sejam de cigarro comum, cigarro eletrônico ou narguilé. "O fumante passivo é um dos piores aspectos para as crises de asma", alerta.
Marcela lamenta que falta orientação dos serviços de saúde para que as famílias iniciem logo o tratamento contra a asma, na primeira internação, para evitar novas crises. Quando o paciente começa o tratamento preventivo, novas internações se tornam raras. Ela explica que, quando a família é orientada sobre os gatilhos das crises e o que fazer quando o paciente inicia uma crise, é possível evitar idas frequentes ao pronto-socorro.
Aglomeração e cuidados extras
O alergista e imunologista Pedro Giavina-Bianchi, da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai), acrescenta que, no inverno, as pessoas ficam mais tempo em locais fechados e aglomeradas, o que facilita a transmissão de vírus. "Isso aumenta a frequência de infecções virais e, por consequência, as crises de asma", diz. Ele recomenda que os asmáticos evitem contato com pessoas resfriadas ou gripadas e não deixem de tomar vacinas, incluindo a pneumocócica.
Pedro lembra que o distanciamento social funciona nessas ocasiões, como ocorreu na pandemia de Covid-19. "A máscara previne a Covid e também a transmissão de outros vírus respiratórios, como rinovírus e influenza", finaliza.

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