11 de julho de 2026

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Tempestades perigosas podem atingir a China em 2026, alertam cientistas

Geral Tempestades 11/07/2026 08:21 Nicoco Chan, Ethan Wang, Xiuhao Chen e Ryan Woo, da Reuters cnnbrasil.com.br

Depois das enchentes no sul do país, especialistas afirmam que eventos climáticos extremos devem se tornar mais comuns por causa do El Niño

As enchentes que destruíram o sul da China nesta semana podem se espalhar para outras regiões com a chegada do supertufão Bavi. Os cientistas alertam que os fenômenos climáticos extremos vão ficar mais comuns neste ano.

Os sistemas climáticos previstos vão testar a resistência das cidades lotadas e das comunidades rurais do país.

  • A China pode ter até seis tufões em julho, número maior que a média de 3,8.
  • Até três dessas tempestades podem chegar ao continente, acima da média de 1,8.
  • Os ciclones serão mais fortes, segundo o Centro Nacional de Clima da China.
  • O El Niño pode aumentar a temperatura e deixar os tufões mais intensos.
  • O supertufão Bavi, com mais de 1.000 km de diâmetro, teve ventos de 290 km/h.

O Centro Nacional de Clima da China prevê que até seis tufões se formem no Noroeste do Pacífico e no Mar da China Meridional em julho, um número maior que a média de 3,8.

Dessas tempestades, até três podem chegar ao continente, acima da média de 1,8. A intensidade dos ciclones também será maior, segundo o Centro.

Cientistas afirmam que as mudanças climáticas estão expondo cada vez mais a segunda maior economia do mundo a eventos climáticos destrutivos. Em 2026, a preocupação aumentou por causa do El Niño.

O El Niño pode elevar as temperaturas e alimentar tufões mais fortes, como são chamados os furacões na região da Ásia-Pacífico.

A China se prepara para o supertufão Bavi neste sábado (11), o segundo ciclone tropical a chegar em uma semana.

Com mais de 1.000 km de diâmetro, o Bavi atingiu a ilha americana de Rota, no Pacífico Ocidental, na segunda-feira (6), com ventos superiores a 290 km/h.

Na semana passada, o tufão Maysak atingiu a província de Hainan, no sul da China, e se espalhou pela região de Guangxi, onde causou mais estragos. Os restos da tempestade também geraram pelo menos dois tornados no centro da China.

O problema com esses eventos é que eles só estão aumentando, disse Benjamin Horton, diretor da Faculdade de Energia e Meio Ambiente da Universidade da Cidade de Hong Kong.

Horton alertou que a magnitude está aumentando e não há tempo para se recuperar e se tornar mais resistente. Ele prevê ciclones mais frequentes e fortes ainda este ano, com chuvas sem precedentes, causando enchentes, deslizamentos, danos às plantações e mortes.

Isso vai se repetir, se repetir e se repetir, alertou.

Água por toda parte

Cidades e vilarejos em Hengzhou, o centro das enchentes, e Guangxi foram atingidos por fortes inundações na segunda-feira (6), depois que barragens de reservatórios locais se romperam.

Pelo menos seis pessoas morreram na região, segundo as autoridades, e outras 375 mil foram afetadas.

Depois do rompimento de um reservatório de médio porte na segunda, as águas da enchente, com muita lama e sedimentos, inundaram fazendas e vilarejos, informou a emissora nacional CCTV.

Em algumas casas, a água chegou ao segundo andar, deixando moradores presos nos telhados enquanto as torrentes violentas corriam ao redor, segundo o canal.

A cidade de Hengzhou, que é principalmente rural e tem mais de 1 milhão de habitantes, tem seis reservatórios de médio porte e quase 200 menores. É também o ponto de partida de um projeto de canal de 70 bilhões de iuanes (cerca de R$ 2,2 bilhões), com inauguração prevista para setembro.

Os graves impactos do Maysak e a ameaça do supertufão Bavi mostram que a temporada de 2026 está sendo mais forte e destrutiva do que o normal, disse Hui Su, professor do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental da Universidade de Ciência e Tecnologia de Hong Kong.

O El Niño está deslocando os tufões para o oeste, em direção à costa da China, e aumentando os riscos, enquanto as mudanças climáticas tornam as tempestades mais destrutivas, completou o professor.