Depois das enchentes no sul do país, especialistas afirmam que eventos climáticos extremos devem se tornar mais comuns por causa do El Niño
As enchentes que destruíram o sul da China nesta semana podem se espalhar para outras regiões com a chegada do supertufão Bavi. Os cientistas alertam que os fenômenos climáticos extremos vão ficar mais comuns neste ano.
Os sistemas climáticos previstos vão testar a resistência das cidades lotadas e das comunidades rurais do país.
- A China pode ter até seis tufões em julho, número maior que a média de 3,8.
- Até três dessas tempestades podem chegar ao continente, acima da média de 1,8.
- Os ciclones serão mais fortes, segundo o Centro Nacional de Clima da China.
- O El Niño pode aumentar a temperatura e deixar os tufões mais intensos.
- O supertufão Bavi, com mais de 1.000 km de diâmetro, teve ventos de 290 km/h.
O Centro Nacional de Clima da China prevê que até seis tufões se formem no Noroeste do Pacífico e no Mar da China Meridional em julho, um número maior que a média de 3,8.
Dessas tempestades, até três podem chegar ao continente, acima da média de 1,8. A intensidade dos ciclones também será maior, segundo o Centro.
Cientistas afirmam que as mudanças climáticas estão expondo cada vez mais a segunda maior economia do mundo a eventos climáticos destrutivos. Em 2026, a preocupação aumentou por causa do El Niño.
O El Niño pode elevar as temperaturas e alimentar tufões mais fortes, como são chamados os furacões na região da Ásia-Pacífico.
A China se prepara para o supertufão Bavi neste sábado (11), o segundo ciclone tropical a chegar em uma semana.
Com mais de 1.000 km de diâmetro, o Bavi atingiu a ilha americana de Rota, no Pacífico Ocidental, na segunda-feira (6), com ventos superiores a 290 km/h.
Na semana passada, o tufão Maysak atingiu a província de Hainan, no sul da China, e se espalhou pela região de Guangxi, onde causou mais estragos. Os restos da tempestade também geraram pelo menos dois tornados no centro da China.
O problema com esses eventos é que eles só estão aumentando, disse Benjamin Horton, diretor da Faculdade de Energia e Meio Ambiente da Universidade da Cidade de Hong Kong.
Horton alertou que a magnitude está aumentando e não há tempo para se recuperar e se tornar mais resistente. Ele prevê ciclones mais frequentes e fortes ainda este ano, com chuvas sem precedentes, causando enchentes, deslizamentos, danos às plantações e mortes.
Isso vai se repetir, se repetir e se repetir, alertou.
Água por toda parte
Cidades e vilarejos em Hengzhou, o centro das enchentes, e Guangxi foram atingidos por fortes inundações na segunda-feira (6), depois que barragens de reservatórios locais se romperam.
Pelo menos seis pessoas morreram na região, segundo as autoridades, e outras 375 mil foram afetadas.
Depois do rompimento de um reservatório de médio porte na segunda, as águas da enchente, com muita lama e sedimentos, inundaram fazendas e vilarejos, informou a emissora nacional CCTV.
Em algumas casas, a água chegou ao segundo andar, deixando moradores presos nos telhados enquanto as torrentes violentas corriam ao redor, segundo o canal.
A cidade de Hengzhou, que é principalmente rural e tem mais de 1 milhão de habitantes, tem seis reservatórios de médio porte e quase 200 menores. É também o ponto de partida de um projeto de canal de 70 bilhões de iuanes (cerca de R$ 2,2 bilhões), com inauguração prevista para setembro.
Os graves impactos do Maysak e a ameaça do supertufão Bavi mostram que a temporada de 2026 está sendo mais forte e destrutiva do que o normal, disse Hui Su, professor do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental da Universidade de Ciência e Tecnologia de Hong Kong.
O El Niño está deslocando os tufões para o oeste, em direção à costa da China, e aumentando os riscos, enquanto as mudanças climáticas tornam as tempestades mais destrutivas, completou o professor.

Imagem captada por drone mostra enchente após fortes chuvas causadas pelo tufão Maysak, em Hengzhou, na China. China Daily via REUTERS


