A StoneX fez uma parceria com a empresa de tecnologia Grão Direto para vender café e algodão pela internet. Agora, os produtores podem ver os preços em tempo real e negociar direto pela plataforma, sem precisar ligar para corretores.
Para quem vende grandes quantidades de café e algodão, o telefone e o WhatsApp ainda são os principais meios de contato com corretores e empresas que compram esses produtos. Mas, assim como em outras áreas do agronegócio, a venda desses produtos está começando a migrar para o mundo digital.
- A StoneX fechou parceria com a Grão Direto para vender café e algodão pela internet.
- Os produtores poderão ver os preços em tempo real e negociar pela plataforma.
- A empresa americana quer aumentar sua presença no mercado físico do Brasil.
- A Grão Direto já vende soja e milho online e agora expande para café e algodão.
- Em 2025, a StoneX vendeu cerca de 350 mil toneladas de algodão.
De olho nessa mudança, a StoneX fechou uma parceria com a empresa de tecnologia Grão Direto para incluir a venda de café e algodão na plataforma "Clicou, Fechou!", que foi criada pela startup de São Paulo.
No sistema, os produtores dessas duas culturas poderão acompanhar os preços em tempo real e negociar diretamente com a empresa americana pelo ambiente digital da Grão Direto. A informação foi divulgada em primeira mão ao AgFeed.
Na prática, a solução digitaliza e centraliza a venda de café e algodão. Isso significa que a negociação desses produtos passa a ter preços calculados de forma automática e ao mesmo tempo, ligados diretamente às referências internacionais, como bolsas globais e câmbio.
Com isso, as empresas podem integrar cálculos, gestão de preços, tomada de decisão e finalização da venda em um único ambiente digital.
Expansão da Grão Direto e da StoneX
Esse movimento amplia a atuação da Grão Direto para novos mercados, além de soja e milho, e faz parte da estratégia da StoneX de fortalecer sua presença no mercado físico de commodities.
"Hoje somos muito conhecidos pelos derivativos, inteligência de mercado e gestão de risco, mas também nos tornamos um player importante na venda física de commodities, principalmente no algodão e, cada vez mais, no café", afirma Ariel Coelho, presidente de Soft Commodities da StoneX Supply and Trading, em entrevista ao AgFeed.
Mais conhecida por serviços de consultoria para gestão de risco e corretagem de produtos financeiros, a StoneX vem acelerando sua presença na venda de produtos físicos ao longo da última década.
Primeiro, em 2022, a companhia comprou a Cotton Distributors Inc. (CDI), uma tradicional empresa de negociação de algodão com mais de cinco décadas de atuação.
Com essa compra, a StoneX passou a comprar algodão diretamente de produtores brasileiros, organizar a logística de exportação e enviar a fibra, especialmente para a Ásia-Pacífico.
Só em 2025, foram vendidas cerca de 350 mil toneladas de algodão. "E neste ano, em alguns meses, a StoneX foi o maior exportador de algodão em fibra do Brasil", comemora Ariel Coelho.
Um pouco mais tarde, em 2024, junto com a venda de algodão físico, a companhia começou também a vender café via CDI, vendendo inicialmente o grão para Europa e Estados Unidos.
No ano passado, a empresa já estava vendendo cerca de 200 mil a 220 mil toneladas de café e hoje também compra a commodity na África Oriental, em países como Uganda, Tanzânia e Etiópia, depois de ter fechado um contato com a trading Coffee Ithaka. Hoje, a operação do continente africano está atrás apenas do Brasil em volumes de venda, diz Coelho.
"O café é uma commodity nova, mas é a que mais cresce no negócio. A gente vem acessando muitos produtores", afirma o executivo.
No ano passado, a companhia, que é listada na Nasdaq, faturou US$ 4,1 bilhões, 20% a mais do que em 2025. A área comercial, que abrange a venda de commodities e outras operações, teve uma receita de US$ 769 milhões, 7% superior em um ano.
O segmento de contratos físicos, especificamente, teve alta de 32% em seu faturamento, chegando a US$ 287 milhões.
Como a parceria vai funcionar na prática
Agora, com a parceria com a Grão Direto, a StoneX espera ampliar o alcance de sua operação e chegar a um número maior de produtores no país.
Hoje a empresa possui 17 escritórios espalhados pelo Brasil, sendo que três estão em Mato Grosso e dois em Minas Gerais, estados importantes para a produção de algodão e café, respectivamente.
A proposta, no entanto, não é substituir os canais tradicionais de venda, mas sim oferecer uma alternativa digital para quem busca mais agilidade nas negociações e dados rápidos sobre os preços praticados no mercado físico.
"O mais interessante é que o produtor agora vai poder acompanhar as cotações físicas da região dele, além do preço da bolsa. Em um mercado tão volátil como o atual, essa informação é muito importante", afirma Ariel Coelho.
Segundo o executivo, a expectativa não é que todos os produtores migrem para a plataforma.
"Vamos continuar trabalhando com os canais de venda tradicionais. Mas acho que uma parte dos produtores vai preferir negociar pela plataforma", diz.
Coelho ressalta, porém, que a adoção da ferramenta deve ocorrer de forma diferente entre as cadeias de café e algodão, que têm perfis bastante distintos.
Enquanto o algodão é um mercado formado por produtores de maior porte e operações de alto valor, o café reúne um número muito maior de agricultores e negociações em volumes menores, dinâmica semelhante à observada no mercado de grãos.
"São produtores menores, com uma dinâmica muito mais parecida com a venda de grãos que é feita no Sul do Brasil, onde o produtor vende para as diferentes tradings ou cooperativas em volumes menores. Já o algodão é um mercado bem diferente, um pouco mais sofisticado", compara.
Para a Grão Direto, a parceria com a StoneX para a negociação de café e algodão representa mais um passo na estratégia da empresa de tecnologia de digitalizar a venda de commodities agrícolas.
"A chegada ao café e ao algodão reforça esse movimento, levando para novas cadeias a experiência que já construímos na venda de soja e milho e ampliando nosso papel como infraestrutura digital para o mercado agro", afirma Alexandre Borges, CEO da Grão Direto, em nota.
A expansão ocorre em um momento de crescimento da Grão Direto. Em 2025, a plataforma vendeu 12 milhões de toneladas e, ao mesmo tempo, concluiu uma rodada de investimentos de R$ 90 milhões liderada pela Kaszek, com participação de Bradesco, SLC Ventures, CME Ventures e Endeavor Scale-Up Ventures.
Essa captação consolidou a empresa entre as principais plataformas digitais do agronegócio na América Latina.
Desde então, a empresa de tecnologia tem acelerado os investimentos em tecnologia. Entre os destaques estão o Mercado 24h, ferramenta que permite a compra e venda de grãos durante o período noturno, fora do horário tradicional de pregão, e o AIrton, assistente de inteligência artificial que envia alertas de preços pelo WhatsApp e acompanha, em tempo real, as oscilações do mercado.

Italo Bertão Filho


