Quase dois meses depois do fim da greve de 48 dias, alunos e professores da Universidade do Distrito Federal (UnDF) dizem que os problemas que causaram a paralisação ainda não foram resolvidos. As aulas recomeçaram em maio de 2026, mas a falta de estrutura, dificuldades para os estudantes se manterem na universidade e a falta de autonomia da instituição continuam sendo motivo de reclamação.
Quase dois meses depois do fim da greve de 48 dias que parou as atividades da Universidade do Distrito Federal Professor Jorge Amaury Maia Nunes (UnDF), alunos e professores afirmam que os principais problemas continuam sem solução. As aulas foram retomadas em 8 de maio de 2026, mas a comunidade acadêmica relata dificuldades com a estrutura, a permanência dos estudantes e a autonomia da instituição.
- A greve de 48 dias foi encerrada em maio, mas os problemas continuam.
- O aluguel do prédio do Campus Norte, em Ceilândia, custa cerca de R$ 110 milhões e é criticado.
- Faltam transporte público, iluminação e comida barata perto da universidade.
- Professores e alunos querem eleições diretas para reitor e outros cargos.
- A reitoria diz que o contrato de aluguel é legal e que as aulas seguem normalmente.
Problemas na estrutura
Um dos principais motivos de reclamação é o funcionamento do Campus Norte, que fica em um prédio alugado do IESB, em Ceilândia. O aluguel custa cerca de R$ 110 milhões, e a comunidade universitária acha que esse dinheiro poderia ser usado para construir uma sede própria para a universidade.
O presidente do Sindicato dos Docentes da UnDF (SindUnDF), Louis Blanchet, disse que há dúvidas sobre como o dinheiro do aluguel está sendo usado. O sindicato também questiona se o contrato foi feito de forma correta e se o dinheiro do Fundo de Apoio à Pesquisa (FunDF) está sendo usado para pagar o aluguel.
Dificuldades para os estudantes
Além dos problemas com a estrutura, os alunos reclamam que é difícil continuar na universidade. Falta transporte público regular até o campus, principalmente à noite. A iluminação perto da universidade é fraca, e a comida é cara.
Bárbara Oliveira, presidente do Diretório Central Acadêmico (DCA), disse que essas condições atrapalham a vida dos alunos e aumentam o risco de desistência, principalmente entre os estudantes mais pobres.
Falta de autonomia
Outro ponto de reclamação é a falta de autonomia da universidade. Professores e funcionários querem que a universidade tenha uma gestão mais democrática. Hoje, cargos como o de reitor, diretores de escola e coordenadores de curso não são escolhidos por eleição direta. O sindicato diz que isso mantém a universidade dependente de decisões do governo.
O que diz a universidade
Em nota, a reitoria da UnDF informou que as aulas estão acontecendo normalmente nos campi Norte e Ceilândia. Sobre o aluguel do prédio, a universidade disse que o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios reconheceu que o contrato é legal. A instituição também disse que está criando os conselhos superiores e dando posse aos conselheiros, o que é importante para melhorar a administração da universidade.
Mesmo com a volta das aulas, representantes de alunos e professores acham que a universidade ainda tem grandes desafios para garantir uma estrutura boa, ajudar os estudantes a continuar os estudos e ter mais autonomia. Esses problemas foram os principais motivos da greve e continuam mobilizando a comunidade acadêmica.

Foto: Lucio Bernardo/Agência Brasília


