08 de julho de 2026

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Alergia pode afetar metade do mundo até 2030, alerta OMS

Geral Alergia 08/07/2026 10:20 Matheus Garcia

No Brasil, 61 milhões de pessoas já sofrem com alergias. As consultas com especialistas cresceram mais de 42% no país.

Neste Dia Mundial da Alergia, celebrado em 8 de julho, a data chama a atenção para a importância do diagnóstico e do tratamento precoce, diante do aumento da prevalência das doenças alérgicas e de seus impactos na saúde infantil. A Organização Mundial da Saúde (OMS) calcula que, até 2030, metade da população mundial poderá apresentar algum tipo de alergia respiratória, alimentar ou de pele.

Atualmente, a Organização Mundial da Alergia (WAO) estima que entre 30% e 40% das pessoas no planeta convivem com essas condições, associadas a fatores como a urbanização, as mudanças climáticas, as alterações ambientais e os índices de poluição atmosférica. O alergista e professor da Afya Educação Médica Belo Horizonte, Dr Maurício Domingues Ferreira, comenta que as doenças alérgicas constituem um dos grupos de doenças crônicas mais prevalentes no mundo e podem acometer diferentes órgãos e sistemas, manifestando-se desde sintomas leves até quadros potencialmente fatais.

  • Até 2030, metade da população mundial pode ter alergia.
  • No Brasil, 61 milhões de pessoas já convivem com alergias.
  • Consultas com alergistas cresceram 42,1% entre 2019 e 2022.
  • Rinite alérgica é a alergia mais comum, afetando o sono e o desempenho escolar.
  • Fatores como poluição, urbanização e mudanças climáticas aumentam os casos de alergia.

Entre as principais, destacam-se a rinite alérgica, a asma, a dermatite atópica, a urticária, as alergias alimentares, as alergias a medicamentos e as reações a venenos de insetos. A rinite alérgica é a forma mais frequente, comprometendo o sono, a concentração e o desempenho escolar e profissional. A asma alérgica caracteriza-se por inflamação crônica das vias aéreas, podendo limitar atividades físicas e, em casos graves, representar risco de morte. A dermatite atópica cursa com eczema e prurido intenso, frequentemente associados a distúrbios do sono e impacto emocional. As alergias alimentares podem desencadear desde manifestações leves até anafilaxia, enquanto a urticária crônica compromete o bem-estar e a qualidade de vida. As alergias a medicamentos e a venenos de himenópteros, embora menos frequentes, também podem causar reações sistêmicas graves.

No Brasil, cerca de 61 milhões de pessoas convivem com algum tipo de alergia. O aumento da procura por atendimento especializado acompanha essa realidade. Um levantamento do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) mostra que as consultas ambulatoriais com alergistas e imunologistas cresceram 42,1% entre 2019 e 2022.

Dr Maurício Ferreira esclarece que o aumento no país é entendido como consequência da interação entre alterações ambientais, disfunção das barreiras epiteliais, desequilíbrio da microbiota e respostas imunológicas, e não apenas como uma alteração isolada do sistema imune. Embora a teoria da higiene tenha contribuído para essa compreensão, hoje se reconhece que o problema envolve a redução do contato com a diversidade microbiana do ambiente natural, essencial para o desenvolvimento da tolerância imunológica.

A urbanização, o menor contato com a natureza, o uso frequente de antibióticos, as mudanças na alimentação e o maior consumo de alimentos ultraprocessados reduzem a diversidade da microbiota. Paralelamente, poluição, fumaça, partículas de diesel e outros poluentes danificam as barreiras epiteliais da pele, das vias respiratórias e do intestino, facilitando a entrada de alérgenos e ativando vias de inflamação do tipo 2. As mudanças climáticas também contribuem ao prolongar as estações polínicas e aumentar a exposição a aeroalérgenos, complementa o alergista.

Ele ainda ressalta que o interior das casas e ambientes de trabalho com poeira, não são coadjuvantes nesse processo, e sim protagonistas. Fator que se deve pelo mofo, pêlos e penas de animais, associados a indivíduos geneticamente predispostos, que aumentam a hipersensibilização a diversos alérgenos, desencadeando asma, rinite e conjuntivite alérgicas. Com a urbanização, houve aumento da exposição a ácaros, fungos e poeira, intensificando a hipersensibilização desses agentes.

Cuidados na infância

Segundo dados do ISAAC (Estudo Internacional de Asma e Alergias na Infância), a rinite alérgica é uma doença não contagiosa que apresenta importante componente hereditário. Crianças com ambos os pais alérgicos possuem maior risco de desenvolver a condição, com estimativa de probabilidade entre 50% e 70%. A doença é mais frequente após os dois anos de idade, acometendo aproximadamente 26% das crianças e cerca de 30% dos adolescentes.

A médica pediatra e professora da Afya Itajubá, Dra Glenia Junqueira Machado Medeiros, explica que a rinite alérgica é muito frequente na infância e costuma se manifestar por espirros repetidos, coriza com secreção transparente, coceira no nariz, nos olhos e na garganta, além de obstrução nasal persistente.

Alguns sinais físicos também podem chamar a atenção, como olheiras, uma linha horizontal no nariz causada pelo hábito de esfregá-lo constantemente conhecida como saudação alérgica e pequenas dobras abaixo das pálpebras inferiores. Crianças com nariz frequentemente entupido podem passar a respirar pela boca, principalmente durante o sono, o que, se persistente, pode interferir no desenvolvimento da face e da arcada dentária. A presença desses sintomas de forma contínua deve motivar uma avaliação pediátrica.

Dra Glenia Medeiros destaca que as doenças alérgicas podem se apresentar de maneiras diferentes ao longo do crescimento da criança, em um processo conhecido como marcha atópica. Nos primeiros anos de vida, são mais comuns as alergias alimentares e a dermatite atópica, que provoca pele seca, vermelhidão e coceira intensa. Na fase pré-escolar e escolar, passam a ser mais frequentes as alergias respiratórias, principalmente a asma e a rinite alérgica. Na adolescência e na vida adulta, a rinite tende a se tornar a manifestação alérgica predominante, podendo impactar significativamente a qualidade de vida, o sono e o desempenho escolar.

Embora a predisposição genética tenha grande influência, algumas medidas podem ajudar a reduzir o risco de desenvolver doenças alérgicas. O aleitamento materno exclusivo nos primeiros seis meses de vida é uma das principais recomendações, por contribuir para o amadurecimento do sistema imunológico. Também é fundamental evitar a exposição ao cigarro, tanto durante a gestação quanto após o nascimento, já que a fumaça do tabaco aumenta o risco de asma e rinite. Além disso, manter a casa bem ventilada, controlar a umidade, evitar mofo e reduzir a exposição a irritantes ambientais são medidas importantes. Atualmente, também se reconhece que o contato saudável com ambientes naturais e maior diversidade de microrganismos pode favorecer o desenvolvimento equilibrado do sistema imunológico e contribuir para a prevenção das alergias, conclui a pediatra.