Com a Copa do Mundo de 2026 e a volta das viagens internacionais, aumentar a procura por vistos americanos. Uma advogada especialista explica o que os agentes consulares realmente analisam e desfaz mitos comuns, como a ideia de que ter dinheiro na conta garante o visto ou que falar inglês é obrigatório. O mais importante é comprovar que você tem vínculos fortes com o Brasil, como emprego estável, família e casa própria.
São Paulo, abril de 2026 Com a Copa do Mundo de 2026, a procura por vistos americanos voltou a crescer entre brasileiros, impulsionada pelo aumento das viagens internacionais e pelo interesse em acompanhar o evento de perto. Os Estados Unidos receberam 1,9 milhão de brasileiros em 2025, mantendo o Brasil como um dos principais mercados emissores de turistas para o país, segundo o NTTO, órgão do governo americano que compila estatísticas de viagem. Além disso, o próprio governo norte-americano já anunciou medidas para priorizar o agendamento de entrevistas para torcedores, diante do aumento esperado de solicitações.
Nesse cenário, o processo de aprovação segue cercado de dúvidas e mitos, o que, na prática, pode comprometer as chances de quem não entende o que realmente é avaliado.
- Não existe um perfil ideal para conseguir o visto: o que importa são os motivos para voltar ao Brasil.
- Ter dinheiro na conta não garante aprovação: a estabilidade financeira conta mais do que um saldo alto.
- Estar empregado ajuda muito, pois mostra vínculos com o Brasil.
- Ter familiares nos EUA pode gerar desconfiança, mas não impede o visto se você explicar bem a sua viagem.
- Uma negativa anterior não impede novas tentativas, desde que sua situação tenha mudado.
Na prática, o critério adotado pelas autoridades consulares é mais objetivo do que parece. A análise gira em torno da intenção de viagem e, principalmente, da capacidade do solicitante de comprovar que retornará ao Brasil após a estadia.
Para a advogada Dra. Ingrid Domingues-McConville, com mais de 30 anos de atuação nos Estados Unidos e experiência em imigração empresarial e familiar, a análise consular é mais objetiva do que muitos imaginam. A decisão não é baseada em um único fator, mas no conjunto da vida da pessoa. O agente consular quer entender se aquele candidato tem vínculos reais com o país de origem, explica.
Mitos e verdades sobre o visto americano
1. Existe um perfil ideal para conseguir o visto. Mito. Não existe um modelo perfeito de candidato. O consulado não busca um tipo específico de pessoa, mas sim entender se ela tem motivos concretos para voltar ao Brasil após a viagem, afirma.
2. Ter dinheiro na conta garante a aprovação. Mito. A condição financeira ajuda a demonstrar que a pessoa pode custear a viagem, mas não prova que ela vai retornar. Estabilidade é mais relevante do que saldo bancário, explica.
3. Estar empregado faz diferença na análise. Verdade. Um emprego estável, tempo de casa ou um negócio próprio mostram que o solicitante tem vínculos sólidos com o Brasil. Isso pesa bastante na decisão, destaca.
4. Ter familiares nos Estados Unidos pode atrapalhar. Verdade. Pode gerar questionamentos sobre a real intenção da viagem. Não impede a aprovação, mas exige respostas claras e coerentes durante a entrevista, pontua.
5. Já ter tido um visto negado impede novas aprovações. Mito. A negativa fica registrada, mas não impede uma nova aprovação. O importante é que a situação do solicitante tenha mudado de forma significativa desde o pedido anterior, esclarece.
6. Falar inglês é essencial para conseguir o visto. Mito. Para vistos de turismo, a entrevista pode ser feita em português e o idioma não é determinante. Já em vistos de trabalho, o inglês pode ser mais relevante, explica.
7. Ter histórico de viagens internacionais aumenta as chances. Verdade. Ajuda porque demonstra um padrão de viagens com retorno ao país de origem. Mas não é obrigatório, o principal continua sendo os vínculos com o Brasil, afirma.
8. Levar documentos é fundamental para aprovação. Mito. Na maioria dos casos, os documentos nem são analisados. A decisão costuma ser tomada com base na entrevista, e só são solicitados se houver alguma dúvida, diz.
9. Respostas ensaiadas ajudam na entrevista. Mito. Respostas decoradas, vagas ou incoerentes podem prejudicar. O ideal é ser claro, objetivo e consistente ao explicar sua rotina e o motivo da viagem, orienta.
10. O que realmente pesa é o conjunto da história. Verdade. O agente avalia estabilidade profissional, renda compatível, histórico e, principalmente, a coerência das informações. Além disso, histórico migratório limpo, sem fraudes ou permanência irregular, é essencial, reforça.
A especialista destaca que, embora o processo seja rápido, a análise é criteriosa e baseada na percepção de credibilidade do solicitante. No fim, a decisão responde a uma pergunta central: essa pessoa parece alguém que vai viajar e voltar, resume.
Mais do que cumprir uma lista de exigências, a aprovação do visto depende de consistência, transparência e da capacidade de demonstrar vínculos reais com o país de origem.

Izabel Santa Fe


