A doença ataca o fígado de forma silenciosa, mas o diagnóstico precoce e o tratamento gratuito pelo SUS aumentam as chances de cura. Uma especialista responde 10 perguntas comuns sobre o tema.
Começou em todo o Brasil a campanha Julho Amarelo, que foca na vigilância, prevenção e controle das hepatites virais. O objetivo é conscientizar a população sobre essas infecções que atacam o fígado de forma silenciosa, além de incentivar a vacinação, o tratamento gratuito oferecido pelo SUS e os testes rápidos, que são essenciais para descobrir a doença antes que cause danos permanentes ao corpo.
Para tirar as principais dúvidas sobre o assunto, Jannaina Ferreira de Melo Vasco, biomédica e vice-presidente do Conselho Regional de Biomedicina do Paraná, responde a perguntas comuns sobre a doença.
- A hepatite C infecta até 5 vezes mais pessoas que o HIV no mundo.
- O vírus da hepatite C pode sobreviver em objetos cortantes por até uma semana.
- Pessoas com mais de 45 anos são o principal foco das campanhas de testagem.
- Não existe vacina para a hepatite C, mas a hepatite B tem vacina gratuita no SUS.
- A hepatite C tem cura em mais de 95% dos casos com tratamento de 12 semanas.
O que são as hepatites virais
São infecções que causam inflamação do fígado. Elas são provocadas por diferentes tipos de vírus, classificados de A a E. No Brasil, as variações mais comuns e que exigem maior atenção são:
Hepatite A: Transmitida principalmente por água e alimentos contaminados. Costuma ser mais leve, mas exige cuidados com higiene e saneamento básico.
Hepatite B: Transmitida pelo sangue, relações sexuais sem proteção ou de mãe para filho durante o parto. Pode se tornar crônica e causar problemas graves.
Hepatite C: Transmitida principalmente pelo contato com sangue contaminado. É a principal causa de transplantes de fígado no país.
Se não forem tratadas a tempo, as hepatites crônicas, especialmente a B e a C, podem causar danos sérios e progressivos ao fígado.
Por que a campanha se chama Julho Amarelo
A escolha do mês e da cor tem significados importantes na saúde pública. O mês de julho faz referência ao Dia Mundial de Luta contra as Hepatites Virais, em 28 de julho, data de nascimento do cientista que descobriu o vírus da hepatite B e criou a primeira vacina. A cor amarela remete à icterícia, um sinal típico de problemas no fígado, que deixa a pele e os olhos amarelados.
Qual é a importância da campanha
Milhões de pessoas têm os vírus B ou C e não apresentam sintomas por décadas. Quando os sinais aparecem, o fígado já pode estar com lesões irreversíveis, como cirrose ou câncer. A campanha se baseia em três pontos principais: estimular o diagnóstico precoce com testes rápidos gratuitos do SUS, divulgar a cura e o tratamento (a hepatite C tem cura em mais de 95% dos casos) e reforçar a prevenção com a vacina contra a hepatite B, disponível para todos.
Hepatite C infecta até 5 vezes mais que o HIV
Sim. O número de pessoas com hepatite C no mundo é de 4 a 5 vezes maior que o de pessoas com HIV. Isso acontece porque a doença não apresenta sintomas por muitos anos, o sangue não era testado para o vírus antes de 1993, e não existe vacina para a hepatite C.
Quais são os principais sinais
A doença é silenciosa porque o fígado tem pouca sensibilidade à dor. Quando os sintomas aparecem, a doença já está avançada. Os sinais tardios incluem pele e olhos amarelados, urina escura, fezes claras, cansaço extremo e dor ou inchaço na barriga.
Como as pessoas se infectam no dia a dia
O vírus da hepatite C é resistente e pode sobreviver em objetos cortantes por dias. O contágio acontece pelo contato de sangue com sangue. É importante não compartilhar alicates de unha, lâminas de barbear ou outros objetos cortantes. Exigir materiais descartáveis em tatuagens e piercings e usar preservativo nas relações sexuais também são medidas de prevenção.
Quais vacinas estão disponíveis no SUS
O SUS oferece vacina contra a hepatite A para crianças e grupos de risco, e contra a hepatite B para toda a população, em três doses. Não existe vacina para a hepatite C, que depende de prevenção e diagnóstico precoce.
Por que pessoas com mais de 45 anos precisam de atenção redobrada
Essa faixa etária é o foco das campanhas de testagem porque muitas pessoas foram infectadas antes de 1993, quando o sangue não era testado, ou em procedimentos com materiais reutilizáveis. Quem se infectou na juventude pode estar agora começando a sentir os efeitos graves da doença.
Qual é a importância do diagnóstico
O diagnóstico rápido e preciso é essencial para o tratamento e para evitar complicações. Os testes rápidos estão disponíveis nas unidades de saúde.
Onde buscar ajuda
A Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima é o primeiro lugar para buscar orientação e fazer exames. O SUS oferece testes rápidos e tratamento gratuito.

Doença ataca o fígado de forma silenciosa; quando os sinais aparecem, a doença já está em estágio avançado




