O médico e escritor Dr. Albino Bonomi afirma que, apesar dos avanços da inteligência artificial na área da saúde, o cuidado humano e a capacidade de acolher o paciente continuam sendo essenciais e insubstituíveis.
Com a inteligência artificial ocupando cada vez mais espaço na área da saúde, ajudando desde a interpretação de exames até a elaboração de diagnósticos, uma pergunta fica no ar: será que a tecnologia vai substituir o olhar humano do médico
Para o médico ginecologista, obstetra e escritor Dr. Albino Bonomi, a resposta é clara: não.
- O médico defende que a inteligência artificial jamais conseguirá substituir a empatia e o acolhimento humano no cuidado com os pacientes.
- Ele afirma que os pacientes procuram segurança e alguém que os escute com atenção, não apenas um diagnóstico rápido.
- Bonomi escreveu livros sobre humanização na saúde, como "Pré-Natal Humanizado" e "Sociopatas".
- Para ele, a tecnologia deve ser usada como ferramenta de apoio, não como substituta do médico.
- O futuro da medicina, segundo o médico, depende da inteligência emocional, não da inteligência artificial.
Autor dos livros "Pré-Natal Humanizado Gerando Crianças Felizes", "O Ciclo Gestatório de um Homem", "Como Criei e Amei Meus Filhos" e "Sociopatas O lado sombrio da Medicina", Bonomi acredita que a tecnologia representa um grande avanço, mas destaca que nenhuma ferramenta será capaz de reproduzir a essência da profissão: acolher o sofrimento humano.
A inteligência artificial não consegue olhar nos olhos do paciente
"A inteligência artificial pode calcular probabilidades, cruzar milhões de informações e ajudar na tomada de decisões, mas jamais será capaz de olhar nos olhos de um paciente e entender o medo, a angústia, a esperança ou a dor que ele sente. A medicina nasceu para cuidar de pessoas, e pessoas precisam ser acolhidas por pessoas", afirma.
Em décadas dedicadas à obstetrícia, o médico diz ter aprendido que boa parte do tratamento começa antes mesmo de receitar qualquer remédio.
O paciente busca segurança, não só um diagnóstico
"Existe um momento em que o paciente não procura apenas um diagnóstico. Ele procura segurança. Procura alguém que o escute sem pressa, que entenda suas dúvidas e que mostre preocupação genuína com sua vida. Essa parte profundamente humana jamais poderá ser automatizada."
A defesa da humanização está presente em toda a obra literária de Albino Bonomi. Em "Pré-Natal Humanizado Gerando Crianças Felizes", ele propõe uma visão que vai além dos aspectos técnicos da gestação, valorizando o vínculo emocional entre pais, bebê e equipe de saúde. Já em "Sociopatas O lado sombrio da Medicina", ele faz uma reflexão sobre a perda de valores éticos e humanos em alguns ambientes profissionais.
Quanto mais tecnologia, mais humano o médico precisa ser
Segundo ele, em uma era de muitas transformações tecnológicas, é ainda mais importante preservar o que diferencia um excelente profissional de um simples executor de tarefas. "Quanto mais tecnologia tivermos, maior deve ser nossa capacidade de sermos humanos. A máquina pode dar respostas rápidas; o médico oferece discernimento, empatia e responsabilidade. Uma complementa a outra, mas nunca ocuparão o mesmo lugar."
O obstetra também alerta para o risco de a sociedade transformar a eficiência tecnológica no único parâmetro de qualidade da assistência médica. "Se reduzirmos a medicina a algoritmos, perderemos o que ela tem de mais precioso: a relação de confiança entre médico e paciente. É essa confiança que tranquiliza uma gestante, conforta uma família diante de um diagnóstico difícil e fortalece quem enfrenta uma doença."
A tecnologia como aliada, não como substituta
Para Bonomi, a inteligência artificial representa uma oportunidade histórica de tornar a medicina mais precisa e eficiente, desde que seja usada como instrumento de apoio e nunca como substituta da sensibilidade humana. "A tecnologia deve libertar o médico das tarefas mecânicas para que ele tenha ainda mais tempo de ouvir, conversar, orientar e cuidar. O futuro da medicina não será decidido pela inteligência artificial, mas pela inteligência emocional daqueles que continuarão exercendo a arte de cuidar."

Dr. Albino Bonomi é médico obstetra e escritor


