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Burnout sai do silêncio e vira briga na Justiça do Trabalho

Geral Burnout 06/07/2026 13:50 Lorena Oliveira (LC Agência de Comunicação)

Com o aumento de afastamentos por problemas de saúde mental no trabalho e novas regras de segurança, a advogada Priscila Arraes Reino lança um livro para ajudar trabalhadores a entender seus direitos, documentar o adoecimento e agir contra empresas, INSS e médicos.

No Brasil, os transtornos por saúde mental representam um em cada sete afastamentos no trabalho. É nesse contexto que a advogada trabalhista e previdenciária Priscila Arraes Reino lança Burnout tem lei, obra voltada a orientar colaboradores sobre como reconhecer sinais de adoecimento relacionados ao ofício, entender seus direitos e agir de forma estratégica diante da empresa, do INSS e dos profissionais envolvidos no acompanhamento da sua saúde.

  • Um em cada sete afastamentos no trabalho no Brasil é por causa de problemas de saúde mental.
  • Uma nova regra (NR-1) obriga empresas a cuidar dos riscos psicológicos no ambiente de trabalho.
  • Muitos profissionais só percebem o problema quando já não conseguem mais trabalhar direito.
  • Apenas um laudo médico não basta para provar que a doença veio do trabalho; é preciso juntar outras provas.
  • O livro ensina como documentar desde os primeiros sinais de cansaço até as ações na Justiça.

O assunto ganha ainda mais força com a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que passou a exigir atenção aos riscos psicossociais no ambiente profissional. Segundo a autora, muitos profissionais só percebem a gravidade do problema quando já perderam a capacidade de manter uma rotina mínima de trabalho. Um dos maiores erros, afirma, é acreditar que apenas um laudo médico basta para comprovar que a doença foi causada pelo ambiente corporativo.

"O adoecimento costuma acontecer de forma cumulativa. Mensagens fora do horário, pressão constante, metas abusivas, crises recorrentes, receitas médicas, afastamentos curtos e acompanhamento psicológico ajudam a construir a trajetória desse esgotamento", explica.

Escrito em linguagem clara, acessível e sem juridiquês, Burnout tem lei busca traduzir para o leitor um universo que normalmente fica restrito a advogados, peritos e tribunais. A obra apresenta orientações práticas sobre como agir desde os primeiros sinais de esgotamento, explica como funcionam os processos trabalhistas e previdenciários e detalha quais direitos podem surgir quando a atividade desempenhada contribui para o desenvolvimento ou agravamento de um problema de saúde mental.

Com mais de 25 anos de atuação na defesa de trabalhadores com doenças ocupacionais e acidentes de trabalho, a advogada afirma que existe uma cultura de normalização do excesso, em que muitos aprendem a chamar esgotamento de comprometimento profissional. Essa realidade levou a especialista a transformar informação jurídica em ferramenta de proteção.

Priscila Arraes Reino defende que trabalhadores adoecidos precisam compreender seus direitos antes que a situação evolua para rupturas profissionais, financeiras e emocionais mais graves. Burnout tem lei dialoga com um cenário em que saúde mental passou a ocupar espaço estratégico nas discussões sobre governança corporativa, gestão de risco, sustentabilidade das relações de trabalho e responsabilidade social das empresas.