Entenda por que a perda de fios pode acontecer durante o tratamento com canetas emagrecedoras e o que ajuda a preservar a saúde capilar.
O uso de canetas emagrecedoras voltou ao centro das discussões sobre saúde e estética. Entre os efeitos que mais preocupam os pacientes está a queda de cabelo, relatada por algumas pessoas durante o processo de emagrecimento. Mas a relação entre a medicação e a perda dos fios não é tão simples quanto parece.
Segundo a médica nutróloga Dra. Mariana Wogel, a queda capilar, na maioria dos casos, não acontece por um efeito tóxico direto da medicação sobre o folículo piloso. O que costuma ocorrer é uma resposta do organismo ao emagrecimento acelerado, à redução da ingestão alimentar e às mudanças metabólicas que acompanham a perda de peso.
- A queda de cabelo geralmente não é causada diretamente pela caneta emagrecedora, mas sim pela perda de peso rápida.
- O corpo interpreta a perda de peso acelerada como um estresse, o que pode levar à queda temporária dos fios.
- A redução de nutrientes como proteínas, ferro e zinco, por causa da menor ingestão de alimentos, também contribui para o problema.
- Existem dois tipos principais de queda: a temporária (eflúvio telógeno) e a crônica (alopecia androgenética), que podem ser confundidas.
- O tratamento ideal envolve acompanhamento médico, boa alimentação e investigação de possíveis deficiências nutricionais.
O que acontece com o cabelo
A forma mais comum de queda capilar nesse contexto é o eflúvio telógeno. O quadro ocorre quando um número maior de fios entra antes da hora na fase de queda, geralmente após situações de estresse fisiológico, como perda rápida de peso, cirurgias, infecções, parto ou estresse intenso.
No caso dos medicamentos para emagrecimento, esse processo tende a aparecer alguns meses depois do início da perda de peso. A queda costuma surgir entre o segundo e o quarto mês, justamente quando o corpo já passou por uma mudança metabólica importante.
Quando o emagrecimento acontece de forma muito rápida, o organismo entende isso como um estresse. O cabelo, que não é prioridade de sobrevivência, pode responder com queda temporária, explica a médica.
Menos apetite, menos nutrientes
Outro fator relevante é a redução da ingestão de proteínas e micronutrientes. Como as canetas emagrecedoras aumentam a saciedade, algumas pessoas passam a comer menos do que o necessário para manter a saúde dos fios, da pele e do organismo como um todo.
A queratina, principal componente do cabelo, depende de aporte adequado de proteína para ser produzida. Quando isso não acontece, os fios podem perder brilho, ficar mais finos, quebradiços e crescer mais devagar.
Além disso, a queda pode se agravar quando há deficiência de ferro, ferritina, zinco, vitamina D, vitamina B12 e folato. Esses nutrientes participam da divisão celular e do funcionamento do folículo piloso.
Nem toda queda tem a mesma origem
A médica destaca que nem toda perda de cabelo significa o mesmo problema. A queda difusa, como o eflúvio telógeno, costuma ser temporária e tende a melhorar quando a causa é corrigida.
Já a alopecia androgenética feminina é uma condição crônica e progressiva. Nesse caso, o cabelo afina aos poucos, a densidade diminui e a risca central pode ficar mais evidente. A perimenopausa e a menopausa podem acelerar esse quadro, já que a queda do estrogênio reduz a proteção hormonal sobre o folículo piloso.
Às vezes, o emagrecimento rápido apenas torna visível uma predisposição que já existia, afirma Dra. Mariana Wogel.
Como reduzir o impacto
Para a especialista, o principal cuidado está na forma como o tratamento é conduzido. O problema, diz ela, não é apenas a medicação, mas o modo como o emagrecimento acontece.
Quando há perda de peso muito acelerada, sem estratégia nutricional e sem acompanhamento, o risco de queda capilar aumenta. O ideal é preservar massa magra, manter ingestão proteica adequada e investigar possíveis deficiências nutricionais ao longo do processo.
A avaliação não deve se limitar ao couro cabeludo. Composição corporal, velocidade da perda de peso, perfil hormonal, tireoide e estado nutricional também precisam entrar na análise.
Mais do que tratar a queda, é preciso entender o que o corpo está tentando mostrar, diz a médica.

Foto Profissional. (Crédito: freepik)


