A decisão da Justiça de São Paulo que nomeou Suzane von Richthofen como inventariante do espólio de seu tio reacendeu dúvidas sobre essa função. Muita gente pensa que o inventariante tem privilégios, mas na verdade ele é um administrador temporário, com deveres de cuidar dos bens e prestar contas. A advogada Vanessa Fernandes Tobias explica que esse cargo é de responsabilidade, não de vantagem pessoal.
A decisão da Justiça de São Paulo que nomeou Suzane von Richthofen como inventariante do espólio de seu tio materno, o médico Miguel Abdalla Netto, que morreu em janeiro de 2026, colocou o Direito das Sucessões no centro das atenções. O caso envolve um patrimônio de cerca de R$ 5 milhões e uma briga na Justiça sobre o reconhecimento de união estável de uma mulher que quer parte da herança. Especialistas dizem que esse caso mostra algo comum nos inventários brasileiros: as pessoas não sabem direito qual é o papel do inventariante e quais são suas responsabilidades.
- A função do inventariante é administrar os bens do espólio, não ter vantagens ou poder sobre a herança.
- O inventariante precisa prestar contas aos herdeiros e à Justiça, e pode ser removido se cometer erros.
- O inventário deve ser aberto em até 60 dias após a morte, mesmo sem grandes conflitos.
- A falta de informação sobre o papel do inventariante é uma das principais causas de brigas familiares durante o processo.
- A orientação de um advogado pode ajudar a evitar conflitos emocionais e acelerar o inventário.
Para Vanessa Fernandes Tobias, advogada especialista em Direito de Família, Sucessões e Planejamentos Sucessórios, a repercussão do caso mostra uma interpretação errada muito comum. Muitas pessoas acreditam que o inventariante recebe algum tipo de vantagem ou poder especial sobre a herança. Na realidade, trata-se de uma função de responsabilidade, fiscalização e prestação de contas. O inventariante atua em nome do espólio, mas está sujeito ao controle dos herdeiros e da própria Justiça, não podendo tomar decisões livremente sobre os bens.
Embora muitas vezes seja visto apenas como um representante formal do inventário, o inventariante é o responsável por conduzir toda a administração do espólio durante o processo sucessório. Isso inclui preservar os bens, organizar documentos, prestar contas aos herdeiros e ao Judiciário, e atuar perante bancos, órgãos públicos e terceiros. Por ser uma função de confiança, sua atuação pode ser questionada na Justiça em caso de irregularidades.
Prazos e deveres do inventariante
A lei brasileira determina que o inventário deve ser aberto em até 60 dias após a morte, independentemente do tamanho do patrimônio ou de brigas familiares. Durante o processo, o inventariante tem deveres como reunir documentos, administrar bens, representar o espólio na Justiça, prestar informações às autoridades e pagar impostos. O Código de Processo Civil também permite que o inventariante seja removido se for omisso, administrar mal os bens ou descumprir seus deveres. Isso mostra que a função não é um privilégio.
Conflitos e a importância da orientação
O caso chama atenção porque junta elementos que aparecem em muitas disputas de herança: patrimônio alto, dúvidas sobre quem são os herdeiros e conflitos familiares. Nessas situações, a escolha do inventariante muitas vezes vira uma briga de poder, o que atrasa o processo e gera ainda mais ações na Justiça. Especialistas afirmam que a falta de informação sobre os limites da função é um dos principais motivos para as divergências entre familiares.
Vanessa destaca que a atuação preventiva dos advogados é fundamental para evitar que questões emocionais atrapalhem o processo sucessório. A escolha do inventariante frequentemente desperta ressentimentos, desconfianças e disputas que não têm base na lei. O papel do advogado é esclarecer direitos, deveres e limites da função, ajudando as famílias a entender que o inventário deve organizar a sucessão patrimonial de forma equilibrada. Com orientação adequada, é possível reduzir conflitos e garantir que o processo cumpra seu objetivo sem aumentar o desgaste familiar.

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