A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) está enviando equipes e suprimentos de emergência para a Venezuela, que foi atingida por dois fortes terremotos. Milhares de pessoas precisam de ajuda, incluindo muitas que tinham acabado de voltar para o país e já enfrentavam dificuldades. Empresas e pessoas podem contribuir com doações para ajudar as vítimas.
Genebra, 26 de junho de 2026 – A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) está enviando rapidamente equipes e materiais para ajudar a população após os fortes terremotos que atingiram a Venezuela no fim da quarta-feira (24 de junho). Os tremores causaram grande destruição e deixaram milhares de pessoas precisando de ajuda urgente.
- Dois terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 atingiram a Venezuela, principalmente a capital Caracas e estados próximos.
- Pelo menos 188 pessoas morreram, mais de 1.500 ficaram feridas e muitas ainda estão desaparecidas ou soterradas.
- O governo declarou emergência e milhares de pessoas foram afetadas, com danos em casas, hospitais e no aeroporto principal.
- O ACNUR está muito preocupado com as pessoas que tinham acabado de voltar para a Venezuela e já enfrentavam dificuldades para recomeçar a vida.
- Empresas e pessoas podem fazer doações para ajudar a ACNUR a dar assistência rápida às vítimas.
A resposta do governo ainda está focada em encontrar e resgatar pessoas, dar atendimento médico de emergência e avaliar os estragos. O ACNUR está pronto para ajudar nessa resposta, junto com outros parceiros das Nações Unidas, e está organizando os suprimentos de emergência disponíveis para atender às necessidades que estão surgindo.
Empresas podem ajudar a ação de emergência. Acesse aqui.
Os terremotos, de magnitude 7,2 e 7,5 na escala Richter, afetaram principalmente o Distrito Capital de Caracas e os estados de Miranda, Carabobo, Yaracuy e La Guaira. De acordo com informações preliminares divulgadas pelo presidente da Assembleia Nacional, 188 pessoas morreram, 1.520 ficaram feridas, 157 estão desaparecidas, mais de 200 permanecem soterradas sob os escombros e 2.927 pessoas foram afetadas. Esses números estão sendo sempre atualizados e podem ser muito maiores do que os registrados até agora.
O governo declarou estado de emergência, o que inclui medidas de evacuação, suspensão de alguns serviços e envio de equipes de saúde e resgate. Foram registrados danos em casas e em infraestruturas e serviços públicos essenciais, incluindo oito hospitais, enquanto as avaliações continuam. O Aeroporto Internacional Simón Bolívar sofreu danos graves, e todos os voos foram suspensos ou cancelados.
Impacto sobre os mais vulneráveis
Os terremotos devem piorar muito os riscos de proteção já enfrentados por pessoas em situação de vulnerabilidade em todo o país, incluindo refugiados, pessoas que voltaram ao país e outros grupos. Como líder do grupo temático de proteção humanitária, o ACNUR trabalha em parceria com as autoridades e parceiros humanitários para avaliar as necessidades e as lacunas nas áreas afetadas e coordenar uma resposta rápida, eficaz e que ajude a todos os grupos envolvidos.
O ACNUR está especialmente preocupado com o impacto sobre as pessoas que voltaram recentemente para a Venezuela, que já enfrentavam desafios para se reintegrar antes do desastre. Autoridades de La Guaira relataram o desabamento de um centro de acolhimento temporário que abrigava aproximadamente 140 pessoas retornadas, que tinham acabado de chegar em um voo vindo dos Estados Unidos. As operações de busca e resgate continuam em andamento.
A situação dos refugiados e migrantes
Na Venezuela, o ACNUR trabalha com refugiados, solicitantes da condição de refugiado e outras pessoas sob seu mandato, além daqueles que retornam ao país após períodos vivendo no exterior. No fim de 2025, a Venezuela acolhia mais de 210 mil refugiados, solicitantes de asilo e outras pessoas de interesse do ACNUR. Além disso, 6,9 milhões de refugiados e migrantes venezuelanos viviam em países da América Latina e do Caribe, dos quais 4 milhões precisavam de assistência.
Uma pesquisa recente feita pelo ACNUR com cerca de 1.300 venezuelanos que vivem em outros países da região mostrou que um terço disse ter a intenção de voltar para a Venezuela, e 9% consideravam fazer isso em até um ano. O principal motivo apontado foi a reunião com a família.
Antes dos terremotos, as necessidades financeiras do ACNUR na Venezuela para 2026 eram estimadas em US$ 44,7 milhões, dos quais apenas 11% haviam sido financiados. Um apoio rápido e flexível é essencial para que o ACNUR possa manter suas atividades de proteção e continuar apoiando as pessoas afetadas pelo deslocamento, à medida que as necessidades aumentam após os terremotos.
Como as empresas podem ajudar
O ACNUR é referência mundial em ajuda humanitária, garantindo proteção e resposta emergencial em até 72 horas em situações de crise. O trabalho é para salvar vidas, promover a dignidade e dar às pessoas forçadas a se deslocar a oportunidade de reconstruírem suas vidas por meio de estratégias de integração socioeconômica e geração de renda.
O apoio de empresas e parceiros corporativos é indispensável para impulsionar avanços para as pessoas forçadas a se deslocar. No ACNUR, acredita-se no poder das Parcerias de Valor Compartilhado, que alinham os objetivos estratégicos das empresas com o impacto positivo para refugiados e comunidades que os acolhem.
O investimento social privado e a filantropia são pilares fundamentais para a proteção e a integração da população refugiada, contribuindo tanto para atender a necessidades emergenciais quanto para criar soluções de longo prazo.

Gabriela Lima


