Um empresário do setor de construção civil transformou seu passatempo com abelhas nativas sem ferrão em uma iniciativa ecológica dentro de um novo prédio. A ideia é ajudar a natureza e ensinar os moradores sobre a importância da biodiversidade na cidade.
Em meio às discussões sobre mudanças climáticas, perda de biodiversidade e sustentabilidade urbana, uma iniciativa inusitada chama atenção na construção civil: um CEO que transformou sua experiência pessoal com abelhas nativas sem ferrão em parte da estratégia ambiental de seus empreendimentos.
A história começou longe dos canteiros de obras. Movido pela curiosidade e pelo interesse crescente em soluções ligadas à natureza e ao bem-estar, Rafael Rosa, CEO da ATR Incorporadora, instalou um meliponário em sua própria residência. O que parecia apenas um hobby acabou se tornando uma experiência capaz de mudar sua percepção sobre o papel da construção civil na relação entre cidade e meio ambiente.
- O CEO montou uma colmeia especial com abelhas sem ferrão em casa e se encantou com o resultado.
- A ideia virou um projeto oficial dentro de um novo prédio chamado Bioma.
- As abelhas ajudam a polinizar plantas e aumentar a biodiversidade na região.
- O prédio tem jardim com plantas nativas, horta comunitária e sistema de reaproveitamento de água da chuva.
- Especialistas dizem que essa é uma tendência para tornar as cidades mais verdes e saudáveis.
Quando você convive diariamente com um meliponário, começa a observar coisas que antes passavam despercebidas. As crianças fazem perguntas, os adultos se interessam, surgem conversas sobre biodiversidade, polinização e sobre o ecossistema que existe ao nosso redor. É impressionante como algo tão pequeno gera tanta reflexão, afirma o empresário.
A experiência pessoal foi tão significativa que inspirou a criação de um meliponário com abelhas nativas sem ferrão da espécie Guaraipo Negra no Bioma, empreendimento da incorporadora que aposta em uma abordagem voltada à regeneração urbana e à reconexão entre moradores e natureza.
Projeto da praça do Bioma, espaço para conexão com a natureza que abriga os meliponários.
Para Rafael, a iniciativa representa uma mudança importante na forma como o setor enxerga a sustentabilidade. Durante muito tempo falamos sobre sustentabilidade apenas como uma questão técnica. Hoje entendemos que ela também precisa ser vivida pelas pessoas. O meliponário tem uma função ambiental importante, mas também tem um papel educativo muito forte. Ele convida os moradores a pararem por um instante e pensarem sobre a vida que existe ao redor deles dentro da cidade, diz.
A mudança na forma de construir
A mudança acompanha uma evolução da agenda ESG no setor imobiliário. Segundo o World Green Building Council, a construção sustentável deve ir além da eficiência energética e incorporar aspectos como acesso à natureza, biodiversidade, conforto térmico, qualidade ambiental e promoção da saúde e do bem-estar dos ocupantes.
No Bioma, o meliponário faz parte de uma estratégia que inclui vegetação 100% nativa, paisagismo regenerativo, horta comunitária, pomar, reaproveitamento de água da chuva, eficiência energética e soluções voltadas ao conforto ambiental.
Segundo especialistas, iniciativas desse tipo ajudam a criar microecossistemas capazes de fortalecer a biodiversidade nas cidades. Quando um empreendimento incorpora vegetação nativa e cria condições para espécies polinizadoras prosperarem, ele vai além da mitigação de impactos. Passa a contribuir para a regeneração ambiental daquele território. O meliponário é importante porque protege espécies, fortalece processos ecológicos e aproxima as pessoas da natureza, explica Iago de Oliveira, sócio-fundador da Bloco Base, empresa responsável pela estratégia de sustentabilidade dos empreendimentos.
ESG que sai do discurso e chega ao cotidiano
Para Iago, um dos principais desafios da agenda ESG na construção civil é transformar conceitos técnicos em experiências reais para quem vive os espaços. Muitas vezes as pessoas associam sustentabilidade apenas à tecnologia ou a certificações. Mas a sustentabilidade mais efetiva é aquela que influencia o comportamento cotidiano. Quando um projeto estimula contato com áreas verdes, aproxima moradores da biodiversidade local e cria oportunidades de engajamento ambiental, ele gera valor ambiental, social e também econômico ao longo de todo o ciclo de vida do empreendimento, afirma.
Segundo o consultor, esse movimento representa uma evolução da agenda ESG no setor imobiliário, que passa a integrar eficiência, regeneração ambiental e bem-estar como parte da concepção dos projetos. Não se trata de adicionar soluções sustentáveis no final do processo. A sustentabilidade precisa fazer parte do DNA do empreendimento desde as primeiras decisões de projeto. É isso que permite gerar impactos positivos consistentes para as pessoas, para as cidades e para o meio ambiente, diz.
Para Rafael, iniciativas como o meliponário mostram que o futuro da construção civil não depende apenas de novas tecnologias, mas também da capacidade de reconectar as pessoas aos processos naturais.
A construção civil tem um enorme potencial de transformação. Temos a oportunidade de criar espaços que não apenas ocupam território, mas que contribuem para melhorar a relação entre as pessoas e o ambiente onde vivem. Sustentabilidade e bem-estar deixaram de ser tendências e passaram a fazer parte daquilo que define a qualidade de um empreendimento, afirma.
Em um momento em que as cidades buscam respostas para desafios ambientais cada vez mais complexos, a pequena abelha sem ferrão que habita o meliponário pode simbolizar uma mudança muito maior: a de um setor que começa a enxergar a natureza não como algo a ser preservado à distância, mas como parte integrante da vida urbana.

ATR Incorporadora



