O Brasil está prestes a viver o maior ciclo de descomissionamento (desativação e remoção) de plataformas de petróleo da sua história. A Petrobras vai gastar quase 10 bilhões de dólares para retirar mais de 500 poços e cerca de 60 plataformas até 2030. Esse processo é cheio de riscos, porque as estruturas estão velhas e enferrujadas, e exige equipamentos especiais e profissionais muito bem treinados para evitar acidentes.
O Brasil está diante de um dos maiores ciclos de descomissionamento de plataformas de petróleo de sua história. Segundo o Plano de Negócios 20262030 da Petrobras, a companhia prevê investir cerca de US$ 9,7 bilhões na retirada de equipamentos e no abandono de mais de 500 poços ao longo do quinquênio. As estimativas indicam que aproximadamente 60 plataformas deverão ser desativadas entre 2026 e 2030 e, até 2040, esse número pode ultrapassar 100 unidades reflexo do envelhecimento natural de um parque instalado que, em muitos casos, já opera há mais de 25 ou 30 anos. São estruturas concentradas sobretudo nas bacias de Campos, Santos e Sergipe-Alagoas, e que agora precisam ser desmontadas, transportadas e destinadas com segurança e responsabilidade ambiental.
- A Petrobras vai gastar quase 10 bilhões de dólares para desativar plataformas de petróleo.
- Cerca de 60 plataformas devem ser retiradas do mar entre 2026 e 2030.
- Mais de 500 poços de petróleo serão fechados e abandonados com segurança.
- As plataformas têm mais de 25 ou 30 anos de uso, o que aumenta os riscos.
- O processo de remoção é tão complexo quanto a instalação, mas com muito mais perigo.
Descomissionar uma plataforma de petróleo é, em termos práticos, realizar o processo inverso de sua instalação mas em condições bem mais adversas. Estruturas que foram projetadas para serem montadas uma única vez precisam agora ser seccionadas, içadas e removidas depois de décadas de exposição ao ambiente marinho. A Resolução ANP nº 817/2020 é a principal norma que regulamenta o processo no Brasil, exigindo que os operadores submetam seus Programas de Desativação de Instalações com pelo menos cinco anos de antecedência para campos offshore. A norma introduziu critérios de sustentabilidade no planejamento e estabeleceu parâmetros para a destinação de materiais, incluindo a possibilidade de reutilização e reciclagem de componentes, o que acrescenta camadas adicionais de planejamento logístico às operações de remoção.
A Petrobras anunciou, no início deste ano, a antecipação da retirada de unidades cujos cronogramas originais apontavam para anos seguintes, como a FPSO Cidade de Santos, inicialmente prevista para 2027. Na Bacia Sergipe-Alagoas, um programa que abrange 26 plataformas fixas em águas rasas e mais de 130 poços marítimos movimentará cerca de US$ 2,5 bilhões até 2035, segundo projeções da própria companhia. O campo de Guaricema, que operou por mais de 50 anos na costa sergipana, já iniciou o processo de desativação de poços com o uso de plataforma auto elevatória.
Complexidade operacional e os riscos para o içamento de cargas
Se a instalação de uma plataforma offshore já é uma operação de alta complexidade, sua remoção eleva os riscos a outro patamar. O primeiro desafio está na incerteza quanto ao peso real das estruturas a serem movimentadas. Ao longo de décadas de operação, plataformas acumulam incrustações marinhas, depósitos de sedimentos e modificações estruturais que alteram substancialmente o peso e o centro de gravidade originais. Relatórios técnicos internacionais apontam que a discrepância entre o peso estimado em projeto e o peso real no momento da remoção pode comprometer todo o planejamento de içamento, exigindo margens de segurança mais amplas nos equipamentos e acessórios de elevação.
A degradação dos materiais também apresenta desafios. Aço corroído, soldas fatigadas e concreto deteriorado tornam o corte e o rigging de estruturas em descomissionamento inerentemente mais arriscados do que o manuseio de componentes novos. Pontos de içamento que foram dimensionados para uma única operação de instalação, há 30 anos, podem não ser adequados para a operação de remoção. Em muitos casos, é necessário projetar e soldar novos pontos de fixação antes de iniciar a remoção, o que exige avaliação estrutural detalhada, frequentemente com apoio de veículos operados remotamente para inspeção de componentes submersos.
A movimentação de cargas em operações de descomissionamento também enfrenta restrições logísticas severas. O espaço disponível no convés de plataformas em processo de desativação é frequentemente limitado, o que dificulta o posicionamento de guindastes modulares e a montagem de aparelhos de içamento.
A chamada estratégia de "weight shedding", a remoção progressiva de módulos de produção para reduzir o peso total da estrutura até que ela fique dentro da capacidade dos navios de heavy lift, exige planejamento rigoroso da sequência de cortes e içamentos, com planos de rigging específicos para cada etapa. Componentes que pesam entre 10 e 40 toneladas precisam ser movimentados do convés principal para embarcações de apoio, em operações que demandam cabos de aço, lingas, manilhas e dispositivos de fixação com certificação atualizada e compatíveis com as condições de desgaste encontradas em campo.
Equipamentos, inspeção e capacitação técnica como eixos estratégicos
O volume de operações de içamento e movimentação de cargas envolvido no descomissionamento de dezenas de plataformas ao longo dos próximos anos coloca pressão direta sobre a cadeia de fornecimento de acessórios de elevação e amarração. Cabos de aço, lingas sintéticas e de cabo de aço, correntes de grau, manilhas, ganchos e olhais de carga são itens de consumo intensivo nessas operações e, diferentemente de canteiros de obras convencionais, o ambiente offshore impõe exigências de rastreabilidade, certificação e resistência à corrosão que restringem o uso de equipamentos genéricos. Cada acessório precisa ser especificado conforme as normas aplicáveis e submetido a inspeções periódicas que atestem sua integridade antes de cada operação.
A NR 34, que estabelece requisitos mínimos de segurança para atividades na indústria de construção e reparação naval, aplica-se diretamente às operações de descomissionamento e reforça a obrigatoriedade de planos de rigging detalhados, inspeção prévia de todos os equipamentos de movimentação de carga e capacitação específica dos profissionais envolvidos. Essa exigência ganha contornos ainda mais relevantes: profissionais que durante anos operaram na montagem e manutenção de plataformas precisam agora dominar procedimentos de desmonte que envolvem riscos distintos, como o comportamento imprevisível de estruturas parcialmente seccionadas e a manipulação de materiais contaminados por resíduos da operação de petróleo e gás.
Dados do Bureau of Safety and Environmental Enforcement, agência norte-americana que monitora a segurança em operações offshore, indicam a recorrência de incidentes envolvendo guindastes, rigging e manuseio de materiais durante atividades de descomissionamento, com registros frequentes de objetos soltos, falhas em lingas e cabos, e colisões de cargas com estruturas da plataforma. Esses registros reforçam que a inspeção técnica de acessórios de elevação e a engenharia de planos de içamento não são formalidades burocráticas, mas sim a primeira linha de defesa contra acidentes em um ambiente onde as margens de erro são mínimas.
Empresas do setor de rigging com experiência em engenharia de içamento, ensaios e inspeções têm, nesse cenário, um papel estratégico que vai além do fornecimento de produtos: envolve a entrega de soluções técnicas integradas, desde a especificação do acessório correto até o treinamento das equipes que vão operá-lo em condições reais de campo.
O descomissionamento de plataformas no Brasil não é mais uma perspectiva distante: é uma realidade operacional em curso, com cronogramas definidos, investimentos bilionários alocados e regulamentação consolidada. Para o segmento de movimentação de cargas pesadas e acessórios de elevação, a questão não é se a demanda virá, mas se a cadeia produtiva estará preparada para atendê-la com a competência técnica e a segurança que operações dessa magnitude exigem.
Sobre a Acro Cabos
Especialista em soluções para elevação, amarração e movimentação de cargas, a Acro Cabos de Aço atua no mercado há mais de 25 anos. A empresa é reconhecida pela excelência de seus produtos e serviços, que atendem às mais rígidas exigências do mercado com certificações que atestam seu compromisso com a segurança e a qualidade, entre elas a certificação DNV 2.7-1 Type Approval para conjuntos de elevação de contêineres offshore.

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