A Justiça aceitou a denúncia do Ministério Público de São Paulo e tornou réus a influenciadora Deolane Bezerra e o líder do PCC, Marcola, por lavagem de dinheiro e organização criminosa. Eles usaram uma transportadora para esconder o dinheiro do crime.
A 3ª Vara de Presidente Venceslau aceitou a denúncia do Ministério Público de São Paulo e tornou réus a influenciadora e advogada Deolane Bezerra e um dos líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC), Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola. Eles vão responder pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Além deles, outras três pessoas foram denunciadas pelos mesmos crimes: Paloma Sanches Herbas Camacho, Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho e Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior. O processo corre em segredo de Justiça.
- Deolane e Marcola são acusados de lavar dinheiro do PCC usando uma transportadora de fachada.
- A Justiça bloqueou bens de um dos suspeitos, que operava o esquema financeiro da facção.
- As investigações usaram mensagens de celular, relatórios do Coaf e documentos bancários para descobrir o crime.
- Deolane está presa em Tupi Paulista desde maio, e Marcola está em um presídio federal em Brasília.
- A defesa de Marcola nega as acusações, dizendo que ele está isolado e não poderia participar do esquema.
De acordo com a denúncia, dois dos denunciados exerciam funções de liderança do PCC, enquanto os demais atuaram em diferentes etapas da engrenagem financeira responsável pela ocultação e circulação do dinheiro.
Além de torná-los réus, a Justiça determinou o bloqueio de bens de um dos envolvidos, que é apontado como operador de um esquema que usou uma transportadora para dissimular e reinserir recursos ilícitos do PCC na economia formal.
As investigações identificaram o uso da transportadora como empresa de fachada para movimentar o dinheiro, além de depósitos fracionados, transferências por Pix, contas de terceiros e empresas de fachada para dificultar o rastreamento dos valores.
Segundo o Ministério Público, as investigações foram feitas com base em mensagens extraídas de celulares, relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), documentos bancários, comprovantes de depósitos e informações obtidas em operações anteriores.
Presos
Deolane foi presa em maio pela Operação Vérnix, que investiga lavagem de dinheiro para o PCC. Atualmente, ela está na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, a cerca de 667 km de São Paulo.
Segundo as investigações, a influenciadora recebia dinheiro de uma transportadora criada pelo PCC e fazia a lavagem do dinheiro da organização criminosa. Marcola está preso na Penitenciária Federal de Brasília.
Defesa nega
O advogado Bruno Ferullo, que defende Marcola e outros três suspeitos, negou as acusações. Ele disse que Marcola e Alejandro Juvenal estão presos em presídio federal de segurança máxima desde fevereiro de 2019, com restrições de contato e comunicação, o que torna impossível participar dos crimes.
Já Paloma e Leonardo, segundo a defesa, são parentes dos denunciados, mas isso não pode ser confundido com participação criminosa. A defesa promete mostrar que a acusação é frágil e que a verdade será reconhecida pela Justiça.
A Agência Brasil também procurou a defesa de Deolane Bezerra, mas não conseguiu contato e está aberta a acrescentar seu posicionamento.

Reuters/Leco Viana/Proibida reprodução


