Um ritual perigoso chamado 'vacina do sapo' usa o veneno de uma perereca gigante da Amazônia. Ele promete uma limpeza no corpo, mas já matou um coach e é proibido no Brasil. Mesmo assim, famosos como Orlando Bloom e Ferne McCann estão fazendo essa prática arriscada.
Um ritual perigoso de 'purificação' que viralizou nas redes sociais e já causou a morte de um coach no mês passado está sendo adotado por várias celebridades. Entre elas estão o ator Orlando Bloom, a estrela de reality Ferne McCann e o americano Will Smith. Até executivos de empresas de tecnologia nos Estados Unidos estão fazendo isso, na esperança de dar um 'reset' na mente e no corpo para lidar com o estresse.
A prática é chamada de 'vacina do sapo'. O veneno é retirado de uma perereca gigante da Amazônia, chamada kambô. O sapo é capturado, esticado e estressado até soltar uma substância tóxica pela pele. Essa substância é coletada, seca e depois usada no ritual.
- O veneno do sapo kambô é aplicado em feridas feitas na pele, como queimaduras superficiais, geralmente nos braços ou pernas.
- Depois de aplicado, o corpo reage de forma violenta: a pessoa vomita, sente tontura, desmaia e até defeca sem controle.
- Quem aplica o veneno não tem nenhum treinamento médico ou licença para isso, o que torna o procedimento muito arriscado.
- Não existe nenhuma prova científica de que o kambô realmente limpe ou cure o corpo de qualquer doença.
- A prática foi proibida no Brasil desde 2004 pela Anvisa, porque não há garantia de segurança e eficácia.
No ritual, os participantes têm queimaduras feitas na pele (geralmente nos braços ou pernas), muitas vezes em fileiras organizadas. Depois, um suposto xamã coloca a toxina diretamente nas feridas. Em poucos minutos, o corpo reage de forma violenta: as pessoas vomitam em baldes, ficam com o rosto inchado e se contorcendo de dor. Isso é vendido como uma 'purificação', mas não passa de uma reação tóxica perigosa.
Orlando Bloom, astro dos filmes 'O Senhor dos Anéis' e 'Piratas do Caribe', contou em uma entrevista que já passou por isso várias vezes. Ele disse que a experiência foi 'brutal' e que sofreu muito, mas que depois sentiu uma sensação de 'limpeza e abertura'.
O kambô voltou a ser notícia depois que o coach britânico Kristian Trend, de 40 anos, morreu durante uma cerimônia em um apartamento na Inglaterra. Ele já tinha vencido um câncer, mas não resistiu à reação violenta do veneno.
Um homem de 41 anos foi preso suspeito de ter aplicado o veneno, mas foi liberado sob fiança. A polícia ainda está investigando o caso. 'Essas pessoas não têm licença nem treinamento. Não existe nenhuma certificação legal que regulamente a prática. É muito difícil responsabilizar alguém se não há um padrão de cuidado estabelecido', explicou um advogado especializado em lesões corporais.
Kristian Trend não foi a única vítima. Acredita-se que pelo menos seis pessoas morreram no mundo após usar o kambô. Uma delas foi a cineasta mexicana Marcela Alcázar Rodríguez, de 33 anos, que morreu em dezembro de 2024. Logo depois de começar o ritual, ela teve vômitos violentos e diarreia severa, foi levada às pressas ao hospital, mas não resistiu.
Originalmente, o kambô é usado por tribos indígenas como os Katukina, Yawanawá e Kaxinawá. Na tradição deles, a substância serve para combater a 'panema', que é uma espécie de energia negativa ou má sorte, funcionando como um revigorante físico e espiritual. O ritual é feito por xamãs ou curandeiros, conhecidos como 'sapeiros' no norte do Brasil. O DJ brasileiro Alok, por exemplo, já participou do ritual durante imersões na Amazônia.
A prática foi proibida no Brasil em 2004 pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) porque não há comprovação de segurança ou eficácia. A proibição veio depois de muitas propagandas estarem promovendo o kambô sem falar dos riscos.
Mesmo assim, os riscos continuam sendo ignorados. Vários sites britânicos vendem bastões de kambô já com a toxina seca por cerca de R$ 440. As pessoas compram e aplicam em casa, colocando ainda mais suas vidas em perigo.

Orlando Bloom e Ferne McCann: adeptos do kambô




