Mais de 100 tipos de pássaros voltam ao Pantanal entre maio e setembro. Eles vêm de lugares distantes, como Canadá e Estados Unidos, para aproveitar a seca, quando os peixes ficam mais fáceis de encontrar em lagoas e rios. A chegada dessas aves mostra como é importante proteger o Pantanal para que elas possam viver e se reproduzir em segurança.
Com a chegada da seca no Pantanal, a paisagem muda e o céu também. Entre maio e setembro, enquanto lagoas, baías, corixos e rios começam a baixar, milhares de aves aparecem na região em busca de alimento, abrigo e locais seguros para se reproduzir.
- De onde elas vêm: Algumas aves vêm de perto, outras viajam de países distantes como Canadá e Estados Unidos.
- Por que no Pantanal Na seca, a água baixa e os peixes ficam concentrados, virando um banquete fácil para as aves.
- Mais de 100 espécies: Já foram encontradas 99 espécies de aves migratórias na região da RPPN Sesc Pantanal.
- Elas voltam todo ano: As aves seguem um ciclo natural e retornam sempre na mesma época, acompanhando a seca.
- Importante para o meio ambiente: A presença dessas aves mostra que o Pantanal está saudável e precisa ser protegido.
A movimentação chama atenção de quem passa pelo bioma. Alguns pássaros chegam de regiões próximas, outras cruzam países e até continentes antes de pousar no Pantanal. É o caso do maçarico-de-perna-amarela, que vem do Canadá e dos Estados Unidos, e da águia-pescadora, também migrante da América do Norte.
Como funciona a migração
Segundo o geógrafo e monitor ambiental Antônio Coelho, que acompanha a movimentação das aves no Pantanal, esse deslocamento faz parte de um instinto construído ao longo de milhões de anos. As migratórias seguem ciclos bem definidos e se movem conforme encontram melhores condições de alimentação e reprodução.
Na seca, a água mais baixa concentra peixes em lagoas e cursos d'água, criando um verdadeiro banquete para espécies como o colhereiro e o cabeça-seca. Já nas margens dos rios, os bancos de areia que surgem nesse período atraem as chamadas aves de praia, como o talha-mar, também conhecido como taiamã, o corta-água e a gaivotinha.
Esses pássaros dependem das praias formadas às margens dos rios para se reproduzir. Sem esse ambiente, o ciclo natural delas pode ser comprometido. Por isso, a chegada e a permanência dessas espécies também revelam muito sobre a saúde do Pantanal e a importância da conservação do bioma.
Migração também acontece na chuva
Mas a migração não acontece apenas na seca. Durante o período chuvoso, de outubro a abril, o Pantanal também recebe espécies que aproveitam a fartura de insetos, plantas e áreas de reprodução. Nessa época, revoadas atraem espécies como andorinhas, tesourinhas e aves de rapina, entre elas o gavião-tesoura, o gavião-sauveiro, o gavião-do-mississipi e o corucão.
De acordo com Antônio Coelho, nem todas as rotas migratórias são totalmente conhecidas. Ainda assim, o comportamento das aves se repete ano após ano: elas aparecem e desaparecem em períodos parecidos, acompanhando as mudanças do clima, da água e da oferta de alimento.
Pesquisa e conservação
Ao todo, 99 espécies migratórias já foram identificadas na RPPN Sesc Pantanal. O dado foi divulgado durante a Conferência das Nações Unidas sobre Espécies Migratórias de Animais Silvestres, a COP15. Muitas delas são parcialmente migratórias, ou seja, enquanto algumas populações permanecem na região, outras se deslocam conforme as condições ambientais.
O Pantanal também aparece no guia 'Aves migratórias ocorrentes no Pantanal: diversidade, rotas e conservação' como uma área essencial para essas espécies em escala continental. A publicação destaca o bioma como um ponto estratégico para alimentação, descanso e reprodução ao longo do ciclo anual das aves.

Talha-mar ou corta-água é da família Laridae, ordem Charadriiformes. Foto: Carol Brenk



