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06 de junho de 2026

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Fênix: empresa goiana que ajuda produtores a comprar e vender agora também quer vender e dar crédito

Geral Agro 19/05/2026 08:40 Gustavo Lustosa agfeed.com.br

A Fênix Gerenciamento Agrícola, que começou ajudando produtores a comprar insumos juntos, hoje movimenta R$ 3,2 bilhões e atende mais de 1 milhão de hectares. Agora, a empresa está entrando nos seguros, na venda de grãos e no mercado financeiro, querendo mostrar para os investidores de São Paulo como é o verdadeiro agro brasileiro.

Um modelo de negócio que mistura conceitos de grupo de compras, trading, gestão de risco, consultoria e corretagem. Tudo isso com um ar de cooperativismo.

Parece complicado, mas é assim que a Fênix Gerenciamento Agrícola funciona. A empresa foi criada há mais de 20 anos no agro brasileiro.

Criada em 2004 por Wilson Andreassi Filho, em Jataí (GO), a empresa começou como um grupo para comprar fertilizantes e defensivos juntos. Hoje, ela atua como um braço comercial de centenas de produtores rurais espalhados pelo Brasil.

  • A Fênix movimentou R$ 3,2 bilhões na safra 2025/2026, comprando insumos para os produtores.
  • A empresa atende 330 famílias de agricultoras que cultivam mais de 1,1 milhão de hectares em 11 estados.
  • Eles compram desde fertilizantes e defensivos até combustível e cavaco de madeira para secadores.
  • O negócio começou desconfiado pelas indústrias e revendas, mas hoje é um dos maiores compradores do país.
  • As novas áreas devedoras dos clientes da Fênix é muito baixa, de apenas 1%, mesmo com a crise no campo.

E, dessa forma, se tornou uma das maiores compradoras de insumos agrícolas do Brasil, com poder de negociação respeitado pelas indústrias. E com planos de levar essa presença a outros mercados.

A operação envolve a negociação e compra de insumos para a produção: além de fertilizantes e defensivos, sementes, especialidades, biológicos e corretivos de solo, até combustíveis. Agora, dá seus primeiros passos no mundo dos seguros, na venda de commodities e também no mercado financeiro.

Na safra 2025/2026, a companhia movimentou R$ 3,2 bilhões em compras para os clientes. São 330 famílias atendidas presentes em 11 estados, que, juntas, somam 1,13 milhão de hectares. A produção é majoritariamente de soja e milho, mas também há plantações de algodão, sorgo, tomate, arroz, feijão, gergelim, mamona, eucalipto e até seringueiras.

A área média do produtor atendido é de 2,5 mil hectares, com casos que ultrapassam 15 mil hectares e outros com menos de mil hectares.

O produtor tem que cuidar do plantio, colheita, manejo, financeiro, máquinas, RH. E nós, da Fênix, somos especializados em comprar - e agora vender - e buscar soluções, afirmou ao AgFeed Rodrigo Brandão, vice-presidente e sócio da companhia.

Brandão e Andreassi conversaram com a reportagem na semana passada, durante uma passagem dos sócios por São Paulo. A visita à capital paulista e do capital financeiro tinha o objetivo de estreitar a relação com esse universo.

O movimento de estruturar operações ligadas a crédito e mercado financeiro começou recentemente e, na visão dos executivos, repete o mesmo processo de convencimento vivido duas décadas atrás junto às indústrias.

A ideia é trazer o mercado financeiro para acessar esse cliente de forma direta também. E isso está em construção, disse Brandão.

Hoje, a inadimplência da carteira gira em torno de 1%, mesmo em meio ao aumento das recuperações judiciais no agronegócio.

Há três anos atrás a inadimplência dos nossos clientes para o mercado era zero. Hoje não é mais zero pelos problemas de crédito e RJs, mas ainda gira em torno de 1%, afirmou Andreassi.

O que a Fênix quer da Faria Lima

Na avaliação deles, existe um desencontro entre o mercado financeiro e perfil real do produtor médio brasileiro. Os fundos não conhecem o agro. Estamos mostrando para eles o que é o verdadeiro agro, continuou o CEO.Perguntado sobre como será a relação com a Faria Lima na prática, Andreassi cita que a ideia é ter solução para todos os braços, tanto na compra quanto na venda ou nos seguros, mas o modelo final ainda é incerto.Segundo ele, a Faria Lima não conhece o agro real pois é blindada pelo mercado. Ela conhece as grandes empresas ou as redes de distribuição, em que a maioria entrou em recuperação judicial.Brandão complementa dizendo que a intenção é aproximar investidores de um perfil de produtor já conhecido por sempre pagar suas dívidas.Queremos mostrar: 'olha, esses são meus clientes, são pessoas que compram, pagam e investem nos próprios negócios, afirmou.

Como a Fênix começou

A empresa nasceu em Mineiros (GO), depois que Andreassi participou de uma palestra do Sebrae sobre gerenciamento de compras. Na época, ele, que já foi representante técnico de vendas de multinacional e gerente de revendas agrícolas, acompanhava de perto o surgimento dos primeiros grupos de compra no país.Eu vi quase todos os grupos de compra nascerem. E vi todos terminarem, disse. A percepção dele é que muitos desses modelos fracassavam porque se limitavam apenas à negociação de preço. A ideia da Fênix seria diferente: criar uma estrutura permanente de gestão comercial e inteligência de mercado para produtores rurais.

De grão em grão: o crescimento lento

No começo, o projeto andou devagar. Andreassi conta que, nos primeiros 10 anos, a área atendida pela Fênix ficou entre 10 mil e 20 mil hectares. Segundo Brandão, que entrou no ano seguinte à fundação, havia resistência de praticamente todos os lados.Tivemos que quebrar muitos paradigmas. O produtor estava saindo de um modelo tradicional de compras nas revendas para começar a acessar o mercado diretamente. Mas quem conseguia isso eram alguns grandes grupos no Mato Grosso. Vender esse conceito de unir produtores para comprar direto, 22 anos atrás, não era fácil, tivemos que convencer muitos produtores, disse.Havia uma desconfiança tanto das revendas quanto das indústrias. As indústrias achavam que podíamos bagunçar a relação deles com os distribuidores. E as revendas nos enxergaram de forma péssima, por unir produtores para comprar direto e tirar o acesso local deles, prosseguiu o vice-presidente.Além disso, nem a cadeia logística estava preparada para esse modelo, ele cita. Porém, ao longo dos anos, a Fênix começou a crescer justamente resolvendo problemas operacionais do produtor rural.Segundo os executivos, a empresa deixou de atuar na negociação de fertilizantes e defensivos para assumir praticamente toda a gestão comercial ligada à operação agrícola.Hoje, a companhia negocia sementes, corretivos, nutrição foliar, biológicos, combustíveis, graxas, lubrificantes, lonas, silo-silos e até cavaco de madeira para secadores.Tudo que fizemos na Fênix foi construído. Não seguimos uma receita, afirmou Andreassi. Ele conta que muitas das novas áreas surgiram por demanda direta dos próprios clientes. Outro dia, um produtor disse que precisava de cavaco para um secador no armazém. Aí nós fomos buscar uma solução e passamos a comprar cavaco, exemplificou.A lógica da companhia é simples: se aquilo representa tempo e esforço operacional para o produtor, faz sentido centralizar dentro da estrutura da Fênix.O custo do cavaco, por exemplo, não representa nada, mas meu cliente vai ter que parar para comprar. O que custa a gente comprar para ele, questionou.

Inteligência de mercado

Foi com essa lógica que a empresa passou a estruturar outros braços para além de trazer novos produtos para o portfólio de compra. Os mais recentes são o segmento de seguros rurais e a comercialização de grãos.Criamos um braço de seguros por uma demanda dos clientes. Veio deles a ideia de se juntar para comprar seguro, algo que muitos não faziam pelo preço, afirmou Andreassi.A empresa afirma não trabalhar como um grupo de compras tradicional, em que todos os produtores precisam tomar a mesma decisão ao mesmo tempo. Dentre os 120 funcionários da Fênix, a companhia possui uma equipe de inteligência de mercado que acompanha diariamente preços globais de fertilizantes, defensivos e commodities agrícolas.Enquanto o produtor está focado na operação da fazenda, a equipe da Fênix monitora fatores como demanda da Índia, exportações globais, produção internacional e movimentos geopolíticos.Pelo menos um ano e dois meses antes de ele usar ... já olhamos o mercado, afirmou Brandão. Trazendo essa lógica para o mundo real, o CEO, ele citou que a companhia começou a analisar a compra de fertilizantes da safra 2026/2027 em agosto do ano passado e tomou decisões importantes em outubro.Chegamos a comprar fertilizantes no ano passado e outra em fevereiro. Dez dias depois estourou uma guerra, afirmou.A Fênix também cuida de toda a operação logística dessas compras. A companhia tem atuado junto à Luft Logistics na coordenação dos fretes e da entrega dos produtos nas fazendas.Nosso serviço acaba quando tudo está entregue na fazenda, no momento certo da utilização, e ele paga o fornecedor, resumiu Brandão.Na venda de grãos, a lógica é a mesma. A empresa não se posiciona como uma trading, mas diz que, juntando os produtores, teria a força de uma. A produção de soja e milho dos clientes consegue encher 80 navios do tipo Panamax.Assim como no seguro, a empresa afirma que não atua como corretora tradicional com foco em margem ou especulação. O objetivo é ajudar o produtor a vender seus grãos no melhor momento.Não somos corretores, não queremos que ele venda para eu ganhar em cima. E também não quero que o cliente pense que vai entrar no mercado para especular, mas sim para se proteger, afirmou Andreassi.A base de clientes da empresa cresceu de forma orgânica, sempre por indicação. O produtor que entra na carteira passa por uma seleção da companhia.Quase todos os novos clientes chegam apresentados por produtores já atendidos pela companhia. Um outro produtor, vizinho, amigo, parente, diz. Para atender a base, o esquema é similar aos bancos, com um gerente de conta atendendo e recebendo as demandas do produtor.Perguntados sobre a perspectiva de crescimento para a próxima safra, os executivos responderam que a percepção pode ser interpretada de forma errada. Se a empresa comprar o mesmo volume ou até mais quantidade de produtos e desembolsar, por exemplo, R$ 2,8 bilhões, o resultado será mais favorável, pois mostra que a condição de negociação de compra foi melhor.É só pegar o exemplo do fósforo, do super simples. Hoje você encontra por US$ 500 no mercado, sendo que nós compramos algumas partidas bem abaixo disso, disse o CEO.