O ministro Flávio Dino, do STF, mandou investigar se deputados usaram dinheiro de emendas parlamentares para financiar um filme sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. A suspeita é que os recursos foram enviados para ONGs ligadas à produtora do filme, o que pode ser considerado desvio de finalidade. A investigação será secreta.
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta sexta-feira (15) a abertura de uma investigação preliminar para apurar o envio de emendas parlamentares para organizações não-governamentais (ONGs) ligadas à produtora responsável pelas gravações da cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A apuração vai tramitar de forma sigilosa.
- Flávio Dino, do STF, mandou investigar o caso em segredo de Justiça
- Deputados do PL são suspeitos de enviar dinheiro público para ONGs ligadas ao filme
- O filme 'Dark Horse' ainda não foi lançado e conta a história política de Bolsonaro
- Um dos deputados, Mário Frias, não foi encontrado pela Justiça para dar explicações
- O senador Flávio Bolsonaro também é investigado por pedir dinheiro a um banqueiro para o filme
Entenda o caso
Em abril deste ano, a deputada Tabata Amaral (PSB-SP) pediu ao Supremo que investigasse o envio de dinheiro de emendas parlamentares para essas entidades. Segundo ela, isso poderia ser um desvio de finalidade, ou seja, usar o dinheiro público para algo que não era o objetivo da lei.
Depois, o deputado Pastor Henrique Vieira (PSOL-RJ) também fez a mesma denúncia.
Quem são os suspeitos
De acordo com os parlamentares, os deputados Marcos Pollon (PL-MS), Mário Frias (PL-SP) e Bia Kicis (PL-SP) enviaram dinheiro de emendas para o Instituto Conhecer Brasil e para a Academia Nacional de Cultura.
Essas duas entidades fazem parte do mesmo grupo de ONGs e são ligadas à produtora de filmes Go Up Entertainment. Essa produtora é a responsável pelas gravações do filme 'Dark Horse', que ainda não foi lançado e conta a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O que dizem os deputados
Depois de receber a denúncia, o ministro Flávio Dino mandou notificar os deputados para que eles explicassem o destino do dinheiro das emendas. Marcos Pollon e Bia Kicis disseram que não enviaram dinheiro diretamente para a produtora do filme.
Já Mário Frias deveria ser notificado, mas a Justiça não conseguiu encontrá-lo. Por isso, Dino pediu que a Câmara dos Deputados informe os endereços residenciais do parlamentar em São Paulo e em Brasília.
Mário Frias enviou R$ 2 milhões para o Instituto Conhecer Brasil. Essas transferências aconteceram em 2024 e 2025.
Outras suspeitas
Nesta semana, o site The Intercept revelou que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro para ajudar a pagar as gravações do filme sobre a vida política de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Depois que a conversa entre Flávio e Vorcaro veio a público, o senador negou ter combinado qualquer vantagem indevida com o banqueiro. Ele disse que os recursos eram privados, ou seja, não eram dinheiro público.

© Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil


