21 de maio de 2026

?? ºC São Paulo - SP
?? ºC Salvador - BA

Desmatamento da Mata Atlântica cai 28% em um ano

Geral Desmatamento 14/05/2026 16:10 Camila Boehm agenciabrasil.ebc.com.br

O desmatamento na Mata Atlântica caiu 28% em 2025, chegando ao menor nível da história. Em florestas maduras, a queda foi de 40%. Apesar da melhora, quatro estados ainda concentram 89% da destruição, e especialistas alertam para leis que podem atrapalhar a proteção da floresta.

A área de desmatamento na Mata Atlântica registrou queda de 28% em 2025, na comparação com os monitoramentos realizados em 2024, passando de 53.303 hectares (ha) em 2024 para 38.385 hectares (ha) em 2025.

Este é o menor nível da série histórica e confirma a trajetória de desaceleração no desmatamento do bioma, segundo avaliação da Fundação SOS Mata Atlântica.

  • A área desmatada em 2025 foi a menor já registrada, desde que o monitoramento começou.
  • Em florestas maduras, a queda foi ainda maior: 40%.
  • Bahia, Minas Gerais, Piauí e Mato Grosso do Sul concentram 89% do desmatamento em 2025.
  • Quase todo o desmatamento (96%) foi para virar pasto ou plantação, muitas vezes de forma ilegal.
  • Especialistas alertam que novas leis podem enfraquecer a proteção da floresta.

A entidade divulgou nesta quarta-feira (13) os resultados do Sistema de Alertas de Desmatamento (SAD) Mata Atlântica, que realiza em parceria com a MapBiomas e Arcplan, desde 2022.

De acordo com o SAD, houve redução das derrubadas em 11 dos 17 estados do bioma, com destaque para Bahia e Piauí. No entanto, ambos ainda aparecem entre os maiores responsáveis pela perda florestal em 2025: Bahia (17.635 ha), Minas Gerais (10.228 ha), Piauí (4.389 ha) e Mato Grosso do Sul (1.962 ha). Esses quatro estados concentraram 89% da área total desmatada.

Nos demais estados, as perdas ficaram abaixo de 1 mil hectares:

"Quase toda a destruição registrada pelo sistema (96%) foi convertida para uso agropecuário, grande parte com indício de ilegalidade", destacou a SOS Mata Atlântica.

Atlas

Já o Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica indicou a mesma tendência, com um dado ainda mais expressivo: houve redução de 40% no desmatamento, que passou de 14.366 ha em 2024 para 8.668 ha em 2025.

O Atlas é realizado em parceria da Fundação SOS Mata Atlântica com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que desde 1985 monitora os grandes fragmentos de florestas maduras do bioma. Em 40 anos de monitoramento, a entidade informou que esta é a primeira vez que o desmatamento anual ficou abaixo de 10 mil hectares.

De acordo com a SOS Mata Atlântica, os resultados refletem ações como pressão pública, mobilização da sociedade, políticas ambientais e fiscalização.

Entre elas, estão a Operação Mata Atlântica em Pé, a aplicação de embargos remotos e a restrição de crédito a áreas desmatadas ilegalmente, além da afirmação da Lei da Mata Atlântica como principal instrumento de proteção da vegetação nativa do bioma.

Risco concreto

Apesar da queda anual de área desmatada, Luis Fernando Guedes Pinto, diretor executivo da SOS Mata Atlântica, alerta para a necessidade de manter a vigilância sobre o bioma:

"O desmatamento continua acontecendo e, na Mata Atlântica, cada fragmento perdido faz diferença. O desafio é manter essa trajetória até zerarmos o desmatamento."

Ele apontou que há um risco concreto ao bioma em discussão no âmbito do Legislativo. Isso porque, em 2025, o Congresso Nacional aprovou a Lei Geral do Licenciamento Ambiental e a Lei da Licença Ambiental Especial.

A SOS Mata Atlântica avalia que essas leis enfraquecem mecanismos de controle do desmatamento justamente quando eles demonstram resultados concretos:

"É uma distorção que leva o Brasil na contramão do Acordo de Paris e potencializa tragédias climáticas. Os números apontam que o desmatamento cai quando a lei é aplicada com rigor e critérios técnicos. Enfraquecer os instrumentos de proteção agora é arriscar o que levamos anos construindo", disse Malu Ribeiro, diretora de políticas públicas da SOS Mata Atlântica.