A empresa FriGol, que processa carne bovina, teve um lucro de R$ 11,1 milhões nos primeiros meses de 2026. Ela começou a vender carne para os Estados Unidos e acha que o ano vai ser bom, com mais produção e vendas.
Luciano Pascon, chefe da FriGol, uma das maiores empresas de carne bovina do Brasil, está feliz com os resultados do começo de 2026.
A empresa teve bons resultados nos primeiros três meses de 2026, mesmo com desafios como a alta do preço do gado (que chegou a R$ 350 a arroba) e mudanças no mercado da China.
- Lucro cresceu muito: foi de R$ 1 milhão para R$ 11,1 milhões em um ano.
- Começou a vender carne para os Estados Unidos em abril de 2026.
- O mercado interno (Brasil) virou o principal, com 54% das vendas.
- A empresa fez uma parceria com o frigorífico DistriBoi para exportar.
- Conseguiu R$ 250 milhões em novos investimentos com a venda de títulos.
Segundo Pascon, a empresa cresceu mesmo com as dificuldades do setor, mostrando que a estratégia de trabalho e o controle do dinheiro estão dando certo.
O lucro líquido da FriGol foi de R$ 11,1 milhões de janeiro a março, muito maior que o lucro de apenas R$ 1 milhão do mesmo período do ano passado. O Ebitda, que mostra o lucro antes de algumas despesas, foi de R$ 33,3 milhões, um aumento de 242%.
A receita bruta foi de R$ 1,05 bilhão, 3,2% a mais que no começo de 2025. A empresa abateu 136.604 bois, uma queda de 14% por causa da dificuldade de encontrar gado no Brasil. A receita líquida foi de R$ 999,2 milhões.
Mudança nas vendas
No começo de 2026, as vendas mudaram. Antes, mais da metade (51%) da receita vinha de fora do Brasil. Agora, o mercado interno (Brasil) representa 54% da receita, e as exportações caíram para 46%.
No Brasil, a empresa focou em vender produtos de maior valor, como as linhas Chef, Angus, BBQ Secrets e Açougue Completo, que tiveram alta de 13% nas vendas. A empresa também abriu duas lojas do projeto Açougue Completo FriGol no Atacadão em São Paulo e mais seis açougues no Ceará.
Nas vendas para fora, a China continuou sendo o principal destino, com 64,8% da receita de exportação. Mas, por causa de um limite de 1,1 milhão de toneladas imposto pelo país, o volume exportado foi menor, compensado em parte pelo aumento dos preços. Além da China, a FriGol também vende para Israel (10,3%), Hong Kong (4,3%) e Europa (3,2%).
A empresa diversificou as vendas para outros mercados, que passaram de 13% da receita em 2025 para 17,4% em 2026.
Novos mercados e parcerias
O chefe da empresa, Luciano Pascon, e o diretor de exportação, Rogério Bonato, foram para os Estados Unidos e Canadá conversar com clientes e buscar novos negócios.
A FriGol não podia vender carne para os Estados Unidos até abril de 2026. Agora, fez um acordo com o frigorífico DistriBoi, que tem duas unidades em Rondônia (Ji-Paraná e Rolim de Moura). A FriGol compra os bois e vende a carne, e a DistriBoi faz o abate e o processamento.
Antes, a empresa já tinha feito um acordo parecido com o frigorífico RioBeef, também em Ji-Paraná. O objetivo é exportar para Canadá, Chile e Estados Unidos.
Investimentos e dinheiro em caixa
A FriGol também conseguiu dinheiro no mercado de capitais. Em março, fez sua quarta emissão de CRAs (títulos de dívida) e captou R$ 250 milhões, o maior valor já conseguido pela empresa. O Bradesco BBI e o BTG Pactual ajudaram na operação.
O diretor financeiro, Carlos Corrêa, disse que a empresa busca ter uma dívida mais barata para crescer de forma sustentável.
A FriGol terminou o trimestre com R$ 415,4 milhões em caixa, 80% a mais que no mesmo período de 2025. A alavancagem (dívida em relação ao lucro) caiu de 2,1 vezes para 1,7 vezes.
Luciano Pascon disse que a empresa está muito otimista e projeta um aumento grande na produção e no faturamento, querendo ficar entre os quatro maiores frigoríficos do Brasil.
Em 2025, o lucro da empresa foi de R$ 156,7 milhões, 28% menor que em 2024, por causa de efeitos fiscais.
A FriGol foi criada em 1992 pela família Gonzaga Oliveira, que trabalha com carnes desde 1970. A empresa tem três unidades próprias (em Lençóis Paulista-SP, Água Azul do Norte-PA e São Félix do Xingu-PA) e as parcerias em Rondônia.

Luciano Pascon, CEO da FriGol


