01 de outubro de 2026

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Beach tennis cresce, mas quase metade dos praticantes já sofreu lesão

Esportes Beach Tennis 01/10/2026 15:40 Redação Brasília DF

O beach tennis ultrapassa 1 milhão de praticantes no Brasil, mas estudos apontam que 48,8% já tiveram lesões. Especialistas alertam sobre o risco de treinar intensamente apenas no fim de semana e dão dicas de prevenção para ombros, joelhos e coluna.

O beach tennis já passa de 1,1 milhão de praticantes no Brasil. No entanto, quase metade deles já sofreu alguma lesão por falta de preparo físico ou excesso de jogos no fim de semana. Este crescimento rápido trouxe desafios para a saúde dos atletas amadores.

A modalidade consolidou o país como uma das maiores potências mundiais do esporte. Com mais de 1 milhão de praticantes, o beach tennis conquista diferentes gerações, mas exige atenção redobrada para prevenir lesões em ombros, joelhos e coluna.

  • O número de praticantes no Brasil saltou de 400 mil em 2021 para 1,1 milhão em 2023.
  • 48,8% dos praticantes já sofreram lesões relacionadas ao esporte.
  • A maioria das lesões ocorre em ombros, joelhos e coluna vertebral.
  • O esporte é um forte candidato a receber a Copa do Mundo em Brasília em 2026.
  • Especialistas recomendam aquecimento e fortalecimento muscular para evitar danos.

Crescimento do esporte e alerta médico

O beach tennis vive um dos momentos mais expressivos de sua história no Brasil. Segundo estimativas da Confederação Brasileira de Tênis (CBT), o número de praticantes passou de 400 mil, em 2021, para cerca de 1,1 milhão em 2023. Esse crescimento ganha ainda mais relevância em 2026, com a realização da Copa do Mundo de Beach Tennis, organizada pela Federação Internacional de Tênis (ITF), marcada para dezembro, em Brasília.

Parte desse sucesso está na combinação de exercício físico, socialização e facilidade de aprendizado. No entanto, o entusiasmo de quem descobre a modalidade nem sempre é acompanhado pelo preparo físico necessário. O resultado é um aumento expressivo das lesões musculoesqueléticas observadas nos consultórios de ortopedia e medicina esportiva.

Um estudo publicado na Revista Brasileira de Ortopedia (RBO) identificou que 48,8% dos praticantes avaliados já haviam sofrido algum tipo de lesão relacionada ao beach tennis. As áreas mais atingidas são joelhos, ombros, cotovelos e coluna vertebral.

Benefícios para a saúde e o papel da areia

Os benefícios do beach tennis são amplamente reconhecidos por especialistas. Por reunir exercícios aeróbicos, deslocamentos rápidos e movimentos que exigem coordenação motora, a modalidade melhora o condicionamento cardiorrespiratório, o equilíbrio, a agilidade e a resistência muscular.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que adultos pratiquem entre 150 e 300 minutos semanais de atividade física moderada. Essa meta ajuda a reduzir o risco de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, obesidade e alguns tipos de câncer. Nesse contexto, o beach tennis pode contribuir significativamente para que essa meta seja atingida.

Além disso, o American College of Sports Medicine (ACSM) destaca que esportes que combinam exercícios aeróbicos e fortalecimento muscular favorecem a manutenção da massa magra. Essa prática melhora a capacidade funcional e ajuda na prevenção da perda de massa óssea ao longo do envelhecimento.

Outro diferencial da modalidade é a prática sobre a areia. Embora esse tipo de piso exija maior esforço muscular durante os deslocamentos, ele absorve parte do impacto gerado nas passadas. Isso reduz a carga transmitida às articulações em comparação com superfícies rígidas.

O erro de treinar apenas no fim de semana

Apesar dos diversos benefícios, especialistas da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte (SBMEE) alertam que a forma como muitos brasileiros têm aderido ao esporte preocupa. É comum encontrar praticantes que passam toda a semana sedentários e concentram três ou quatro horas de partidas consecutivas durante o fim de semana.

Essa mudança brusca na carga de exercício aumenta significativamente o risco de lesões por sobrecarga. Segundo a SBMEE, a progressão gradual da intensidade dos treinos é uma das principais estratégias para reduzir lesões esportivas. Isso significa aumentar a frequência e duração das partidas aos poucos, respeitando períodos de recuperação.

Outro erro frequente é acreditar que disputar diversas partidas consecutivas acelera a evolução técnica. Na prática, ocorre justamente o contrário. À medida que a fadiga muscular aumenta, o controle dos movimentos diminui, favorecendo erros biomecânicos e sobrecarga nas articulações.

Principais lesões: ombros, cotovelos e joelhos

O beach tennis exige movimentos repetitivos acima da cabeça durante o saque e as rebatidas. Esse padrão biomecânico sobrecarrega principalmente a articulação do ombro. De acordo com a Revista Brasileira de Ortopedia, lesões do manguito rotador, tendinites e bursites estão entre as alterações mais frequentes observadas em esportes de raquete.

Os cotovelos também merecem atenção. A repetição constante das rebatidas pode desencadear quadros semelhantes à epicondilite lateral, conhecida popularmente como "cotovelo de tenista". A condição é caracterizada por dor na parte externa da articulação e perda de força para realizar movimentos simples.

Já os joelhos sofrem com as mudanças bruscas de direção, arrancadas e desacelerações realizadas sobre a areia. Embora o piso reduza parte do impacto, ele exige maior trabalho da musculatura estabilizadora, especialmente quando o praticante ainda não possui condicionamento adequado.

Sempre que houver dor persistente nas articulações, dificuldade para movimentar o membro ou limitação das atividades diárias, a orientação é consultar um ortopedista. O diagnóstico precoce permite identificar tendinites, lesões ligamentares e alterações articulares antes que evoluam para quadros mais graves.

Riscos para a coluna lombar

Apesar de muitas pessoas associarem o beach tennis apenas às lesões dos membros superiores, a coluna lombar também merece atenção. Segundo a Sociedade Brasileira de Coluna (SBC), a maioria das dores lombares relacionadas ao esporte melhora com repouso relativo, fortalecimento muscular e reabilitação fisioterápica. Entretanto, alguns sintomas indicam a necessidade de investigação especializada.

Quando a dor lombar passa a irradiar para uma ou ambas as pernas e vem acompanhada de formigamento, perda de sensibilidade ou diminuição da força muscular, torna-se importante buscar o diagnóstico do neurocirurgião geral. Esses sinais podem indicar compressão de raízes nervosas provocadas por hérnias de disco ou outras alterações da coluna vertebral.

O diagnóstico especializado permite diferenciar uma dor muscular simples de doenças que exigem tratamento específico, evitando complicações neurológicas e favorecendo uma recuperação mais rápida.

Como prevenir lesões com hábitos saudáveis

A boa notícia é que grande parte das lesões pode ser evitada com medidas simples. Especialistas da SBMEE recomendam realizar um aquecimento de 10 a 15 minutos antes das partidas. Esse aquecimento deve incluir caminhada leve, mobilidade articular e exercícios específicos para ombros, quadris e tornozelos.

Outro cuidado indispensável é investir no fortalecimento muscular fora das quadras. Exercícios voltados para membros inferiores, região abdominal, coluna e cintura escapular aumentam a estabilidade das articulações e melhoram a eficiência dos movimentos durante o jogo.

A hidratação também influencia diretamente o desempenho. Conforme orientações da SBMEE, a prática esportiva em ambientes quentes favorece perdas importantes de água e eletrólitos. Isso aumenta o risco de fadiga muscular e reduz a capacidade de resposta do organismo.

A entidade também reforça a importância de respeitar os sinais do corpo. Dor persistente não deve ser encarada como parte natural da evolução esportiva. Interromper a atividade diante de sintomas importantes e procurar avaliação médica permite tratar precocemente pequenas lesões antes que elas se tornem problemas crônicos.

Por fim, respeitar os períodos de recuperação, evitar o excesso de partidas em um único fim de semana, fortalecer a musculatura e procurar assistência especializada diante de dores persistentes são atitudes que fazem a diferença na longevidade do atleta.