Empresa catarinense Diklatex desenvolve os tecidos das novas uniformes do clube argentino e do Verdão, unindo tradição e alta performance para o futebol sul-americano.
O futebol sul-americano ganhou novas camisas carregadas de história e tecnologia. Além da tradição dos clubes, os uniformes do Club Atlético Independiente, da Argentina, e do Palmeiras, do Brasil, compartilham um detalhe crucial: a engenharia têxtil foi desenvolvida em Joinville, no norte de Santa Catarina, pela empresa Diklatex. As peças chegam ao mercado num momento em que os dois clubes revisitam suas identidades para projetar novos capítulos de suas trajetórias.
No caso do Independiente, tanto a camisa titular vermelha quanto a branca, apresentada recentemente, utilizam o tecido Jacquard produzido pela Diklatex. O conceito designado como Forjada en el Infierno traz um padrão inspirado no fogo, remetendo ao Diablo, símbolo histórico do clube. Essa escolha visual traduz a paixão, o caráter e a mística que fazem parte da identidade da instituição avellenquense.
Contrato recorde e raízes italianas
A nova fase do Independiente também inclui uma dimensão comercial significativa. O clube renovou sua parceria com a PUMA até 2031, num acordo classificado pela própria gestão como o maior contrato de patrocínio técnico de sua história. O vínculo prevê bônus de assinatura de US$ 2,5 milhões, mais US$ 1 milhão por ano entre valor mínimo garantido e royalties. Também são incluídos 24 mil peças sem custo por ano e royalties de 6% sobre as vendas líquidas, com projeção conservadora de US$ 31,4 milhões para o período total.
- O novo vínculo com a PUMA vale até 2031 e é o maior patrocínio da história do Independiente.
- A camisa do Palmeiras é feita em 100% poliéster reciclado, usando tecnologia dry CELL para absorver suor.
- A Diklatex tem mais de 45 anos de mercado e atende mais de 100 marcas no Brasil e no exterior.
- Os tecidos foram usados em seleções de Argentina e Colômbia, além de clubes como Boca Juniors e River Plate.
- A empresa catarinense é a responsável pela tecnologia têxtil comum aos uniformes de ambos os gigantes sul-americanos.
No Brasil, o Palmeiras apresentou em 21 de agosto sua nova terceira camisa, predominantemente azul, produzida pela PUMA. A peça celebra as raízes italianas do clube e os 20 anos da conquista da Itália na Copa do Mundo de 2006. O uniforme recupera a Cruz de Savoia, símbolo utilizado pelo Palestra Itália em 1916. Ele também traz uma gola em formato de V, um patch com o mapa da Itália e as inscrições Avanti Palestra 2026/1914 e Scoppia che la vittoria è nossa.
Essa cor não é uma coincidência na história palmeirense. Nos primeiros anos, quando ainda era Palestra Itália, o clube utilizava uma camisa azul com faixa branca e a Cruz de Savoia, em referência às cores do então Reino da Itália. O próprio Departamento de História do clube registra que esse uniforme azul foi usado de forma alternada nos três primeiros anos da instituição.
Tecnologia e sustentabilidade no esporte
Fabricada em 100% poliéster reciclado, a nova camisa do Palmeiras incorpora a tecnologia dry CELL da PUMA. Essa função é voltada à absorção de umidade em atividades de alta performance. A peça está disponível nas versões Jogador, Torcedor e Infantil, com preços que variam de R$ 369,99 a R$ 599,99, dependendo do modelo escolhido pelo consumidor.
É nesse ponto que a Diklatex entra em ação. Com sede em Joinville e mais de 45 anos de experiência no desenvolvimento de tecidos técnicos, a empresa catarinense atende mais de 100 marcas no Brasil e no exterior. Ela registra presença em mais de dez mercados internacionais. Sua atuação no futebol abrange clubes brasileiros e sul-americanos, além das seleções nacionais da Argentina e da Colômbia.
No cenário brasileiro, os tecidos da empresa já vestiram clubes como Palmeiras, Flamengo, Vasco, Atlético-MG, Fortaleza, Bahia e Botafogo. Na América Latina, a trajetória inclui nomes como Boca Juniors, River Plate, Racing, Peñarol, Bolívar e Jorge Wilstermann. A empresa também desenvolveu o tecido exclusivo utilizado na camisa que comemora os 50 anos da parceria entre a Associação de Futebol Argentina (AFA) e a Adidas, inspirada no uniforme campeão mundial de 1974.
Segundo André Jativa, CEO da Diklatex, Quando uma camisa histórica chega ao campo, o torcedor enxerga as cores, o escudo e os símbolos que representam o clube. Para a indústria têxtil, existe toda uma engenharia por trás dessa experiência. É no tecido que começam características como leveza, respirabilidade, secagem rápida, resistência e conforto. Essa visão destaca a complexidade técnica por trás de algo aparentemente simples como uma uniformidade.
A experiência acumulada pela empresa acompanha a transformação dos uniformes esportivos. As camisas deixaram de ser apenas elementos de identificação para se tornarem equipamentos de performance. Elas também são produtos de moda, itens colecionáveis e símbolos de pertencimento. Para atender a essas demandas, a engenharia têxtil precisa considerar estrutura da malha, gramatura, ventilação, transporte de umidade, elasticidade e resistência.
Essa evolução explica a presença crescente de materiais reciclados no futebol. A Diklatex informa que desenvolve tecidos com poliéster reciclado, além de outras fibras e tecnologias voltadas à performance. No portfólio para futebol, a empresa destaca soluções que combinam leveza, respirabilidade, secagem rápida, resistência e conforto. Esses atributos são importantes para atletas submetidos a movimentos explosivos, contato físico intenso e diferentes condições climáticas.
Tradição e futuro unidos no tecido
Embora tenham trajetórias distintas, Independiente e Palmeiras compartilham uma característica: seus novos uniformes utilizam o passado como ponto de partida para falar sobre o futuro. Em Avellaneda, o conceito Forjada en el Infierno recupera a mística construída ao longo de décadas de conquistas continentais. O clube argentino é o maior campeão da história da Copa Libertadores, com sete títulos, sendo quatro deles conquistados consecutivamente, entre 1972 e 1975, o que ajudou a consolidar o apelido de Rey de Copas.
Em São Paulo, o azul resgata a fase do Palestra Itália e a origem italiana do clube, transformando referências centenárias em um produto contemporâneo. Para a Diklatex, as duas camisas representam a evolução de uma indústria que, a partir de Joinville, participa de uma cadeia cada vez mais internacional. Do vermelho do Rey de Copas ao azul inspirado na Itália do Palestra Itália, a matéria-prima que ajuda a vestir essas histórias nasce no mesmo polo têxtil catarinense.
É uma trajetória que conecta a indústria brasileira à linguagem universal do futebol. A prova de como inovação, identidade e tradição podem começar no mesmo lugar: no tecido. Essa integração mostra o papel fundamental do Brasil no cenário esportivo global, não apenas pela força de seus clubes, mas também pela qualidade de sua infraestrutura industrial e capacidade de exportar tecnologia.

Diklatex assina tecidos dos novos uniformes de Independiente e Palmeiras (Ajustada por IA)






