Ventura, que já foi criticado por ser retranqueiro, agora é elogiado por salvar o Vitória do rebaixamento em 2025, com 55% de aproveitamento. Ele defende que os jovens técnicos precisam se reinventar para sobreviver no futebol.
Jair Ventura, de 47 anos, tinha apenas 38 em 2017, quando foi visto como um dos principais nomes de uma nova geração de técnicos que poderia mudar a imagem do futebol brasileiro após a derrota por 7 a 1 para a Alemanha na Copa de 2014.
Naquele ano, Jair Ventura conseguiu se destacar por um ótimo trabalho no Botafogo, que tinha poucos recursos. Levou o time à semifinal da Copa do Brasil e às quartas da Libertadores, caindo para o Grêmio, que viria a ser campeão. Isso o ajudou a sair da sombra do pai, Jairzinho, o Furacão da Copa de 1970.
- Jair Ventura é conhecido como bombeiro por salvar times do rebaixamento.
- Ele salvou o Vitória em 2025 com 55% de aproveitamento em 14 jogos.
- Ele já tinha feito isso em Botafogo (2016), Sport (2020), Juventude (2021) e Goiás (2022).
- Ele conquistou a Copa do Nordeste em 2026 e avançou na Copa do Brasil.
- Ele é criticado por ser retranqueiro, mas diz que os rótulos não o definem.
Quase dez anos depois, ele vive um novo momento elogiado como técnico do Vitória, onde assumiu em setembro do ano passado. Já são 57 jogos no comando, perto de igualar o segundo trabalho mais longo da carreira.
Estou feliz com este novo momento, mas sei que nada é garantido no futebol. A vida do técnico é instável: basta uma sequência ruim para as cobranças voltarem e eu deixar de prestar, disse à reportagem.
O apelido de bombeiro
Mesmo sendo criticado por ser retranqueiro, principalmente quando passou por Santos e Corinthians, Ventura levou o time baiano a uma recuperação surpreendente em 2025, evitando o rebaixamento com 55% de aproveitamento em 14 jogos (7 vitórias, 2 empates e 5 derrotas).
Essa foi a quinta vez que ele assumiu um time na zona de rebaixamento e conseguiu salvar a equipe. Antes, já tinha feito isso com Botafogo (2016), Sport (2020), Juventude (2021) e Goiás (2022). Por isso, ganhou o apelido de técnico bombeiro.
O que pensam de mim não me define. Respeito as opiniões, mas sei do meu valor e do que sou capaz, disse. Se me chamam de bombeiro ou retranqueiro, tudo bem. Que continuem me rotulando, enquanto eu sigo fazendo o que amo com a qualidade que tenho mostrado.
Depois de cumprir esse objetivo, em 2026 ele ganhou a Copa do Nordeste e avançou às quartas da Copa do Brasil, eliminando times fortes como Flamengo e Athletico-PR.
Esse momento positivo dele contrasta com o de outros treinadores que eram considerados promessas, como Zé Ricardo, Maurício Barbieri, Alberto Valentim e Eduardo Barroca, que perderam espaço ou têm sido questionados, principalmente por causa da grande chegada de técnicos estrangeiros.
Nossa geração surgiu para renovar o futebol brasileiro. Alguns sumiram injustamente, mas acredito que precisamos nos reinventar também. Se eu não tivesse esses resultados, de aprender novas formas de jogar para salvar times e conseguir acessos, sinceramente eu estaria mais esquecido, analisa.
Hoje sou muito melhor técnico do que quando comecei em 2016, muito menos do que no ano passado. Precisamos de mais ideias. Às vezes, elas vêm até enquanto treino na academia, ouvindo música. Anoto no bloco de notas. Na última semana, criei um trabalho tático inédito que nunca tinha feito em dez anos.
Intensidade e identificação com a torcida
A sua intensidade à beira do campo criou uma ligação forte com a torcida no estádio Barradão. Depois da classificação contra o Athletico-PR (perdeu por 2 a 0 no primeiro jogo e venceu por 4 a 0 na volta), ele deu entrevista abraçado a um torcedor que invadiu o campo para comemorar.
A partida também esquentou a discussão com o técnico do time adversário, Odair Hellmann. Eles trocaram farpas à beira do gramado, e depois da classificação, Jair disse que precisava estudar mais.
Sou mais um torcedor na beira do campo, vibro e jogo junto. Lembro de um lance em que o jogador cabeceou e o torcedor me filmou cabeceando junto. Sou esse cara de coração, que se entrega, sente a derrota e comemora como a torcida.
Eu e o Odair somos da mesma época, fizemos a licença da CBF juntos. O que acontece no jogo fica no jogo, os dois querem vencer, minimiza. Tenho respeito e carinho pelo Papito, temos amizade fora de campo. Ele também se exalta muito, como eu.
O amadurecimento fora de campo foi construído em situações difíceis, como nos clubes Santos e Corinthians em 2018, que tiveram problemas políticos. Jair diz que não enfrenta isso no Vitória, onde recebe o salário adiantado pela primeira vez.
É o único clube que vi fazer isso em dez anos. É difícil trabalhar com jogadores sem receber há três ou quatro meses. O clima fica pesado, não tem jeito, explica.
Apesar da chance de título na Copa do Brasil, o time está mal no Campeonato Brasileiro desde a volta da Copa do Mundo, com apenas uma vitória em seis jogos. Neste domingo (23), enfrenta o Bahia no clássico, no Barradão.
Ele diz que não faz mais planos de longo prazo. Um de seus sonhos era treinar fora do país. Agora, brinca: Se não me quiserem mais aqui, pelo menos tenho quatro chances de um time ameaçado me chamar de bombeiro.

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