Uma reportagem do jornal britânico The Telegraph revela que uma funcionária da UEFA, que teria tido um relacionamento com Gianni Infantino, teve um curso pago pela entidade, foi promovida e recebeu aumento salarial antes de ser demitida após Michel Platini descobrir o caso.
Novas informações sobre a passagem de Gianni Infantino pela UEFA aumentaram a pressão sobre o atual presidente da FIFA. Uma investigação publicada pelo jornal britânico The Telegraph afirma que uma funcionária que teria mantido um relacionamento com Infantino recebeu benefícios profissionais e financeiros enquanto ele ocupava o cargo de secretário-geral da entidade que comanda o futebol europeu.
Segundo a reportagem, a mulher, cuja identidade não foi divulgada, recebeu ao todo mais de 150 mil libras, o equivalente a aproximadamente 175 mil euros, incluindo valores relacionados à sua saída da UEFA. Infantino é casado desde 2001 com Leena Al Ashqar, com quem tem quatro filhos.
- Infantino é acusado de favorecer uma funcionária da UEFA com quem teria tido um relacionamento.
- A funcionária recebeu mais de 150 mil libras, incluindo dinheiro da saída da entidade.
- A UEFA pagou um curso de gestão para a funcionária, que depois foi promovida a um cargo de chefia.
- Michel Platini, presidente da UEFA na época, teria confrontado Infantino sobre o caso em 2011.
- A funcionária foi demitida e recebeu uma indenização de valor elevado.
Uefa teria bancado curso e funcionária recebeu promoção
Parte dos gastos mencionados pelo jornal envolve o pagamento, pela UEFA, de um curso de gestão frequentado pela funcionária.
Ela também teria deixado uma função administrativa para assumir um posto de chefia. A promoção resultou em um aumento salarial de cerca de 25 mil libras, aproximadamente 29 mil euros. O Telegraph relata que o salário teria chegado a cerca de 160 mil francos suíços por ano.
As circunstâncias envolvendo a promoção e os demais benefícios passaram a ser questionadas depois que a suposta relação pessoal entre a funcionária e Infantino chegou ao conhecimento da direção da UEFA.
Michel Platini teria confrontado Infantino
Michel Platini, que presidia a UEFA na época, teria confrontado pessoalmente Gianni Infantino ao saber do suposto relacionamento e das vantagens concedidas à funcionária.
A conversa teria ocorrido em 2011 e terminado com a decisão de dispensar a mulher. A saída resultou no pagamento de uma indenização de valor elevado, cuja existência foi posteriormente confirmada pela própria UEFA.
A entidade, atualmente presidida por Aleksander Ceferin, informou que seus regulamentos foram posteriormente reforçados para refletir "aqueles que se encontram numa organização moderna de alto perfil".
Segundo as informações publicadas, a UEFA também avalia a possibilidade de abrir uma investigação formal para analisar a conduta de Infantino durante sua passagem pela entidade, incluindo os anos anteriores ao período em que exerceu a função de secretário-geral.
Fifa nega irregularidades envolvendo Gianni Infantino
A FIFA rejeitou as acusações relacionadas ao dirigente. Questionado sobre as novas informações, um porta-voz da entidade afirmou que, durante a atuação de Infantino na UEFA, "tudo foi sempre feito corretamente".
A manifestação ocorre em um momento de crescente pressão sobre o presidente da FIFA. Em comunicado divulgado no sábado, a entidade acusou críticos de conduzirem uma campanha para enfraquecer Infantino e sua administração.
"É cada vez mais evidente que existe um esforço concertado e contínuo por parte de alguns para minar a FIFA e o seu presidente. Aqueles que não contam com o apoio das Associações-Membro da FIFA não devem procurar alcançar, através de alegações, insinuações ou desinformação, o que não conseguem alcançar através dos processos democráticos estabelecidos pela FIFA", afirmou a entidade.
A FIFA também contestou a forma como recentes denúncias sobre seu presidente têm sido apresentadas.
"As notícias recentes têm incluído afirmações infundadas e alegações comprovadamente falsas relativas à FIFA e ao seu presidente. As especulações e insinuações não devem ser apresentadas como factos, e a repetição não torna uma alegação verdadeira", declarou.
Fifa cita trajetória de mais de 30 anos de Infantino
Na mesma nota, a entidade ressaltou a carreira do dirigente no futebol internacional e argumentou que mudanças promovidas por sua gestão contrariaram interesses já estabelecidos.
"O presidente da FIFA dedicou mais de 30 anos da sua vida profissional ao futebol europeu e mundial, contribuindo para mudanças significativas neste desporto e, em particular, para alargar o acesso, os recursos e as oportunidades em todo o futebol mundial. A mudança desafia inevitavelmente os interesses estabelecidos, mas o desacordo com essa mudança não pode justificar esforços para minar o mandato democrático do presidente da FIFA ou da instituição que ele foi eleito para liderar", concluiu a organização.
Gianni Infantino trabalhou na UEFA por vários anos antes de assumir a secretaria-geral em 2009. Em 2016, deixou a entidade europeia para assumir a presidência da FIFA. As novas alegações sobre sua passagem pela UEFA surgem enquanto o dirigente enfrenta questionamentos de diferentes setores do futebol europeu sobre sua liderança à frente da organização mundial.

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