A UEFA, entidade que comanda o futebol na Europa, deu um prazo para Gianni Infantino, presidente da FIFA, renunciar ao cargo. Caso contrário, pode ser marcada uma reunião de emergência para tirá-lo do poder. A briga entre as duas organizações aumentou por causa de planos secretos e falta de transparência na venda dos direitos da Copa do Mundo.
O clima esquentou no futebol mundial. Como se não bastasse a guerra aberta em andamento entre as duas maiores organizações do esporte mais popular do planeta, agora há um ultimato na mesa. A UEFA declarou neste sábado que exige a renúncia de Gianni Infantino à presidência da FIFA ou poderá adotar outras medidas.
- A UEFA está exigindo que Gianni Infantino, presidente da FIFA, renuncie ao cargo imediatamente.
- A briga começou porque a FIFA tentou vender os direitos da Copa do Mundo para investidores particulares, em um plano que foi descoberto e considerado ruim para o esporte.
- A UEFA pode convocar uma reunião de emergência para votar a saída de Infantino, e precisa apenas do apoio de 43 das 211 federações de futebol do mundo.
- A entidade europeia disse que Infantino quebrou promessas de transparência que fez quando foi eleito, em 2016.
- A UEFA também reclamou que a FIFA tem mais de 5 bilhões de euros parados no banco, dinheiro que deveria ser usado para ajudar o futebol nos 211 países membros.
De acordo com o Telegraph, a entidade europeia não pretende deixar impune essa tentativa de vender o futebol e já pede a cabeça do presidente da FIFA, seja por meio de uma renúncia, seja por uma reunião de emergência para destituí-lo.
E a UEFA, segundo a publicação, nem sequer precisa do apoio de todas as 55 federações-membro para convocar uma reunião de voto de desconfiança, na qual seria decidida a permanência ou a saída de Gianni Infantino.
Para solicitar essa reunião entre as diferentes federações, são necessários apenas 43 membros apoiando a iniciativa. Por isso, ela pode acontecer facilmente, já que as 55 federações apoiaram o boicote às competições da FIFA caso a proposta de vender os direitos comerciais das Copas do Mundo a investidores privados avançasse.
Comunicado oficial da UEFA e falta de confiança
Depois da notícia, divulgada durante a madrugada, de que o plano da FIFA e de Gianni Infantino de vender a Copa do Mundo a investidores privados havia sido abandonado, a UEFA voltou a fazer duras críticas à direção da entidade que administra o futebol mundial, em um comunicado que pediu mais consequências.
Não podemos continuar assim, com esquemas secretos realizados em ritmo acelerado, arquitetados por indivíduos anônimos e cujos benefícios para o esporte são duvidosos. Temos de identificar os responsáveis e exigir que prestem contas, afirmou a entidade em nota oficial.
A organização que administra o futebol europeu afirmou que Gianni Infantino não apenas perdeu a confiança da UEFA, mas também a de muitos outros membros da família do futebol, além de relembrar promessas feitas pelo presidente da FIFA em 2016.
Quando Gianni Infantino pediu a confiança e os votos das federações-membro da FIFA para ser eleito presidente em 2016, afirmou: É claro que temos de ser transparentes. Fui assim nos últimos 15 anos da minha vida na UEFA. Vocês terão de desempenhar um papel diário na vida da FIFA, lembrou a UEFA.
Na ocasião, Infantino também teria dito às partes interessadas presentes: O dinheiro da FIFA é o seu dinheiro. Não é o dinheiro do presidente da FIFA. É o seu dinheiro. Vocês são as federações nacionais, e o dinheiro da FIFA deve servir para o desenvolvimento do futebol e para nada mais.
Promessas não cumpridas e dinheiro parado
Na sequência, a UEFA afirma que as promessas feitas não foram cumpridas e fala em um acordo mesquinho feito nos bastidores, que estaria longe de ser transparente. Além disso, a entidade lembra que existem reservas superiores a 5 bilhões de euros que não foram utilizadas para beneficiar as associações e o desenvolvimento do futebol.
Temos de começar a utilizar parte desse dinheiro que está parado na conta bancária da FIFA para dar o impulso inicial de que as bases do futebol e o futebol em geral precisam em cada um dos 211 países da FIFA. Mas não precisamos vender os bens mais valiosos da família para pagar por isso, afirmou a UEFA, em referência ao já existente programa FIFA Forward.
Mas isso não pode ser o fim da história. A proposta já foi apresentada. A tarefa de restabelecer a confiança na FIFA apenas começou, concluiu a entidade que administra o futebol europeu.

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