A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) está monitorando mais de 30 jovens jogadores brasileiros que nasceram ou vivem no exterior, filhos de brasileiros que se mudaram para outros países. O objetivo é evitar que esses talentos sejam perdidos para outras seleções, como já aconteceu com jogadores famosos. A iniciativa segue o exemplo de federações europeias e africanas, que já fazem esse trabalho de 'caça' a talentos espalhados pelo mundo.
Com a saída em massa de jogadores brasileiros para o exterior, que se acelerou nos anos 90, muitos deles, famosos ou não, foram para a Europa, formaram famílias por lá e tiveram filhos que também seguiram a carreira no futebol. Esses filhos, muitas vezes, acabam jogando por outras seleções. Para evitar perder esses talentos, a CBF está de olho nesses jovens descendentes de brasileiros, antes que eles escolham defender outros países. Essa é uma estratégia que federações europeias e africanas já usam com sucesso, como vimos na última Copa do Mundo.
- A CBF já mapeou mais de 30 jovens brasileiros, nascidos entre 2007 e 2011, que jogam em clubes da Europa, Estados Unidos e Arábia Saudita.
- Um dos casos mais famosos é o de Rafael Belinho, que saiu do Vasco aos 11 anos para jogar na Croácia e hoje, com 17 anos, é observado pelo Barcelona.
- Jogadores como Thiago Alcântara (filho de Mazinho) e Enzo Alves (filho de Marcelo) são exemplos de talentos brasileiros que optaram por defender a seleção espanhola.
- Pelas regras da Fifa, jogadores com menos de 16 anos podem se mudar para o exterior livremente se a família se transferir, o que abre brecha para empresários levarem jovens promessas.
- A seleção brasileira não perde por falta de talentos, mas sim por falhas na estrutura de formação e acompanhamento desses jogadores desde cedo.
O Mapeamento da CBF
Atualmente, quatro observadores técnicos do departamento de seleções da CBF já catalogaram mais de 30 brasileiros, nascidos entre 2007 e 2011, que estão sendo aproveitados em clubes da Europa, Estados Unidos e Arábia Saudita. Entre eles, estão filhos de brasileiros que emigraram, jovens que foram identificados cedo em campos brasileiros e tiveram a chance de levar a família para outra realidade, e também filhos de casamentos entre pais de nacionalidades diferentes. Essa diversidade é parecida com o que vimos na última Copa, que teve quase 250 exemplos de jogadores com dupla nacionalidade, como o lateral Hakimi, do Marrocos, que nasceu na Espanha.
As Regras e os Casos Famosos
Os mais de 30 jovens monitorados pela CBF são aqueles que já mostram potencial para as seleções de base. Mas a própria entidade sabe que existem muitos outros ainda em desenvolvimento. Pelas regras da Fifa, um jogador só pode assinar um contrato de formação com um clube brasileiro a partir dos 16 anos e só pode se transferir para o exterior após completar 18 anos. No entanto, antes dos 16 anos, ele é livre para se mudar com a família. Isso significa que empresários podem investir na formação, arranjando emprego para os pais no exterior e, assim, abrindo espaço para o menino nas categorias de base de um clube europeu.
Um exemplo clássico é o do meia Rafael Belinho. O Vasco o liberou em 2021, quando ele tinha apenas 11 anos, porque o pai recebeu uma proposta de trabalho na Croácia. Ele começou no sub-13 do NK Vidobol e, no ano seguinte, foi para o Dínamo Zagreb. Recentemente, jornais espanhóis disseram que o Barcelona já está de olho nele, mesmo com uma multa rescisória de 100 milhões de euros. O menino hoje tem 17 anos e já se naturalizou croata. Mas ele é só um dos exemplos.
A Corrida Contra o Tempo
A CBF está correndo para catalogar os mais talentosos antes que eles vistam a camisa de outras seleções. Isso já aconteceu com nomes como Thiago Alcântara, filho do ex-lateral Mazinho; Rodrigo Moreno, filho do também ex-lateral Adalberto; e Enzo Alves, filho do ex-lateral Marcelo. Todos eles foram aproveitados pela seleção espanhola, desde a base até o time profissional.
No fim das contas, a seleção brasileira não perde por falta de talento. Ela perde por causa de falhas na estrutura de formação e acompanhamento. Mas nunca é tarde para começar a fazer diferente.

Rafael Belinho, hoje no Dínamo Zagreb, da Croácia, saiu do Vasco aos onze anos e é cobiçado pelo Barcelona. Foto: Divulgação




