A Copa do Mundo de 2026 aproximou ainda mais Brasil e Cabo Verde. Um programa de TV especial mostrou como esses dois países são parecidos na música, no futebol e no jeito acolhedor de receber as pessoas. Descubra as semelhanças e a história da seleção de Cabo Verde, que encantou o mundo com sua garra e humildade.
A seleção de futebol de Cabo Verde fez história na Copa do Mundo. É a menor nação do mundo a chegar na fase de mata-mata de um Mundial. A equipe foi eliminada pela Argentina nas oitavas de final, mas saiu da Copa com reconhecimento mundial e uma imensa torcida no Brasil. Em uma parceria inédita entre a TV Brasil e a teleSUR, o programa Caminhos da Reportagem conta essa história e mostra o que há de comum entre Cabo Verde e Brasil. O programa vai ao ar nesta segunda-feira (13/07), às 23h, na TV Brasil.
- Cabo Verde é a menor nação da história a disputar a fase de mata-mata de uma Copa do Mundo
- O país é um arquipélago na África, formado por 10 ilhas, a apenas 4 horas de voo do Recife
- Metade dos jogadores da seleção de Cabo Verde nasceu em outros países
- O goleiro Vozinha se tornou um dos grandes destaques do Mundial, ganhando milhões de seguidores
- Os cabo-verdianos chamam sua imigração de "décima primeira ilha", pois muitos vivem em outros países
A maioria dos cabo-verdianos torce pelo Brasil na Copa do Mundo e, desta vez, temos a nossa própria seleção. Há muito tempo que nós já descobrimos o Brasil e é bom que nesta Copa o Brasil redescubra Cabo Verde, afirma o presidente do país, José Maria Neves.
As equipes de reportagem da teleSUR, com o repórter André Vieira, e da TV Brasil, com o repórter cinematográfico Rogério Verçoza e o auxiliar Alexandre Sousa, chegaram à cidade de Praia, capital de Cabo Verde, alguns dias antes da estreia da seleção. Encontraram o país em clima de Copa, e o amor dos cabo-verdianos pelo futebol estava nas ruas e nos sorrisos dos torcedores. Nos óra dja txiga, em crioulo cabo-verdiano, quer dizer: a nossa hora já chegou.
Cabo Verde é um arquipélago na África formado por 10 ilhas, a menos de quatro horas em voo direto do Recife até Praia, capital do país. Existem cerca de 2 milhões de cabo-verdianos em todo o mundo, sendo 500 mil no país e 1,5 milhão no exterior. Metade da atual seleção de futebol é formada por cabo-verdianos nascidos em outros países.
Somos dez ilhas, mas nós dizemos que somos onze ilhas, porque a décima primeira ilha é a nossa imigração, a nossa diáspora, que é uma diáspora grande nos Estados Unidos, Portugal, França, Holanda, Luxemburgo, explica Mário Semedo, presidente da Federação Cabo-verdiana de Futebol.
A equipe acompanhou em Cabo Verde a estreia da seleção contra a Espanha. Por lá, cada defesa do goleiro Josimar José Évora Dias, o Vozinha, era celebrada como um gol. O empate em 0 a 0 foi uma conquista histórica, e Vozinha ganhou milhões de seguidores nas redes sociais e foi um dos destaques deste Mundial. Em entrevista gravada no dia seguinte à estreia, Vozinha falou sobre a emoção que estava sentindo e os desafios que os jogadores enfrentam no seu país.
Em Cabo Verde as dificuldades são muitas, as condições são muito poucas, os materiais esportivos são escassos. Eu sempre consegui ajudar, mesmo tirando luvas das minhas ou mesmo comprando, disse Vozinha.
Os profissionais acompanharam também junto aos cabo-verdianos os jogos contra Uruguai, África do Sul e Argentina. O repórter André Vieira viu de perto a chegada dos jogadores a Cabo Verde, num dia 5 de julho, dia da Independência do país, conquistada em 1975.
"A gente fala muito do Vozinha. Realmente, ele se destacou de uma forma inacreditável nessa Copa. Mas vamos falar desse treinador também, o Bubista Vamos falar de toda essa equipe, falar dessa equipe técnica, falar desses jogadores que não entraram em campo nem por um minuto, mas que estiveram até o fim lá, criando essa corrente, alimentando essa correnteza que foi a entrada e o tempo que Cabo Verde permaneceu na Copa", indaga a cantora e compositora cabo-verdiana Mayra Andrade, para quem o time dos "Tubarões Azuis" deu uma lição de humildade e resiliência ao mundo.
Zé-Di-Nhana, integrante da primeira seleção do país, em 1978, antes de ela ser conhecida como "Tubarões Azuis", relembra a história enquanto caminha pela comunidade da Várzea, que não é só a comunidade que viu nascer a seleção, mas que originou grandes jogadores, como ele. Reconhecido nas ruas, ele é considerado o "Pelé de Cabo Verde". "Pensávamos que íamos aventurar, mas a aventura tem de ser sem medo. O que nós fizemos foi bom. Porque o Cabo Verde está no Mundial."
A classificação para as quartas de final na Copa do Mundo não veio, assim como para o Brasil. O que permanece é o legado e a história dos "Tubarões Azuis". E, com eles, o convite para que os brasileiros descubram Cabo Verde e se reconheçam na música, no futebol, nas belezas naturais e na "morabeza", palavra em crioulo que traduz o jeito acolhedor que o cabo-verdiano tem de receber quem vem conhecer o país.

Jogadores da seleção de Cabo Verde são recebidos com festa em Praia, capital do país, após sucesso na Copa do Mundo (Sodiq Adelakun / Reuters)



