O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu para a Fifa revisar a suspensão do artilheiro americano Folarin Balogun, que havia sido expulso de um jogo. A Fifa atendeu ao pedido e liberou o jogador para jogar as oitavas de final contra a Bélgica. Essa decisão gerou uma grande polêmica, com acusações de interferência política e favorecimento, colocando em dúvida a imparcialidade do torneio.
Por 24 dias, a Copa do Mundo pareceu ter conseguido algo raro nos Estados Unidos em 2026: ela quase não tinha nada a ver com Donald Trump.
Mas, em uma reviravolta incrível depois de um pedido do presidente, o artilheiro americano Folarin Balogun vai jogar a partida das oitavas de final contra a Bélgica nesta segunda-feira (6). Ele tinha sido expulso no jogo anterior e pegaria uma suspensão de um jogo. Trump celebrou a decisão da Fifa, chamando-a de correção de uma grande injustiça.
- O presidente dos EUA, Donald Trump, ligou para o presidente da Fifa, Gianni Infantino, para pedir a revisão da suspensão do jogador americano Folarin Balogun.
- A Fifa reverteu a suspensão de Balogun, permitindo que ele jogue as oitavas de final contra a Bélgica.
- A decisão gerou uma forte reação da Bélgica e da Uefa, que acusaram a Fifa de falta de transparência e de prejudicar a integridade do torneio.
- A interferência de Trump levantou suspeitas de que a decisão foi política e não baseada nas regras do futebol.
- A polêmica pode manchar a imagem da Copa do Mundo, que até então vinha sendo um evento positivo e sem grandes controvérsias políticas.
A anistia de Balogun abalou o mundo do futebol, gerando especulações sobre a relação próxima entre Trump e o presidente da Fifa, Gianni Infantino. A conversa de Trump sobre a suspensão em uma ligação para Infantino e a decisão final da Fifa transformaram uma polêmica sobre a arbitragem em um incidente internacional. Isso levantou preocupações sobre interferência política e a honestidade do torneio.
Não importa se a pressão de Trump foi decisiva ou não. A simples impressão de que foi já arrisca prejudicar a imagem global de um evento que até então tinha gerado notícias muito positivas. A polêmica é garantida em finais de Copa do Mundo, mas não há precedente de um líder político pressionando a Fifa sobre quem pode jogar, especialmente em uma partida tão importante para as chances de um país-sede.
A torcida americana, que é muito dividida politicamente, provavelmente não vai se importar com a forma como Balogun voltou a jogar. Mas a federação belga de futebol afirmou que as manobras antes do jogo foram contra os regulamentos da Fifa e prejudicaram o fair play. O técnico da Bélgica disse que a federação agiria para defender "o futebol em geral" e sua ética. A federação também criticou a Fifa por falta de transparência na decisão.
A Uefa, órgão que comanda o futebol europeu, também criticou a Fifa, dizendo que a suspensão da punição a Balogun ameaçava a reputação do torneio. A Uefa afirmou que, quando a certeza das regras não é mais garantida, a integridade do jogo corre risco e a credibilidade da competição é comprometida.
A polêmica vai tornar o jogo entre EUA e Bélgica ainda mais imperdível. Se os americanos vencerem, muitos torcedores não vão ligar para a controvérsia fora de campo. Mas seria lamentável se o incidente ofuscasse uma Copa do Mundo que, até então, era muito animada, com torcedores de fora dos EUA podendo ver uma vitória americana com desconfiança.
Intervenção de Trump desperta suspeitas
Há boas razões para acreditar que Balogun foi prejudicado quando foi expulso durante a vitória dos EUA sobre a Bósnia e Herzegovina. Mas a decisão de Trump de se envolver levanta a possibilidade de que a reabilitação de Balogun pode não ter sido motivada apenas por questões de justiça. O árbitro não deu o cartão vermelho na hora, mas depois de analisar o vídeo, concluiu que Balogun cometeu uma falta grave. Em velocidade normal, o choque pareceu inofensivo, mas na câmera lenta, o pé de Balogun raspou a perna do adversário e torceu seu tornozelo de forma horrível.
Muitos torcedores argumentam que Balogun foi mais um jogador prejudicado pelo sistema de árbitro assistente de vídeo (VAR) e que ele não tinha intenção de machucar o adversário. Muitas vezes, os choques entre jogadores parecem muito piores na câmera lenta. Antes da tecnologia, lances como o de Balogun passavam sem punição. É possível acreditar que Balogun teve azar, mas também entender que o lance merecia cartão vermelho pelas regras da Fifa, já que lances semelhantes acontecem toda semana e resultam em expulsão.
Mas a resposta da Fifa ao incidente e a escolha de Trump de se envolver estão gerando alarme. Depois do jogo, a Fifa deixou claro que a seleção americana não poderia recorrer da suspensão e que Balogun não jogaria as oitavas. Isso foi um golpe enorme para os americanos, já que o atacante é o artilheiro da equipe. O anúncio da Fifa sobre a reversão da suspensão ofereceu pouca explicação, alimentando críticas de que uma exceção foi feita para o astro americano após a reclamação de Trump. A Fifa usou um artigo do seu código que permite suspender uma punição durante um período de prova. O cartão vermelho continua valendo, e se Balogun cometer outra falta, a suspensão será restabelecida. Não foi a primeira vez que a Fifa usou essa regra, que já gerou acusações de favorecimento quando permitiu que Cristiano Ronaldo jogasse no início da Copa, apesar de estar suspenso.
Trump nunca resistiria aos holofotes da Copa
Era quase inevitável que Trump encontrasse uma forma de se envolver na Copa do Mundo, que ele comparou a vários Super Bowls ao mesmo tempo e que cria o tipo de visibilidade global que ele adora. No entanto, ele ficou em segundo plano durante os primeiros jogos, parecendo mais focado nas comemorações do 250º aniversário da independência dos EUA. Mas o incidente com Balogun foi grande demais para Trump ignorar. Ele é um fã de esportes dedicado e bem informado, e frequentemente usa o esporte para impulsionar seus temas políticos ou para mostrar seu poder.
Uma fonte disse que Trump conversou com Infantino depois do cartão vermelho de Balogun e pediu que ele revisasse a decisão. Os dois têm uma relação próxima, e o apoio do chefe da Fifa frequentemente pareceu um endosso político direto a Trump. Infantino está frequentemente ao lado de Trump e já declarou que juntos farão a América e o mundo grandes novamente. O chefe da Fifa enfrenta críticas há muito tempo, por causa de supostos abusos de direitos humanos em estádios no Catar e pela decisão de dar a Copa de 2034 para a Arábia Saudita. Os críticos de Infantino ficaram ainda mais incomodados quando ele deu a Trump o prêmio da paz da Fifa.
Caso Balogun vai continuar por muito tempo
Com esse precedente, quem pode dizer se outros líderes mundiais poderosos vão pensar que podem ganhar vantagem política pressionando a Fifa por um incidente em campo Cada lance polêmico pelo resto da Copa vai enfrentar um enorme escrutínio. Se a Fifa suspendeu a punição a Balogun, não estaria agora obrigada a fazer o mesmo para qualquer jogador de qualquer outro país
Essa questão veio à tona quando o zagueiro inglês Jarell Quansah também foi expulso após revisão do VAR e agora enfrenta uma suspensão de um jogo. Outra grande história da Copa foi a eliminação do Brasil pelo atacante norueguês Erling Haaland. Mas o furor gerado pela história de Trump e do artilheiro dos EUA levantou o temor de que eventos fora de campo, assim como os que ocorrem dentro dele, podem mudar o destino do troféu que o presidente deverá entregar em duas semanas. Isso é lamentável para um torneio que antes oferecia uma distração bem-vinda da política americana cheia de divisões.

Presidente da Fifa, Gianni Infantino, com a taça da Copa do Mundo ao lado de Donald Trump na Sala Oval da Casa Branca. Carolyn Van Houten/The Washington Post via Getty Images




