06 de julho de 2026

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Cafu defende Ancelotti e Neymar: 'Ninguém ganha Copa sozinho'

Esportes Copa 06/07/2026 14:10 João Paulo Saconi (Extra) extra.globo.com

O ex-capitão da seleção brasileira, Cafu, deu uma entrevista exclusiva após a derrota do Brasil para a Noruega na Copa do Mundo. Ele explicou que o técnico Ancelotti não foi o culpado pelas substituições e que Neymar não pode ser o único responsável por uma vitória.

Cafu saiu em defesa de Carlo Ancelotti e de Neymar na manhã desta segunda-feira, 6 de julho, em uma entrevista ao Extra em Nova York, poucas horas depois da derrota da seleção brasileira para a Noruega na Copa do Mundo. Após assistir ao jogo no MetLife Stadium, o capitão do pentacampeonato foi até a cidade para inaugurar uma réplica gigante da taça do Mundial, um símbolo com o qual ele se identifica muito.

  • Cafu disse que as críticas às substituições de Ancelotti são injustas e que só quem vive o dia a dia do time pode julgar.
  • Ele lembrou que Ancelotti foi criticado no primeiro jogo contra o Japão, mas elogiado no segundo tempo, quando deu certo.
  • O ex-jogador afirmou que Neymar não pode ser o único responsável por ganhar uma Copa do Mundo em apenas alguns minutos.
  • Cafu destacou que a Noruega estava muito bem posicionada e que o Brasil não teve forças para reagir à estratégia adversária.
  • Ele disse que ninguém merece ser julgado depois de uma derrota, pois todos os jogadores sofrem com a eliminação.

Questionado sobre os motivos da derrota do time do qual já fez parte, Cafu defendeu o técnico Ancelotti. Muitas pessoas criticaram as substituições feitas aos 67 minutos, quando Gabriel Martinelli e Rayan saíram para dar lugar a Neymar e Danilo. O placar ficou 2 a 1 para a Noruega.

"As pessoas que falam das substituições não sabem como é o dia a dia do Ancelotti e dos jogadores. Não sabem o que cada um produziu nos treinos. Muita gente criticou o Ancelotti no primeiro tempo contra o Japão, e depois elogiou no segundo tempo, quando ele colocou os jogadores que alguns achavam que deviam sair", disse Cafu, lembrando a vitória contra os japoneses, onde Casemiro, muito criticado, marcou o primeiro gol após o intervalo.

As declarações de Cafu sobre Ancelotti são diferentes das de Ronaldo Fenômeno, que também foi pentacampeão. Em uma entrevista ao jornal espanhol "As", Ronaldo disse que Ancelotti, mesmo sendo um dos melhores técnicos da história, cometeu vários erros contra a Noruega. Já Cafu foi firme em seu apoio ao treinador, de quem é fã desde os tempos de Milan.

"É muito fácil falar: 'Eu teria colocado esse ou aquele'. Eu concordo com as substituições do Ancelotti. Ele sabe o que é melhor para a seleção. Infelizmente, não deu certo. Mas poderia ter dado. O problema é que o Brasil não jogou o que esperávamos", completou.

O momento de Neymar em campo

Durante a entrevista, Cafu também comentou sobre a atitude de Neymar durante o jogo, quando ele chamou o goleiro norueguês de "otário". Para o ex-lateral, isso é normal no futebol.

"É o tipo de coisa que não dá para controlar. É o momento. O Brasil estava perdendo, ficamos nervosos, e qualquer coisa pode acontecer. Falar mal do Neymar agora, depois que a Copa acabou Desculpa, mas é a pessoa errada. Eu jamais vou falar. Porque eu estive lá e sei o quanto é difícil e o quanto eles sofreram. Ninguém quer perder uma Copa. Ninguém quer uma derrota. Todo mundo quer uma conquista", afirmou Cafu.

O assunto "Neymar" também abriu espaço para Cafu defender o legado do atacante na seleção. Ele já havia dito em maio que Neymar é uma peça importantíssima. O tom agora é o mesmo.

"O Neymar estava lá, jogou, representou a seleção brasileira. Teve uma era vitoriosa. Infelizmente, não ganhou uma Copa. Mas os números e os resultados dele na seleção são fantásticos. Não dá para esperar que um único jogador, em dez minutos, ganhe uma Copa do Mundo. Era uma sequência de jogos que poderia fazer isso acontecer", explicou Cafu.

A estratégia da Noruega

Na análise de Cafu, a derrota brasileira aconteceu por causa do plano de jogo da Noruega, comandada pelo técnico Stale Solbakken, e pela falta de "força" do Brasil para atrapalhar essa estratégia.

"Nós vimos um time que, infelizmente, não conseguiu render o que esperávamos. Encontramos adversários muito bem posicionados em campo, que vieram com um propósito claro. O objetivo deles era fazer com que o Brasil não usasse sua maior arma, que eram os contra-ataques. E, em três jogadas, eles marcaram dois gols. Eles controlaram o ritmo do jogo, e nós não tivemos forças para reagir", concluiu Cafu.