A escritora Isabela Freixo, que é casada com um jogador profissional e já morou em vários países, explica que os brasileiros não são apaixonados pelo futebol em si, mas sim pela vitória. Ela mostra como a seleção brasileira, mesmo sem vencer uma Copa do Mundo há 24 anos, ainda carrega o peso de ser pentacampeã e como isso afeta a forma como o país lida com as derrotas. O texto fala sobre esperança, identidade e a relação emocional do torcedor com o esporte.
Há seis anos acompanho futebol diariamente por ser casada com um jogador profissional. Nesse período, convivendo com alguém que consome futebol do mundo inteiro, da hora que acorda até a hora de dormir, percebi uma diferença importante entre gostar de futebol e ser verdadeiramente apaixonado por ele.
- Brasileiros amam vencer no futebol, não o esporte em si.
- A cada quatro anos, até quem não torce para time nenhum veste a camisa da seleção.
- O Brasil é o único país com cinco títulos mundiais, o que cria uma pressão enorme.
- Nos últimos 24 anos, a seleção não ganhou outra Copa, mas a esperança continua.
- O futebol é visto como um símbolo de identidade e superação nacional.
E uma das coisas que aprendi é que nós brasileiros não somos simplesmente apaixonados por futebol, nós somos apaixonados por vencer nesse esporte. Se não fosse assim, como explicar o fato que de quatro em quatro anos, até quem não tem time do coração, nem entende nada de bola, veste a camisa verde e amarela para torcer e se contorcer pela seleção
Isso é porque carregamos o DNA de campeões. Trazemos no peito essa paixão pela adrenalina, pela sensação eletrizante de gritar gol, que bate diferente no fundo da alma de quem está acostumado a vencer. Porque essa é a nossa identidade dentro do futebol; é a história que aprendemos desde a infância: nós somos os maiores campeões do mundo.
Mesmo que nos últimos 24 anos a seleção não tenha conseguido trazer mais uma taça para casa, ainda somos os únicos com cinco estrelas no peito e isso ninguém vai tirar de nós. E essa é uma das razões pelas quais nunca vamos admitir perder.
Infelizmente, o nosso país perde, sim, e de lavada em muitos aspectos, como a desigualdade social, a corrupção e a violência. Mas, aos olhos do mundo, temos uma seleção de riquezas brilhando intacta, das quais o futebol segue sendo o capitão. Mesmo assim, as cinco estrelas não garantem a sexta. O futuro permanece incerto. E é exatamente isso que deixa a ideia do título ainda mais saborosa, e torna esse esporte tão apaixonante.
O futebol é agridoce, como a vida também é. Feito de alegrias e tristezas que se misturam o tempo todo. E dessa taça vamos beber até a última gota, torcendo e nos contorcendo, enquanto alimentamos a esperança do hexa, seja na próxima oportunidade ou daqui a 1.460 dias.
Por isso vibre, celebre, aproveite. E não se esqueça: Mesmo que esse capítulo não termine como sonhamos, continuaremos a ser os pentacampeões da história.
E aproveito para te lembrar que, ainda que a sua vida esteja mais amarga que doce, e nem mesmo a beleza do futebol consiga colocar um sorriso no seu rosto agora, o Grande Autor da história quer te fazer mais que vencedor. Renda-se a Ele, pois maior do que cinco ou seis estrelas no peito, é a vitória que vence o mundo: a nossa fé na brilhante estrela da manhã.

Isabela Freixo




