A autora, que é casada com um jogador profissional, explica que, no Brasil, a paixão pelo futebol está mais ligada à vitória do que ao esporte em si. Ela reflete sobre como a torcida só se une em Copas do Mundo e como a história de campeão nos define, mesmo com os problemas do país.
Há seis anos acompanho futebol todos os dias, pois sou casada com um jogador profissional. Durante esse tempo, convivendo com alguém que consome futebol do mundo inteiro, da hora que acorda até a hora de dormir, percebi uma diferença importante entre gostar de futebol e ser verdadeiramente apaixonado por ele.
- O brasileiro se apaixona mais pela vitória do que pelo futebol em si.
- A cada quatro anos, até quem não torce para nenhum time veste a camisa da seleção.
- O Brasil carrega o DNA de campeão, com cinco estrelas no peito.
- Mesmo sem vencer uma Copa há 24 anos, a esperança do hexa nunca morre.
- O futebol é uma mistura de alegria e tristeza, assim como a vida.
Uma das coisas que aprendi é que nós brasileiros não somos simplesmente apaixonados por futebol, nós somos apaixonados por vencer nesse esporte. Se não fosse assim, como explicar o fato de que, de quatro em quatro anos, até quem não tem time do coração, nem entende nada de bola, veste a camisa verde e amarela para torcer e se contorcer pela seleção
Isso é porque carregamos o DNA de campeões. Trazemos no peito essa paixão pela adrenalina, pela sensação eletrizante de gritar gol, que bate diferente no fundo da alma de quem está acostumado a vencer. Porque essa é a nossa identidade dentro do futebol; é a história que aprendemos desde a infância: nós somos os maiores campeões do mundo.
Mesmo que nos últimos 24 anos a seleção não tenha conseguido trazer mais uma taça para casa, ainda somos os únicos com cinco estrelas no peito e isso ninguém vai tirar de nós. E essa é uma das razões pelas quais nunca vamos admitir perder.
O Brasil perde em muitos aspectos, mas o futebol brilha
Infelizmente, o nosso país perde, sim, e de lavada em muitos aspectos, como a desigualdade social, a corrupção e a violência. Mas, aos olhos do mundo, temos uma seleção de riquezas brilhando intacta, das quais o futebol segue sendo o capitão. Mesmo assim, as cinco estrelas não garantem a sexta. O futuro permanece incerto. E é exatamente isso que deixa a ideia do título ainda mais saborosa, e torna esse esporte tão apaixonante.
O futebol é como a vida: agridoce
O futebol é agridoce, como a vida também é. Feito de alegrias e tristezas que se misturam o tempo todo. E dessa taça vamos beber até a última gota, torcendo e nos contorcendo, enquanto alimentamos a esperança do hexa, seja na próxima oportunidade ou daqui a 1.460 dias.
Por isso vibre, celebre, aproveite. E não se esqueça: mesmo que esse capítulo não termine como sonhamos, continuaremos a ser os pentacampeões da história.
E aproveito para te lembrar que, ainda que a sua vida esteja mais amarga que doce, e nem mesmo a beleza do futebol consiga colocar um sorriso no seu rosto agora, o Grande Autor da história quer te fazer mais que vencedor. Renda-se a Ele, pois maior do que cinco ou seis estrelas no peito, é a vitória que vence o mundo: a nossa fé na brilhante estrela da manhã.

Rafael Ribeiro/CBF




