14 de maio de 2026

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Copa de 2026: Jogos podem ter calor perigoso, alerta estudo

Esportes Calor 14/05/2026 09:20 Iain Axon cnnbrasil.com.br

Pesquisadores dizem que um quarto dos jogos da Copa do Mundo de 2026 pode ter temperaturas muito altas, que podem fazer mal para jogadores e torcedores. O risco é quase o dobro do que foi na Copa de 1994, nos Estados Unidos.

O sindicato global dos jogadores de futebol renovou nesta quinta-feira as preocupações com o calor durante a Copa do Mundo de 2026, após cientistas alertarem que a chance de temperaturas perigosas para atletas e torcedores aumentou bastante.

Uma análise do grupo de pesquisa climática World Weather Attribution concluiu que cerca de um quarto das 104 partidas do torneio ampliado, que será disputado nos Estados Unidos, México e Canadá, deve ocorrer em condições acima dos limites de segurança recomendados pela FIFPRO.

  • Risco dobrado: O calor extremo ameaça a Copa de 2026. O risco é quase o dobro do que em 1994.
  • Partidas quentes: Cerca de 25% dos jogos podem ter temperaturas acima do seguro para atletas e torcedores.
  • Adiamento necessário: Em cinco jogos, o calor pode ser tão alto que eles precisariam ser adiados.
  • Final ameaçada: A final no MetLife Stadium, em Nova Jersey, tem 12,5% de chance de ter calor perigoso.
  • Proteção: A Fifa promete pausas para hidratação, mas sindicato pede mudanças no calendário.

O índice representa quase o dobro do risco registrado na Copa do Mundo de 1994, realizada nos Estados Unidos.

Segundo os pesquisadores, aproximadamente cinco partidas poderão acontecer em condições consideradas inseguras, cenário em que o adiamento dos jogos seria recomendado.

Os cientistas avaliaram os riscos com base nos horários das partidas e no índice Wet Bulb Globe Temperature (WBGT), que mede a capacidade do corpo humano de se resfriar.

As estimativas sobre a probabilidade de jogos da Copa do Mundo de 2026 serem disputados em condições elevadas de WBGT estão alinhadas com os cálculos publicados pela FIFPRO em 2023, afirmou o diretor médico da entidade, Vincent Gouttebarge.

Essas estimativas justificam a necessidade e a implementação de uma série de estratégias para proteger melhor a saúde e o desempenho dos jogadores quando expostos a condições de calor, acrescentou.

A FIFPRO recomenda medidas de resfriamento quando o WBGT ultrapassa 26 graus Celsius e defende o adiamento das partidas caso o índice supere 28°C, o que equivale a cerca de 38°C em clima seco ou 30°C em ambientes com alta umidade.

A Fifa informou que fez um planejamento especial para o risco de calor, incluindo pausas de três minutos para hidratação em cada tempo das partidas, infraestrutura de resfriamento para jogadores e torcedores, adaptação dos ciclos de trabalho e descanso, além do reforço da preparação médica conforme as condições em tempo real.

A Fifa está comprometida em proteger a saúde e a segurança de jogadores, árbitros, torcedores, voluntários e funcionários, declarou a entidade em nota oficial.

O anestesista consultor do Imperial College London NHS Trust e professor clínico sênior do Imperial College London, Chris Mullington, afirmou que o calor extremo tende a influenciar mais o estilo de jogo do que causar emergências médicas generalizadas entre os atletas.

Será mais uma questão de desempenho do que de saúde. Esses jogadores são atletas de elite e estão acostumados. Veremos atletas dosando o ritmo. Essa regulação térmica comportamental é muito difícil de ser ignorada. Então, poderemos ter um futebol mais conservador, completou.

De acordo com a análise, sistemas de resfriamento devem reduzir parte do risco em três dos 16 estádios-sede.

Mesmo assim, mais de um terço das partidas com pelo menos 10% de chance de ultrapassar os 26°C de WBGT estão programadas para arenas sem ar-condicionado, incluindo cidades como Miami, Kansas City, Nova York e Filadélfia.

Final no MetLife Stadium

Entre elas está a final da Copa do Mundo, marcada para o MetLife Stadium, em East Rutherford, Nova Jersey. O estádio agora apresenta uma chance de uma em oito de ultrapassar o limite de 26°C e um risco de aproximadamente 3% de atingir níveis ainda mais perigosos. O risco é cerca do dobro do observado em 1994, segundo o estudo.

A professora de ciência climática do Imperial College London, Friederike Otto, afirmou que os resultados reforçam a necessidade de a Fifa reconsiderar o período de realização das futuras Copas do Mundo, especialmente em regiões vulneráveis ao calor extremo no verão.

Do ponto de vista da saúde, seria aconselhável realizar essas Copas mais cedo ou mais tarde no ano, para que se tenha uma festa do futebol e não algo que represente um enorme risco à saúde para toda a cidade, afirmou Otto.

A FIFPRO também alertou que, embora estádios climatizados em cidades como Dallas e Houston possam ajudar na proteção dos jogadores, torcedores presentes nos jogos e em festivais ao ar livre continuarão expostos a longos períodos de calor perigoso.