Tricolor se mobilizou para vetar item, que faz homenagem aos camisas negras
Antes mesmo da bola rolar para o primeiro jogo das semifinais da Copa do Brasil, a disputa entre Vasco e Fluminense já havia começado nos bastidores. A torcida cruz-maltina pretendia levar para o Maracanã uma faixa com os dizeres "Tive que lutar contra o seu racismo". Mas os tricolores se movimentaram e conseguiram vetá-la do estádio. A ideia dos vascaínos era estendê-la no setor Leste do Maracanã. A frase é parte de uma música cantada pela torcida em todos os jogos do time. Trata-se de uma homenagem aos camisas negras, nome dado à equipe campeã carioca de 1923, a única na competição a contar com jogadores negros e mulatos. Aquele foi o primeiro dos 24 estaduais conquistados pelo cruz-maltino até hoje e provocou uma revolução no futebol local. Só que o Fluminense enxergou ali uma provocação. Rivais sempre o acusaram de ter um passado racista, pecha que o clube tenta combater com trabalhos de pesquisa histórica. A administração do Maracanã, da qual o Fluminense faz parte, proibiu então a faixa sob o argumento de que era provocativa. Segundo os tricolores, tudo ocorreu com a anuência do Batalhão Especial de Policiamento em Estádios, o Bepe, que concordou com a justificativa. Outras faixas foram liberadas e estendidas. Entre elas, "O legítimo clube do povo", "Clube do povo" e "Respeito, igualdade e inclusão". Em campo, os cruz-maltinos levaram a melhor na disputa. O time de Fernando Diniz venceu, de virada, por 2 a 1. Agora, tem a vantagem do empate na segunda partida, domingo, também no Maracanã, para avançar à decisão.
Keno e Paulo Henrique disputam a bola no Maracanã durante Vasco x Fluminense pela semifinal da Copa do Brasil Foto: Lucas Merçon/Fluminense


