05 de novembro de 2026

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Energia barata no Brasil pode causar prejuízos bilionários em 2026

Economia Energia 05/11/2026 14:58 Philipe Kilzer, Grupo Bolt

O preço da energia oscilou 28 vezes em poucas horas, mostrando que buscar apenas o menor valor no mercado livre é um risco financeiro. Empresas podem quebrar se não contratarem contratos de proteção adequados.

No dia 1 de setembro de 2026, o valor da energia elétrica no Brasil sofreu uma variação extrema. Às 10h da manhã, o preço estava em R$ 57 por megawatt-hora (MWh). Apenas oito horas depois, às 18h, o custo saltou para R$ 1.611, que é o limite máximo permitido pelas regras do setor.

Esse fenômeno ocorreu porque o sol se pôs e o vento diminuiu, enquanto o consumo aumentava no fim do expediente. A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) registrou esse salto de 28 vezes sem que houvesse apagões, acidentes ou crises graves. Essa instabilidade exige uma mudança na forma como as empresas contratam sua energia.

  • O preço da energia subiu 28 vezes em 8 horas em 2026.
  • Mercado livre exige gestão de risco, não apenas busca pelo menor preço.
  • Contratos longos funcionam como seguros contra picos de preço.
  • Renováveis causam oscilações diárias de alta intensidade.
  • Reforma de 2025 abre mercado para pequenas empresas e residências.

A ilusão do menor preço e a analogia do seguro

A visão tradicional trata contratos de longo prazo como apostas: se o preço cair, a empresa teria pago demais. Porém, para quem tem demanda estável, a lógica é diferente. É como o seguro do carro: paga-se todo ano, mas o objetivo é evitar o prejuízo em dias ruins.

Quando uma empresa contrata energia em excesso, ela vende o que sobra no mercado de curto prazo. O prejuízo nesse caso é limitado. Se a empresa contrata menos do que precisa, ela é obrigada a comprar a diferença na hora, podendo sofrer prejuízos muito maiores. Em 2026, a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) fixou o preço mínimo em R$ 57 e o máximo em R$ 1.611.

Com um contrato fechado a R$ 200 por MWh, cada unidade de energia que sobra representa uma perda de até R$ 143. Já cada unidade que falta pode custar R$ 585 a mais, quatro vezes mais caro, especialmente nas horas de pico. Por isso, a pergunta correta não é apenas