05 de novembro de 2026

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Jovens brasileiros consertam a casa apenas quando algo quebra, aponta pesquisa

Economia Manutenção 05/11/2026 10:18 Obramax

Levantamento nacional revela que quase 2 em cada 10 jovens de 18 a 29 anos só realizam reparos domésticos após a quebra, principalmente por falta de dinheiro. Morar de aluguel e a alta dos preços contribuem para o adiamento de manutenção preventiva.

Uma pesquisa nacional exclusiva revela que 18,2% dos jovens de 18 a 29 anos realizam consertos em casa apenas quando algo quebra. Entre os brasileiros com 50 anos ou mais, esse índice é menor, ficando em 11,9%. O cenário é influenciado pelo fato de que quatro em cada dez jovens moram em imóveis alugados, e a falta de dinheiro é o principal motivo para adiar reparos.

O levantamento foi encomendado pela Obramax e ouviu 509 pessoas em 2026. Os dados mostram que a geração mais jovem é a que mais age apenas após a ocorrência do problema, diferentemente dos mais velhos, que tendem a ser mais preventivos.

  • Falta de dinheiro: É o principal motivo para os jovens adiarem reparos.
  • Alta do aluguel: Os preços subiram 7,11% no ano, acima da inflação.
  • Imóvel alugado: Gera dúvida sobre quem é responsável pelo conserto.
  • Custo emergencial: Jovens gastam mais em reparos de última hora.
  • Falta de planejamento: Apenas 6,6% dos jovens se consideram planejados.

O impacto do aluguel nas finanças da casa

Morar de aluguel explica esse comportamento por dois motivos principais. O primeiro é o orçamento. Como 39,6% dos jovens ouvidos vivem de aluguel, o valor do aluguel consome grande parte da renda. A falta de dinheiro aparece como o principal motivo para adiar obras (46,8%). Além disso, o preço dos aluguéis subiu 7,11% de janeiro a setembro de 2026, segundo o índice FipeZap, superando a inflação oficial (IPCA) de 3,95% no mesmo período. Isso deixa menos sobra para consertos.

O segundo motivo é a insegurança sobre a responsabilidade. A Lei do Inquilinato determina que o proprietário deve entregar o imóvel em boas condições e responder por defeitos antigos. O inquilino, por sua vez, deve cuidar do imóvel como se fosse seu e avisar sobre danos. A dúvida de quem deve pagar pelo reparo faz muitos jovens esperarem, evitando gastos desnecessários.

Orçamento apertado e medo de surpresas

Para quem aluga, o aluguel é um custo fixo e crescente. Muitos jovens não veem urgência em consertar antes que quebre. Apenas 43,9% concordam totalmente que adiar consertos sai mais caro, enquanto 69,2% dos idosos concordam. Além disso, 40,3% dos jovens têm receio de encontrar problemas ocultos, como fiação antiga ou vazamentos, contra 58,3% dos mais velhos. Essa postura reativa leva a gastos maiores no futuro.

"Na primeira casa, quase sempre alugada, o aluguel vem primeiro e a manutenção vira o que se resolve quando aparece. Só que uma infiltração pequena hoje pode virar um reparo bem maior amanhã. Olhar a casa com regularidade, mesmo no aluguel, protege o bolso e evita conflito com o proprietário", afirma Rafael Sales, diretor comercial da Obramax.

Conserto de emergência pesa no bolso

Mais da metade dos jovens (50,4%) faz manutenção apenas corretiva, ou seja, quando quebra. Em média no Brasil, esse índice é de 47,1%. A geração é dividida: 31,4% também fazem manutenção preventiva, contra 21,1% da média nacional. Os problemas já existem: 41,3% dos jovens já enfrentaram vazamentos e 38,8%, infiltrações. Quando o conserto é tardio, o custo é alto. 36,4% dos jovens fizeram de três a cinco consertos nos últimos 12 meses. Além disso, 11,6% gastaram entre R$ 3.001 e R$ 5.000 em uma única emergência. Para 27,3% dos jovens, esse gasto atrapalha o pagamento das contas do mês ou gera dívidas.

Quem chamar para consertar

Na hora de contratar, os jovens têm menos profissionais de confiança conhecidos. 40,5% contratam quem já conhecem, enquanto 58,0% dos mais velhos fazem isso. Os jovens recorrem mais a indicações de lojas de materiais (17,4%) e a plataformas digitais (9,9%). A falta de uma rede própria de confiança leva a uma busca mais ampla, muitas vezes em sites e aplicativos.

O momento de planejar com o 13º salário

A proximidade do pagamento do 13º salário e da Black Friday traz uma oportunidade. A primeira parcela pode ser paga até novembro e a segunda até 20 de dezembro. É um momento de folga no orçamento. Em 2024, 54% dos brasileiros planejavam usar parte do 13º para compras de fim de ano. Para quem tem a falta de dinheiro como freio, é a época ideal para revisar a casa. Entre os jovens que se planejam, 13,2% nunca revisaram a parte elétrica, 17,1% nunca olharam a hidráulica e 23,7% nunca cuidaram do telhado. Separar parte do 13º para revisão é mais barato que um reparo de emergência de última hora.

"Antes de decidir o que fazer com o 13º, vale olhar a casa. Uma revisão simples de elétrica, hidráulica e telhado, mesmo em imóvel alugado, com o proprietário avisado, evita que um problema pequeno estrague o fim de ano", afirma Rafael Sales.

O hábito de planejar a manutenção ainda está em formação no Brasil. Na média da pesquisa, só 6,3% dos brasileiros se consideram muito planejados. Entre os jovens de 18 a 29 anos, a proporção é de 6,6%. É nesta fase que a rotina de prevenção pode ser criada, evitando que o conserto vire uma urgência cara no futuro.