Estudo revela que 23% dos brasileiros pretendem alugar imóveis nos próximos dois anos, buscando flexibilidade e conveniência em vez da compra, enquanto aluguéis sobem 9,16% em 12 meses.
Cresce entre os brasileiros a disposição de viver de aluguel por escolha, e não apenas como alternativa à compra de um imóvel. Uma pesquisa realizada pela Brain Inteligência Estratégica com 1.200 pessoas de todas as regiões do país mostrou que 23% dos entrevistados tinham a intenção de alugar um imóvel nos 24 meses seguintes. Entre aqueles que afirmaram que morariam de aluguel mesmo tendo condições financeiras para comprar, o percentual chegou a 27%. Isso indica que, para uma parte dos consumidores, a locação deixou de ser um plano B e passou a ser uma decisão consciente.
A decisão de alugar está relacionada tanto a fatores econômicos quanto à busca por flexibilidade. Entre aqueles que disseram que morariam de aluguel mesmo podendo comprar um imóvel, 50% apontaram condições econômicas vantajosas como principal motivo. Eles citaram a relação entre o valor do aluguel e o rendimento de aplicações financeiras, como a possibilidade de investir o dinheiro que seria usado para pagar a entrada de um imóvel. Levantamentos anteriores da Brain também identificaram a flexibilidade para mudanças de estilo de vida ou de localização entre as principais motivações.
- O que a pesquisa mostrou: 23% dos brasileiros pretendem alugar nos próximos 24 meses.
- Escolha consciente: 27% afirmam que alugariam mesmo podendo comprar.
- Motivo financeiro: Metade prefere alugar para investir o capital em aplicações.
- Preços: Os aluguéis subiram 9,16% em 12 meses, acima da inflação oficial.
- Tendência global: O modelo "multifamily" (edifícios gerados profissionalmente) cresce no Brasil.
Flexibilidade e mobilidade nas decisões de moradia
Na prática, alugar permite mudar com mais facilidade de cidade ou bairro, adequar o tamanho do imóvel às necessidades de diferentes fases da vida e acompanhar mudanças profissionais ou pessoais sem assumir um compromisso imobiliário de longo prazo. Esse comportamento pode atender profissionais em diferentes momentos de carreira, pessoas que mudam de cidade com frequência, casais sem filhos e consumidores que valorizam maior flexibilidade. A mudança acontece em um cenário em que a casa própria continua sendo um objetivo para muitas famílias, mas deixa de ser a única opção considerada. Para parte dos consumidores, o aluguel passa a integrar uma decisão de moradia que leva em conta mobilidade, conveniência e liberdade para adaptar onde e como viver às prioridades de cada momento.
Aluguéis disparam e superam a inflação
Os preços anunciados de locação também seguem em trajetória de alta. Segundo o Índice FipeZAP de Locação Residencial, em agosto de 2026 houve avanço de 0,55%, após alta de 0,70% em julho. No acumulado de janeiro a agosto, a valorização chegou a 6,56% e, em 12 meses, a 9,16%. Esse índice está acima da variação de 4,22% do IPCA (inflação oficial) no mesmo período. O levantamento acompanha os preços anunciados de locação residencial em 36 cidades brasileiras. Mesmo com o aumento, parte dos entrevistados prefere a liquidez e a liberdade que o aluguel oferece em relação à compra direta.
Especialista aponta mudança cultural no mercado imobiliário
Para Cristiano Viola, diretor de Operações da Greystar, o aluguel deixou de representar apenas uma solução transitória e passou a ocupar outro espaço nas decisões de moradia. "O aluguel deixou de ser visto como um intervalo entre uma moradia e outra. Hoje, ele representa liberdade de escolha. Muitas pessoas preferem investir em uma experiência de moradia que acompanhe seu estilo de vida, sem abrir mão da mobilidade ou assumir compromissos de longo prazo. Essa mudança reflete uma transformação cultural que já acontece em diversos mercados internacionais e ganha força também no Brasil", destaca. Essa visão é compartilhada por investidores e consumidores que buscam praticidade sem comprometer sua qualidade de vida futura.
Modelo multifamily ganha espaço no Brasil
Esse cenário também abre espaço para o crescimento do multifamily, um modelo em que empreendimentos são desenvolvidos e administrados profissionalmente para locação. O formato reúne gestão especializada, serviços, manutenção e áreas compartilhadas, incorporando à moradia uma estrutura voltada às necessidades cotidianas dos residentes. Além da infraestrutura física, esse tipo de empreendimento pode reunir espaços e serviços como coworking (espaços de trabalho compartilhados), academia, áreas de convivência e programação de eventos. A proposta acompanha justamente a busca por praticidade e por uma moradia capaz de se adaptar a diferentes momentos da vida, oferecendo uma experiência completa ao morador.
Na prática, essa transformação aparece nos empreendimentos Ayra by Greystar, que combinam apartamentos com coworking, academia, espaços de convivência, eventos de comunidade, gestão profissional e serviços. "O modelo multifamily reúne apartamentos modernos, serviços e áreas compartilhadas que atendem a um perfil de morador que busca praticidade sem abrir mão da qualidade de vida", completa Viola. A iniciativa busca trazer para o mercado brasileiro um padrão de serviço que é comum em grandes centros internacionais, onde a conveniência é prioridade máxima.
O futuro da moradia: experiência em vez de posse
O que muda, portanto, não é apenas a relação entre comprar e alugar, mas o que parte dos consumidores espera de uma moradia. Os brasileiros agora buscam flexibilidade para acompanhar diferentes momentos da vida, serviços que simplifiquem a rotina e uma experiência residencial compatível com suas prioridades. Essa nova lógica sugere que o mercado imobiliário brasileiro está passando por uma maturação, onde o bem-estar e a adaptabilidade pesam mais do que apenas a posse do bem imóvel. A tendência deve fortalecer o setor de serviços e a gestão de propriedades em todo o país, transformando a forma como os brasileiros enxergam o seu lar.

Imagem ilustrativa sobre a nova dinâmica de moradia no Brasil





