04 de novembro de 2026

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Brasileiros ficam mais endividados: só 27% se sentem seguros financeiramente, aponta pesquisa

Economia Inflação 04/11/2026 11:15 Ipsos

Novo estudo global revela que a situação financeira dos brasileiros piorou, com queda de 6 pontos nos que se consideram confortáveis. Pesquisa indica que a maioria espera aumento nos preços de alimentos e energia para o próximo ano.

Novembro de 2026

A forma como os brasileiros enxergam a própria situação financeira piorou no último ano. De acordo com a nova pesquisa Ipsos Cost of Living Monitor 2026, apenas 27% da população afirma estar em uma posição financeira confortável ou razoável. Esse número caiu 6 pontos percentuais em relação a setembro de 2025. No momento, 34% das pessoas relatam ter dificuldades para gerenciar suas finanças, enquanto outras 34% conseguem apenas fechar o mês no azul. O cenário é marcado por muita preocupação com o custo de vida e dúvidas sobre como os preços vão se comportar.

  • Só 27% dos brasileiros se sentem financeiramente seguros, uma queda de 6 pontos em um ano.
  • 34% da população admite que está com dificuldade para pagar as contas.
  • 55% esperam gastar mais com alimentação nos próximos seis meses.
  • A pesquisa global abrangeu 33 países e mostra que o Brasil segue tendência de aperto.
  • 72% dos brasileiros apontam as políticas do governo como fator para a alta dos preços.

Brasil acompanha crise financeira da América Latina

O levantamento, realizado pela Ipsos em 33 países entre agosto e setembro de 2026, mostra que o Brasil segue a mesma linha observada em outros países da América Latina, onde parte da população relata apertos no orçamento e piora na economia percebida. Na comparação internacional, a situação é mais crítica em países como a Argentina e o Chile, onde 60% e 56% dos entrevistados, respectivamente, afirmam enfrentar dificuldades financeiras. No Peru, esse percentual chega a 42%, enquanto México e Colômbia registram 41% cada.

O Brasil também está no grupo de países onde a parcela da população com dificuldade financeira (34%) é maior do que a daqueles que se consideram confortáveis ou razoáveis (27%). Embora o número de brasileiros com dificuldades não tenha subido em relação ao ano anterior, houve uma queda de 6 pontos percentuais na proporção dos que avaliam positivamente suas condições financeiras, saindo de 33% para 27%.

Os resultados mostram que a preocupação com o custo de vida vai além da dificuldade imediata de pagar as contas. A redução na parcela de brasileiros que se consideram financeiramente confortáveis indica uma percepção de maior vulnerabilidade econômica, mesmo entre aqueles que conseguem administrar suas despesas. Quando essa sensação se combina com a expectativa de aumento dos preços e dos gastos essenciais, cresce também a incerteza em relação ao futuro, analisa Diego Pagura, CEO da Ipsos no Brasil.

Custo de vida preocupa em diferentes partes do mundo

O estudo também revela que a pressão sobre o custo de vida continua sendo uma preocupação internacional. Em média, nos 33 países pesquisados, 27% dos entrevistados afirmam enfrentar dificuldades financeiras, enquanto 32% dizem conseguir apenas equilibrar suas contas. Outros 38% consideram sua situação confortável ou razoável. As diferenças são mais acentuadas quando considerada a renda familiar. Entre os entrevistados de menor renda, 38% relatam dificuldades financeiras, percentual que cai para 25% entre aqueles de renda média e 20% entre os de renda mais alta.

Outro dado que chama atenção é a percepção sobre os fatores responsáveis pela alta dos preços. Para 76% dos entrevistados, em média, guerras e conflitos internacionais e suas consequências contribuem para o aumento do custo de vida. A situação da economia global é mencionada por 74%, seguida pelas políticas dos governos nacionais (70%), pelas taxas de juros (67%) e pelos lucros excessivos das empresas (63%).

No Brasil, 72% apontam as políticas do governo nacional como um dos fatores que contribuem para o aumento do custo de vida, enquanto 70% mencionam guerras e conflitos internacionais e suas consequências e 69%, a situação da economia global.

Perspectivas para 2027: inflação e despesas ainda preocupam

As expectativas para os próximos meses também indicam cautela. Em média, 68% dos entrevistados nos 33 países acreditam que a taxa de inflação aumentará no próximo ano. Além disso, 57% esperam crescimento do desemprego, outros 57% preveem aumento dos impostos e 53% acreditam que as taxas de juros subirão.

No Brasil, 61% dos entrevistados acreditam que as taxas de juros aumentarão nos próximos 12 meses, enquanto 57% esperam aceleração da inflação e 55% preveem aumento dos impostos. A pesquisa também mostra que 38% dos brasileiros acreditam que seu padrão de vida melhorará no próximo ano, enquanto 20% esperam uma piora. As despesas domésticas também estão no radar. Globalmente, 70% esperam pagar mais por energia e serviços essenciais nos próximos seis meses. Entre os brasileiros, 55% preveem aumento dos gastos com alimentação, 51% com outras compras domésticas e 51% com energia e serviços essenciais, como gás e eletricidade.

A percepção de que a inflação demorará a voltar a níveis considerados normais também se intensificou. Globalmente, 65% acreditam que isso ocorrerá somente depois de 2027 ou que a inflação nunca retornará a um ritmo considerado normal. No Brasil, esse percentual chega a 64%, uma alta de 2 pontos percentuais em relação a 2025. Os resultados reforçam que, mesmo diante de diferenças econômicas entre os países, o custo de vida permanece como um desafio para as famílias e uma fonte de incerteza sobre o futuro.

Metodologia da pesquisa

O Ipsos Cost of Living Monitor 2026 foi realizado pela Ipsos, por meio da plataforma online Global Advisor, entre 21 de agosto e 4 de setembro de 2026, com 23.531 entrevistados em 33 países. No Brasil, a amostra foi de aproximadamente mil pessoas. Os dados foram ponderados para refletir o perfil demográfico dos mercados pesquisados. No caso brasileiro, a amostra online representa um segmento mais urbano, escolarizado e/ou de maior renda da população.