Relatório da Abimetal-Sicetel aponta retração da produção e importação elevada de aço processado, com impacto negativo em máquinas e equipamentos, enquanto o setor automotivo mantém desempenho relativamente melhor.
A indústria processadora de aço no Brasil está enfrentando uma crise de demanda em 2026, com uma retração acumulada de 11,3% no ano, segundo dados analisados até agosto. Um relatório periódico econômico da Abimetal-Sicetel (Associação Brasileira da Indústria Processadora de Aço e Sindicato Nacional da Indústria Processadora de Aço) indica que a atividade econômica desacelerou a partir do segundo semestre de 2025, pressionando o setor.
Embora as importações de produtos processados de aço tenham caído em comparação com 2025, os volumes continuam em patamares elevados historicamente, mantendo a pressão competitiva sobre as empresas nacionais. Os dados são baseados na Pesquisa Industrial Mensal - Produção Física (PIM-PF) do IBGE e nas estatísticas de comércio exterior do Comex Stat.
- Retração de 11,3% na produção de aço processado no acumulado de 2026 até agosto.
- Importações caíram em relação a 2025, mas seguem acima dos níveis de 2024 e de meses anteriores do ano.
- Setor de máquinas e equipamentos caiu 7,8%, enquanto produtos de metal recuaram 2,8%.
- A indústria automotiva apresenta desempenho relativamente melhor, mas não compensa a perda no mercado geral.
- Presidente da Abimetal-Sicetel alerta para a necessidade de políticas que equilibrem a concorrência com produtos importados, especialmente chineses.
Demanda interna fraca intensifica pressão sobre a indústria
A queda na atividade é observada em diversos segmentos atendidos pelo segundo elo da cadeia do aço. Entre os associados da Abimetal-Sicetel, estão fabricantes que fornecem insumos para máquinas, equipamentos e implementos agrícolas e industriais, mercados que sentem com mais força a perda de ritmo da economia. A indústria automotiva surge como uma exceção relativa, com desempenho mais favorável no cenário atual.
O fraco desempenho das indústrias ligadas à cadeia do aço em 2026 é evidenciado pelos resultados do setor de máquinas e equipamentos e da fabricação de produtos de metal. Esses segmentos acumulam quedas de 7,8% e 2,8%, respectivamente, no ano. Para comparação, a indústria de transformação como um todo apenas recua 0,1%, mostrando que o impacto é mais severo na cadeia do aço.
Importações caem, mas mantêm alto nível competitivo
A análise da Abimetal-Sicetel destaca que a desaceleração das importações em 2026 deve ser vista com cautela. Embora os volumes acumulados no ano estejam abaixo dos registrados em 2025, eles permanecem elevados, superando os valores de 2024 ao longo de todo o período. Isso mantém uma forte pressão sobre os fabricantes brasileiros, que competem com produtos estrangeiros de baixo custo.
Ricardo Martins, presidente da Abimetal-Sicetel, afirma que os números mostram uma combinação preocupante: o volume importado diminui, mas continua alto, enquanto o consumo de aço no mercado interno perde força. "Os números mostram que não basta olhar apenas para a queda das importações. O que está acontecendo é uma combinação preocupante: o volume importado diminui, mas continua em um patamar alto, enquanto o consumo de aço no mercado interno perde força. Para a indústria processadora, isso significa menos demanda e um ambiente ainda bastante competitivo", explica o dirigente.
Efeito da economia no setor e necessidade de equilíbrio competitivo
O setor de processamento do aço está diretamente ligado ao desempenho da economia brasileira. Quando a indústria reduz produção, investimentos e encomendas, o efeito aparece rapidamente na cadeia do aço. Martins ressalta que empresas associadas fornecem para máquinas e equipamentos que enfrentam esse ambiente de menor demanda. Embora a cadeia automotiva apresente uma dinâmica diferente, ela não representa a totalidade do mercado.
Para o presidente da associação, o cenário reforça a necessidade de políticas que preservem a competitividade da indústria nacional. "Uma redução das importações, embora positiva, não significa por si só uma recuperação do mercado brasileiro. O patamar ainda é elevado e a presença de produtos chineses mantém uma forte pressão competitiva sobre as empresas nacionais. Precisamos de condições mais equilibradas de concorrência, capazes de evitar que a indústria brasileira perca espaço para produtos importados e de preservar sua capacidade de produzir, investir e gerar empregos", conclui Martins.

Indústria processadora de aço (Ajustada por IA)


