Mais da metade dos consumidores já usam inteligência artificial para encontrar produtos e comparar preços. Especialista explica como o varejo precisa mudar para não perder vendas.
Em apenas 7 anos, a Inteligência Artificial já mudou completamente a maneira como os brasileiros compram, principalmente em épocas de promoção como a Black Friday.
A tecnologia está se tornando um "guia pessoal" de compras. Em vez de apenas buscar produtos como faz antigamente na internet, muitos consumidores agora usam a IA para comparar preços, verificar se uma promoção é de verdade, verificar a reputação da loja e até definir qual loja atende suas necessidades.
A mudança é rápida e já está afetando o varejo. Um estudo conjunto do Google com a Ipsos, realizado em janeiro desse ano com 2.749 participantes no Brasil, mostrou que 57% dos consumidores já utilizam ferramentas de inteligência artificial durante suas compras. O cenário mostra uma transformação no comportamento do consumidor.
Como você já faz e como isso muda tudo
De acordo com a mesma pesquisa, 13% das pessoas consultam essa tecnologia em todas as etapas da compra, desde a pesquisa inicial até o momento da decisão final de comprar. Outro levantamento do Google com a empresa Offerwise, feito com 2mil respondentes, indicou que mais da metade chegam à Black Friday já definindo o que querem comprar.
Na Black Friday de 2026, marcada para 27 de novembro, o comportamento de compra já está se alterando significativamente. A tecnologia passa a ser parte da rotina: a maioria das pessoas usa a IA para comparar preços (com cerca de 49% dos entrevistados), verificar se uma loja é confiável (42%) e confirmar se uma promoção é de verdade (47%).
O que você ganha com essa nova forma de comprar
Essa ferramenta de IA funciona como um consultor pessoal. Ao invés de o consumidor ficar horas navegando em vários sites, ele pode usar um assistente para apresentar diferentes opções disponíveis no mercado, respeitando seu orçamento e necessidades. O consumidor continua tomando a decisão final pela conta, mas a tecnologia começa a ajudar na decisão de quais marcas considerar.
Um estudo da Stefanini Marketing com a empresa de tecnologia Gauge apontou que 86% dos consumidores pretendem usar a IA nas compras de novembro. As principais finalidades, como comparar preços (49%) e verificar a confiabilidade das lojas (42%), são cada dia mais comuns na rotina digital dos brasileiros.
Como isso afeta o varejo e as lojas
Para Rodrigo Oliveira, CFO e cofundador da Bull Digital, o desafio mudou. A disputa pela atenção do consumidor começa muito antes de ele visitar um site ou loja. A marca precisa estar presente nas informações consultadas pelas ferramentas de IA, o que exige descrições claras, preços atualizados e estratégias digitais que vão além da publicidade tradicional.
Além do GEO (Generative Engine Optimization) estratégias para tornar informações de produtos mais acessíveis e fáceis de entender pelas ferramentas os varejistas precisam garantir consistência e confiabilidade de informações. Um desconto e uma campanha só funcionam se houver informações consistentes sobre o produto e a condição comercial.
É necessário acompanhar a qualidade do tráfego, as conversões e a aquisição de clientes, sem confundir exposição no resultado da IA com crescimento real de receita Oliveira explica. A conversão continua dependendo da capacidade da empresa de atender às expectativas do consumidor, não apenas de aparecer nas respostas de IA.
5 coisas que você precisa saber:
- 57% dos consumidores já usam Inteligência Artificial para comprar, principalmente na Black Friday.
- 86% dos consumidores querem usar a IA para verificar qual promoção de Black Friday é de verdade. Isso é um novo nível de segurança na compra.
- A IA pode recomendar lojas e marcas que você nunca conheceu e não tinha no radar.
- Uma campanha de Black Friday sem uma boa estratégia de visibilidade na IA pode ser um desperdício.
- A experiência do consumidor na compra (estoque, pagamento e entrega) é o fator decisivo para a compra, mesmo sendo recomendada pelo assistente de IA.
Para garantir uma compra segura, o consumidor está cada vez mais usando recursos de verificação de preços e lojas como parte da rotina antes de fechar uma compra. O varejo, por sua vez, deve se adaptar para continuar sendo encontrado e ofertado para o consumidor que agora tem assistente de IA.
Ainda segundo Oliveira, a IA amplia as possibilidades de descoberta, mas a conversão continua dependendo da capacidade da empresa de atender às expectativas e confiar na experiência oferecida pelo varejo.

Varejo (IA)


