Levantamento aponta aumento nas pesquisas por crédito para quem tem restrição no CPF e necessidade imediata de dinheiro, com 'empréstimo negativado' chegando a 750 mil buscas mensais.
As buscas por empréstimo para negativados estão mudando no Brasil. Entre o segundo trimestre de 2025 e o mesmo período de 2026, as pesquisas por "empréstimo para negativado urgente" cresceram pelo menos 27% no Google. Já o termo "empréstimo negativado" avançou 7%, segundo a edição Q2/2026 do Índice Juros Baixos de Empréstimo (IJBE).
O levantamento mostra que expressões relacionadas à necessidade imediata de dinheiro ganharam espaço. "Empréstimo urgente" cresceu pelo menos 40%, enquanto "empréstimo para pagar dívidas" subiu 11%. Na direção contrária, "empréstimo para investir" foi o único termo com queda identificada, de pelo menos 8%.
- A busca por "empréstimo urgente" teve o maior crescimento, de 40%.
- "Empréstimo para negativados" registra cerca de 750 mil buscas mensais.
- O valor médio pedido no empréstimo na conta de luz subiu 25,4%.
- Juros do crédito pessoal atingiram 7,07% ao mês em junho de 2026.
- 24,5% do crédito pessoal não consignado agora é usado para quitar dívidas.
Volume de buscas para crédito de negativados
Além do crescimento das pesquisas relacionadas à urgência, o volume de buscas por crédito para negativados também chama a atenção. Segundo o IJBE Q2/2026, "empréstimo negativado" e "empréstimo pessoal" registram cerca de 750 mil buscas mensais cada. Os termos aparecem em patamares tão próximos que não é possível afirmar qual deles concentra mais pesquisas.
Já "empréstimo com garantia" registra aproximadamente 4,5 mil buscas por mês, um volume mais de 150 vezes menor. A modalidade permite oferecer um bem, como veículo ou imóvel, como garantia da operação. Em algumas instituições, essa condição pode resultar em juros menores e também permitir a análise de propostas de pessoas negativadas.
A contratação, porém, depende das regras de cada instituição, e o consumidor precisa considerar o risco de perder o bem caso não consiga pagar as parcelas. Os volumes de busca são estimativas do Google Keyword Planner e não representam a quantidade exata de pessoas interessadas ou com restrições no CPF.
Dívidas ganham espaço no mercado de crédito
O interesse por empréstimos para pagar dívidas também encontra um paralelo nos dados do mercado de crédito. Segundo o Banco Central, a participação das concessões de crédito pessoal não consignado destinadas à composição de dívidas passou de 21,5% em abril de 2025 para 24,5% em junho de 2026, o maior percentual dos 15 meses analisados pelo IJBE.
Essa categoria reúne operações classificadas pelo Banco Central como vinculadas à composição de dívidas, e não declarações dos consumidores sobre o motivo da contratação. Embora não seja possível afirmar que as pessoas que pesquisam empréstimos para negativados sejam as mesmas que contratam essas operações, os dois indicadores mostram a relevância da reorganização de dívidas nas pesquisas e no mercado de crédito.
Consumidores pedem mais dinheiro apesar dos juros altos
Na plataforma da Juros Baixos, o valor médio solicitado também aumentou em três das quatro modalidades de empréstimo acompanhadas pelo IJBE. A maior alta ocorreu no empréstimo na conta de luz, em que as parcelas são cobradas diretamente na fatura de energia elétrica. O valor médio pedido passou de R$ 1.644 para R$ 2.062 entre o segundo trimestre de 2025 e o mesmo período de 2026, crescimento de 25,4%.
Os números representam os valores informados nas simulações, antes da análise das instituições financeiras. O levantamento não identifica quantos desses pedidos foram feitos por consumidores negativados. O aumento ocorreu em um período de juros mais altos. Segundo o Banco Central, a taxa média do crédito pessoal não consignado passou de 6,20% ao mês, em abril de 2025, para 7,07% em junho de 2026, o maior patamar dos 15 meses analisados.
Nesse intervalo, a Selic chegou a 15% ao ano e depois retornou aos 14,25% registrados no início da série. Mesmo com a redução da taxa básica, o custo médio do empréstimo pessoal terminou o período mais alto. "Quem pesquisa empréstimo para negativados já está preocupado com as dificuldades que a restrição no CPF pode trazer. E, com os juros altos, não basta encontrar uma oferta de crédito. É importante entender quanto será pago até o fim do contrato e comparar as alternativas", afirma Arthur Bonzi, cofundador e COO da Juros Baixos.
O que é o IJBE
O IJBE (Índice Juros Baixos de Empréstimo) é um levantamento da Juros Baixos sobre o comportamento do mercado de crédito no Brasil, reunindo dados públicos e informações agregadas sobre o comportamento dos consumidores que utilizam a plataforma. A edição Q2/2026 analisa o período de abril de 2025 a junho de 2026, combinando séries oficiais do Banco Central com dados de simulações e contratos da Juros Baixos.
O estudo também acompanhou o interesse dos brasileiros por diferentes modalidades de empréstimo a partir de dados do Google Trends e do Google Keyword Planner. As informações da plataforma representam o comportamento de seus usuários, não de toda a população brasileira. Os relatórios publicados têm acesso público e gratuito.

Gráfico ilustra a variação nas buscas por diferentes tipos de empréstimo no Google


