Com o fim da medida provisória, o limite para descontos na aposentação volta a 45%. Especialista alerta que isso não significa crédito automático e orienta usar o recurso apenas para trocar dívidas caras por juros mais baixos, evitando novas parcelas desnecessárias.
A margem consignável do INSS voltou a ser de 45% em setembro de 2026. Essa mudança ocorreu após o término da Medida Provisória 1.355/2026, que tinha reduzido o limite para 40%. Embora as regras de desconto sobre aposentadorias e pensões tenham mudado novamente, isso não garante que os aposentados tenham crédito liberado automaticamente. É preciso cautela para evitar novas dívidas.
Com o fim da medida, voltou a valer a divisão clássica: 35% do benefício para empréstimos, 5% para cartão de crédito consignado e 5% para cartão benefício. No entanto, novas operações nos dois tipos de cartão continuam suspensas por decisão do Tribunal de Contas da União (TCU). A volta aos 45% não significa que todos possam pegar mais dinheiro emprestado. Durante a medida provisória, o limite era unificado em 40%. Agora, o teto para empréstimos voltou a ser de 35%. Por exemplo, para quem recebe R$ 2.000, o máximo de parcelas é de R$ 700, e não R$ 800. Quem usava parte da margem com cartões antes, que estava limitado a 30% para empréstimos, agora volta a ter 35% disponíveis. A situação varia de pessoa para pessoa, dependendo dos contratos existentes.
- O limite total voltou a 45%, mas a parte disponível para novos empréstimos é de 35%.
- Novas operações de cartão consignado e cartão benefício seguem suspensas pelo TCU.
- O ideal é usar o consignado para trocar dívidas caras (como rotativo do cartão) por juros mais baixos.
- Não assine empréstimos por medo de perder a margem; avalie se a parcela cabe no bolso.
- Analise sempre o Custo Efetivo Total (CET) e não apenas o valor da parcela mensal.
Entendendo o impacto no seu bolso
O Gerente Executivo de Crédito na meutudo, Daniel Mello, explica que a margem é o ponto mais sensível do crédito consignado. "Margem é o item mais sensível do consignado, porque ela não muda só a regra do banco muda o orçamento da família no mês seguinte", afirma o especialista. A alteração nos limites afeta diretamente o quanto sobra de dinheiro no orçamento familiar após os descontos.
Quando vale a pena contratar
Para quem tem espaço na margem, a principal vantagem do consignado é a troca de dívidas. Se você paga juros altos do cheque especial ou do cartão de crédito, usar o consignado pode representar uma economia, pois os juros costumam ser menores. "Usar a margem para trocar dívida, não para criar dívida nova. Eu acho que esse é o principal ganho do consignado: sair do cartão de crédito e do cheque especial e levar isso para uma taxa justa, com a parcela descontada do benefício", orienta Daniel Mello. É importante avaliar também propostas de portabilidade de dívidas existentes, buscando reduzir os juros.
Cuidados ao assinar o contrato
O erro mais comum é olhar apenas para o valor da parcela mensal. Um prazo maior pode deixar a parcela mais pequena, mas aumenta o valor total que será pago até a quitação. "Antes de assinar, olhe o custo total e não só a parcela", recomenda o executivo. O ideal é verificar o Custo Efetivo Total (CET), que soma juros, tarifas, impostos (IOF) e seguros, mostrando o verdadeiro preço do empréstimo. Muitas pessoas, com receio de que o limite diminua novamente, correm para tomar empréstimos mesmo sem precisar do dinheiro. Isso é um erro. Assumir uma dívida desnecessária significa ter o valor descontado do benefício por meses, reduzindo a liquidez para despesas básicas como alimentação e moradia.
Avalie a necessidade real
O cuidado é maior para quem já gasta quase tudo com contas essenciais. Um novo desconto mensal pode deixar o orçamento apertado. Daniel Mello alerta: "O que eu não faria é contratar empréstimo só para 'garantir' a margem antes de uma mudança dívida que você não precisa continua sendo dívida depois que a regra mudar". Portanto, antes de assinar qualquer papel, entenda qual problema o empréstimo resolve. Se a operação não oferece uma vantagem financeira clara, é melhor deixar a margem disponível para uma emergência futura real do que assumir uma dívida desnecessária agora.

Ilustração sobre crédito consignado



