Pequenas e médias empresas e profissionais autônomos têm até 30 de outubro para decidir se vão pagar os novos impostos do Simples Nacional de forma simplificada ou mista, decisão que pode impactar preços e lucros em 2027.
O prazo para pequenas e médias empresas que usam o Simples Nacional decidirem como vão pagar o novo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) a partir de janeiro de 2027 termina nesta sexta-feira (30). A escolha é entre o 'Simples Puro', modelo tradicional, e o 'Simples Híbrido', uma novidade da reforma tributária.
Essa decisão afeta diretamente médicos, advogados, consultores, desenvolvedores e outros profissionais que atuam como Pessoa Jurídica (PJ) e vendem serviços para empresas. Eles precisarão avaliar como a mudança pode influenciar o valor dos seus contratos e quanto sobra no final do mês (lucro líquido) no próximo ano.
- Créditos Tributários: Clientes que pagam impostos no regime regular podem abater valores dos impostos que pagam aos fornecedores. Quanto maior o crédito, maior a vantagem para o cliente.
- Impacto no Preço: No modelo híbrido, o profissional PJ pagará mais impostos, o que pode forçar a aumentar o preço dos serviços para manter o mesmo lucro.
- Diferença Financeira: A Caveo calculou que, a cada R$ 10 mil de serviço prestado, a diferença no crédito gerado para o cliente é de cerca de R$ 1.014,00 a favor do regime regular.
- Prazo: A opção pelo modelo que gera mais créditos para o cliente (híbrido) deve ser feita até 30 de outubro para valer no primeiro semestre de 2027.
- Ferramenta: A fintech Caveo lançou uma calculadora gratuita para ajudar os profissionais a simular os cenários.
O que muda na negociação com clientes
Clientes que estão no regime regular de impostos podem aproveitar créditos de IBS e CBS. Isso significa que eles 'abatem' parte do imposto pagado aos fornecedores do imposto devido ao governo. Se o seu fornecedor (você, como profissional PJ) estiver no Simples Puro, o crédito que ele consegue é menor. Se você optar pelo Simples Híbrido (regime regular), o crédito para o cliente aumenta bastante.
Essa diferença faz com que empresas cliente queiram contratar profissionais que ofereçam mais crédito tributário. Na prática, isso pode tornar o regime tributário do prestador de serviços um ponto de negociação no preço do contrato.
Exemplo prático: quanto custa a mudança
A Caveo, uma fintech de contabilidade para profissionais PJ, fez uma simulação para serviços não médicos. Em 2027, um pagamento de R$ 10 mil por serviços gera cerca de R$ 93,60 em créditos para a empresa contratante se o fornecedor estiver no Simples Puro.
Se o mesmo profissional recolher os impostos pelo regime regular (Simples Híbrido), o crédito para a empresa contratante sobe para R$ 1.107,29. A diferença é de aproximadamente R$ 1.014. Esse é exatamente o valor a mais que o prestador de serviços terá que pagar em impostos ao escolher o modelo híbrido. Esse valor é a moeda de troca na negociação: o profissional paga mais imposto para que o cliente tenha mais crédito.
Detalhes das alíquotas para 2027
É importante notar que as alíquotas oficiais de 2027 ainda não foram definidas pelo Congresso, mas a simulação usa os valores de referência calculados pelo Tribunal de Contas da União (TCU).
Em 2027, a CBS (substituindo o PIS e a Cofins) deve ter alíquota de 11,20% e o IBS de 0,10%. Somados, dão 11,30%. O imposto total (IVA dual) de 30% só começará a valer totalmente a partir de 2029, quando o IBS substituir o ISS. Até lá, a transição será gradual.
Como se preparar para a nova realidade
A escolha do regime não é uma decisão única para todos. Dependendo do seu faturamento, dos seus custos e de quem são seus clientes (pessoas físicas ou jurídicas), um modelo pode ser mais vantajoso que o outro. Profissionais que atendem muitas empresas devem estar atentos, pois serão pressionados a oferecer o regime que gera mais crédito para o cliente.
Hospitais e grandes empresas já sinalizam preferência por profissionais cujo regime tributário permita maior aproveitamento de créditos. Essa lógica deve se espalhar para advogados, consultores e criadores de conteúdo que vendem para empresas.
Wilgo Cavalcante, CEO da Caveo, afirma: A Reforma Tributária acrescenta uma variável importante à negociação comercial dos profissionais PJ: além de avaliar quanto precisam cobrar para remunerar seu trabalho e cobrir seus custos, eles terão de entender como o regime tributário influencia o custo da contratação para seus clientes. A escolha precisa considerar os dois lados da conta, sem comprometer a rentabilidade do profissional.
A recomendação é identificar o regime dos principais clientes e conversar sobre como eles pretendem tratar esses créditos em 2027. Isso ajuda a definir se vale a pena mudar para o híbrido ou se é preciso renegociar preços.
Passo a passo para o profissional PJ
Para não ser pego de surpresa, o profissional deve seguir estes passos:
- Mapear a carteira de clientes e descobrir quanto do faturamento vem de empresas (PJ) e quanto de pessoas físicas.
- Conversar com os principais clientes empresariais para entender se eles vão considerar o crédito tributário ao contratar.
- Comparar o imposto a pagar e o lucro final no Simples Puro versus no Híbrido, levando em conta seus custos fixos.
- Recalcular o preço dos seus serviços para garantir que sua margem de lucro não diminua.
- Consultar seu contador e, se a análise indicar que o híbrido é melhor, formalizar a opção até 30 de outubro.
Para ajudar nesta análise, a Caveo disponibiliza uma calculadora gratuita online. A ferramenta permite que o profissional insira sua profissão e faturamento para simular os cenários e ver como a decisão afeta seu bolso.

Prazo para escolha entre 'puro' e 'híbrido' no Simples termina amanhã (30) (Ajustada por IA)


