Aprovada pelo Senado, a lei que reduz a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais sem cortar salários deve aumentar os custos operacionais, impactando fortemente setores como serviços, indústria e varejo, que precisarão readaptar suas equipes.
A redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais pode adicionar R$ 158,4 bilhões à folha das empresas, segundo estimativa da FecomercioSP. O impacto tende a ser maior em setores que dependem de operação contínua, como serviços, varejo, indústria, hotelaria e logística. A pauta mostra como as empresas precisarão recalcular escalas, contratações, horas extras e produtividade para absorver a mudança sem comprometer a operação e as margens.
- A PEC 221/2019, aprovada pelo Senado, reduz a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais.
- O custo adicional estimado é de R$ 158,4 bilhões na folha de pagamento das empresas.
- O setor de serviços concentra o maior impacto, com R$ 76,9 bilhões em custos extras.
- A transição da jornada é gradual, chegando a 40 horas um ano e dois meses após a promulgação.
- A mudança deve beneficiar cerca de 26,8 milhões de trabalhadores formais e informais.
A aprovação do fim da escala 6x1 pelo Senado deve colocar uma nova conta no planejamento das empresas brasileiras. Estudo da FecomercioSP estima em R$ 158,4 bilhões o custo adicional sobre a folha de pagamentos em um cenário de redução da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais. A PEC 221/2019 foi aprovada em dois turnos nesta quarta-feira, 14 de outubro, com dois dias de descanso remunerado por semana e sem redução salarial. Promulgado em 16 de outubro, por meio da Emenda Constitucional nº 141/2026, o texto prevê uma transição: a jornada cai primeiro para 42 horas, dois meses após a publicação da emenda, e chega a 40 horas um ano e dois meses após a publicação.
Setores com operação contínua lideram custos
Os efeitos tendem a ser mais relevantes nas atividades que dependem de equipes presenciais e cobertura contínua de horários. Pelos cálculos da FecomercioSP, o setor de serviços concentraria R$ 76,9 bilhões do custo adicional, seguido pela indústria, com R$ 35,9 bilhões, pelo varejo, com R$ 30,4 bilhões, e pela construção civil, com cerca de R$ 9,7 bilhões. A entidade estima ainda que 62% dos trabalhadores formais estão em jornadas entre 40 e 44 horas semanais. Já levantamento do Dieese aponta que a mudança pode alcançar 26,8 milhões de trabalhadores, entre formais e informais.
Custo da hora trabalhada sobe
Para quem paga o mesmo salário por uma jornada que cai de 44 para 40 horas, o custo da hora de trabalho aumenta cerca de 10%. Isso não significa que toda folha automaticamente crescerá 10%, porque o efeito depende da escala e da produtividade de cada negócio. Mas, se a empresa precisar contratar para manter o mesmo período de funcionamento, o impacto financeiro pode ser bem maior, explica Fábio Edelberg, CEO da Navecon, empresa especializada em gestão e inteligência contábil, financeira, patrimonial e tributária.
A mudança exige atenção principalmente de empresas com operações aos fins de semana ou horários extensos, como comércio, logística, restaurantes, hotéis, supermercados e diversos segmentos de serviços. Segundo Edelberg, o primeiro exercício deve ser mapear quantas horas precisam ser cobertas por semana e quanto dessa cobertura hoje depende da sexta jornada de trabalho.
Orçamento e produtividade em foco
A discussão deixa de ser apenas trabalhista e passa diretamente pelo orçamento. É preciso calcular quantas pessoas serão necessárias para manter a operação, quanto isso adiciona à folha e aos encargos e se há espaço para ganho de produtividade antes de simplesmente aumentar o quadro, afirma.
A transição prevista na PEC dá às empresas pouco mais de um ano para chegar à jornada definitiva de 40 horas, mas a primeira mudança ocorre apenas dois meses após a publicação da emenda. Para o CEO da Navecon, esperar a redução entrar em vigor pode encurtar o tempo para reorganizar contratos, turnos e projeções para 2027. Empresas que dependem fortemente de mão de obra já deveriam colocar esse cenário no orçamento. Escala, custo por hora, necessidade de contratação, horas extras e produtividade precisam ser simulados juntos. O impacto real vai variar muito de empresa para empresa, conclui.

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