26 de outubro de 2026

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Brasileiros desperdiçam energia limpa e ABSOLAR cobra soluções do novo governo

Economia Energia 26/10/2026 14:53 ABSOLAR via TOTUM Comunicação

Entidade alerta sobre corte de 17,2% da geração solar e eólica no primeiro trimestre de 2026 e propõe três compromissos para o ciclo 2027-2030, focando em baterias, emprego e acesso universal à energia solar.

As energias renováveis estiveram no centro no primeiro discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva após a reeleição. A energia limpa foi apontada como uma estratégia para atrair servidores de dados e investimentos na economia digital. Para a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR), esse reconhecimento é positivo, mas vem com um alerta importante: o Brasil está desperdiçando parte da eletricidade limpa que já produz.

Esse desperdício faz o preço da eletricidade subir para a população e para as empresas, o que pesa na inflação. No primeiro trimestre de 2026, 17,2% do potencial de geração solar e eólica do país foi cortado. Esse corte, conhecido como curtailment, acontece cada vez mais por falta de demanda e por não ter onde guardar essa energia.

Pontos principais da notícia:

  • O Brasil cortou 17,2% da sua geração solar e eólica no início de 2026.
  • Os leilões de baterias em dezembro de 2026 são vistos como o primeiro teste do novo ciclo.
  • A ABSOLAR propõe os compromissos Bateria Brasil, Energia que Emprega e Sol para Todos.
  • O objetivo é evitar o desperdício de energia e criar empregos sem aumentar a conta de luz.
  • A entidade pede previsibilidade regulatória e diálogo entre União, Estados e Congresso.

Desperdício de energia e o desafio dos leilões de baterias

A avaliação da ABSOLAR é que o resultado das eleições, com a reeleição do presidente e a renovação do Congresso, abre um novo ciclo. Esse período exige diálogo e acordo entre os poderes. A entidade defende que União, Estados e Legislativo devem trabalhar juntos para dar previsibilidade às regras do setor elétrico. Isso é essencial para destravar investimentos e gerar empregos de qualidade.

Bárbara Rubim, presidente do Conselho de Administração da ABSOLAR, citou a promessa de Lula de fazer o melhor governo da história. Ela afirmou que, para cumprir essa promessa em um país que sofre com eventos climáticos extremos e insegurança jurídica, é preciso dar previsibilidade ao setor elétrico. Isso inclui pagar o devido aos empreendedores cujas gerações foram cortadas e executar bem os leilões de baterias de dezembro.

Ao longo de 2026

O principal teste no curto prazo será a realização dos dois primeiros leilões de reserva de capacidade para compra de sistemas de baterias. Eles estão marcados para 2 e 4 de dezembro de 2026. A entidade destaca a importância de definir quem pagará por esses certames. Eles devem iniciar uma compra anual de armazenamento. Isso ajuda a dar segurança ao sistema elétrico e reduz a necessidade de usar termelétricas, que são mais caras e poluentes.

A ABSOLAR também pede a implementação do Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura (REIDI) para projetos de armazenamento, conforme a Lei nº 15.269/2025. Além disso, cobra a criação de uma lei própria para o armazenamento e a redução do imposto sobre as baterias. Hoje, esse imposto chega a 84,8%, mais que o dobro do cobrado sobre fontes renováveis.

Novo mercado de energia e mudanças na ANEEL

Outro ponto importante é a ampliação do mercado livre de energia para consumidor residencial. A Lei nº 15.269/2025 prevê isso, regulamentado por decreto em agosto de 2026. Isso deve acontecer em novembro de 2027 para comerciantes e indústrias e em novembro de 2028 para a população. A ABSOLAR diz que é preciso ter regras claras e proteger o consumidor durante essa transição.

O novo ciclo também trará mudanças na diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). A associação defende que as indicações sejam técnicas e não partidárias. Assim, garante-se a qualidade da regulação para temas como armazenamento, geração distribuída e modernização das redes.

Rodrigo Sauaia, CEO da ABSOLAR, ressaltou que o Brasil tem condições de usar sua matriz renovável como vantagem competitiva. Isso vale para a atração de indústrias e fabricação de hidrogênio verde. Para isso, o país precisa guardar a energia limpa que hoje joga fora. O governo deve apoiar o consumo interno dessa energia e levar luz solar a quem ainda não tem.

Os três compromissos da ABSOLAR para 2027 a 2030

Bateria Brasil: guardar em vez de jogar fora. A proposta inclui leilões anuais de baterias, com meta de 8 gigawatts de armazenamento até 2030. Também prevê a redução de impostos para baterias e a instalação de baterias junto aos painéis solares já existentes.

Energia que Emprega: consumir no Brasil a energia que hoje é desperdiçada. Isso será feito com servidores de dados, indústrias de baixo carbono, hidrogênio verde e eletromobilidade. Como consequência, a meta é viabilizar 18 gigawatts em novas usinas solares.

Sol para Todos: garantir acesso à energia elétrica para 3 milhões de famílias usando solar e baterias. A ideia também é trocar geradores a diesel por sistemas solares em cidades isoladas, o que reduz custos para os demais consumidores.

A ABSOLAR manterá o diálogo com o governo e o Congresso, independentemente de partido, para criar políticas que tragam segurança energética e desenvolvimento sustentavel.