Com a Selic em 13,75% ao ano, o consórcio cresceu 24,2% e movimentou R$ 389,59 bilhões entre janeiro e agosto de 2026. Especialista explica como usar a modalidade para comprar imóveis, veículos e equipamentos sem os juros dos financiamentos.
Comprar um imóvel para alugar, um carro para trabalhar ou uma máquina para produzir mais são formas de construir patrimônio. Com a taxa básica de juros (Selic) em 13,75% ao ano, muita gente está escolhendo o consórcio para fazer essas compras de forma planejada.
Entre janeiro e agosto de 2026, o consórcio movimentou R$ 389,59 bilhões em créditos, uma alta de 24,2% comparado ao mesmo período do ano passado, segundo a Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC).
- O consórcio cresceu 24,2% e movimentou R$ 389,59 bilhões em 2026.
- Mais de 13,5 milhões de brasileiros estão ativos em consórcios.
- Consórcios de imóveis tiveram alta de 36,3% e somaram R$ 231,9 bilhões.
- A modalidade não cobra juros, mas tem taxa de administração.
- É possível antecipar a compra com lances.
O economista Leonardo Baldez, fundador e CEO do Ecossistema ISF Soluções Financeiras, afirma que o consórcio serve como uma estratégia patrimonial. "O consórcio é uma ferramenta de planejamento. Um imóvel pode gerar renda com aluguel, um veículo pode aumentar a capacidade de trabalho e uma máquina pode elevar a produção. O importante é que cada compra tenha um objetivo financeiro claro", explica.
O número de participantes também aumentou. Em agosto, o setor tinha 13,55 milhões de consorciados ativos, 12,1% a mais do que no ano anterior. Foram vendidas 3,82 milhões de cotas, alta de 15,1%. O consórcio funciona com pagamentos mensais, e o crédito é liberado quando a pessoa é sorteada ou dá um lance.
Imóveis: a alta no setor
O consórcio imobiliário é o que mais cresce. De janeiro a agosto de 2026, os consórcios de imóveis movimentaram R$ 231,90 bilhões, alta de 36,3%. Foram vendidas 1,14 milhão de cotas, um crescimento de 39,9%, segundo a ABAC.
Esses números mostram o interesse de quem quer o primeiro imóvel, uma segunda casa ou renda com aluguel. Nesse último caso, o consórcio funciona bem a longo prazo, quando o comprador pode esperar pela contemplação e pagar as parcelas sem apertar o orçamento.
"O consórcio ajuda a planejar a compra de imóveis pensando na valorização e no rendimento do aluguel. Para aproveitar isso, é preciso avaliar o custo total, a manutenção e o retorno esperado. Assim, a compra pode diversificar o patrimônio e gerar receita no futuro", diz Baldez.
Baldez lembra que a localização, a demanda por aluguel e a capacidade de pagamento até o fim do consórcio são fundamentais. Ser contemplado permite comprar o imóvel, mas o consórcio continua até o fim do grupo.
Consórcio para empresas e produtores rurais
O consórcio não serve só para imóveis. Autônomos, empresários e produtores rurais também podem usar para comprar coisas que geram renda.
Um motorista pode trocar de carro para trabalhar, uma empresa de transporte pode renovar a frota, um pequeno empresário pode comprar equipamentos para atender mais clientes.
"Um equipamento que aumenta a produção ou um carro que permite atender mais clientes ajuda a empresa a crescer. O consórcio distribui o pagamento ao longo do tempo, facilitando a expansão", afirma Baldez.
No agronegócio, dá para comprar tratores, colheitadeiras e outros equipamentos. Segundo a ABAC, os consórcios de máquinas agrícolas tinham 477,55 mil participantes em agosto.
Baldez recomenda que o produtor use o consórcio para planejar a troca de máquinas e não usar crédito para isso. "Ele pode comprar uma máquina futura e deixar as linhas de crédito para custeio e insumos. A escolha deve considerar a época da safra e quando o equipamento vai ser usado", diz.
Lance: como antecipar a compra
Quem quer comprar um imóvel, trocar de carro ou comprar equipamento pode tentar antecipar com um lance. Isso é bom para quem tem reserva financeira e quer acelerar a compra.
Além dos sorteios mensais, o participante pode dar um lance para tentar ser contemplado antes. O resultado depende das regras da administradora, da concorrência e dos recursos do grupo. Conhecer o histórico de lances ajuda a montar uma estratégia, mas não garante.
Baldez diz que o primeiro passo é definir o objetivo e ver se o lance cabe no orçamento. "Quem quer imóvel para alugar pode usar a reserva para dar lance e antecipar. É preciso equilibrar esse valor com as parcelas futuras, sem comprometer a segurança", explica.
Empresários e produtores rurais também podem usar a estratégia. O prazo para a contemplação deve ser pensado conforme a necessidade do bem.
Consórcio como planejamento financeiro
A principal vantagem é não pagar juros como nos financiamentos. O pagamento é dividido em parcelas mensais, e a compra é planejada. Mas é preciso ficar atento à taxa de administração, seguros, fundo de reserva e reajuste das parcelas.
Antes de contratar, avalie o valor do crédito, o prazo do grupo e as chances de ser contemplado. Escolha uma administradora autorizada pelo Banco Central e leia o contrato.
Se você não precisa do bem agora, o consórcio é melhor que o financiamento. Você forma patrimônio aos poucos e ainda pode dar lance para antecipar.
"O consórcio é boa opção para quem quer patrimônio sem juros. Com parcela que cabe no bolso e estratégia para ser contemplado, dá para comprar imóveis, carros ou equipamentos que geram renda", afirma Baldez.
Baldez destaca que o consórcio não é um investimento com rendimento garantido, mas pode ajudar a comprar ativos que valorizam ou geram renda. O resultado depende do bem e do uso.
"Construir patrimônio começa com planejamento. Para uns, é a casa própria; para outros, um imóvel para alugar ou um equipamento para aumentar o faturamento. O consórcio ajuda a realizar essas metas, respeitando o orçamento de cada um", finaliza.





