21 de outubro de 2026

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Quem já caiu em golpe usa Open Finance 25% menos, aponta estudo

Economia Open Finance 21/10/2026 11:25 Yasmin Ferreira / binds.co São Paulo SP

Pesquisa revela que a dor de um golpe financeiro deixa o brasileiro desconfiado da tecnologia. Quase todos mudaram seus hábitos, e muitos passaram a recusar o compartilhamento de dados, o que freia a adoção do sistema de abertura de dados bancários.

Uma nova análise da empresa de dados binds.co revela um impacto significativo das fraudes financeiras no comportamento do consumidor brasileiro. O estudo cruza a experiência negativa com o uso de novas tecnologias e mostra que a desconfiança gerada por golpes afeta diretamente a aceitação do Open Finance.

Entre os brasileiros que já sofreram algum tipo de fraude, apenas 27,8% utilizam o Open Finance. Esse número cai drasticamente quando comparado aos que nunca passaram por essa situação, entre os quais 36,8% usam a tecnologia. A diferença representa cerca de um quarto a menos de adoção no grupo das vítimas. Na média geral da pesquisa, 32,3% dos entrevistados afirmam já usar a plataforma.

  • 27,8% das vítimas de fraude usam Open Finance, contra 36,8% de quem nunca sofreu golpe.
  • 95,6% dos brasileiros que sofreram fraude mudaram algum hábito após o episódio.
  • 22,8% das vítimas passaram a evitar qualquer compartilhamento de dados.
  • 51,0% dos entrevistados afirmam já ter sido alvo de fraude financeira no país.
  • 15,8% das vítimas trocaram de banco após o ocorrido.

O trauma do golpe altera hábitos bancários

A fraude é uma experiência comum no Brasil. Metade dos entrevistados (51,0%) declara já ter sofrido algum tipo de golpe financeiro. O impacto vai além do dinheiro perdido: 34,8% dessas vítimas afirmam que confiam menos nas instituições financeiras desde o episódio, o que representa 13,7% de toda a amostra pesquisada.

Leandro Cabral, CEO da binds.co, destaca que a marca emocional do golpe persiste por muito tempo. A fraude tem um efeito que dura mais do que o prejuízo financeiro. Ela muda a forma como a pessoa se relaciona com tecnologia e inovação daí em diante, e poucas empresas conseguem medir esse arrasto ao longo da jornada, afirma o executivo.

Mudanças de comportamento pós-golpe

Quase todos os brasileiros que sofreram fraude relatam ter alterado seus comportamentos. Além da perda de confiança nas instituições, 22,8% passaram a evitar o compartilhamento de dados pessoais. Outros 22,2% adotaram medidas de segurança extras, como autenticação ou biometria adicional. Ainda, 15,8% decidiram trocar de instituição financeira após a experiência negativa.

Essa recusa em compartilhar dados é o ponto mais crítico para o Open Finance. O sistema funciona basicamente por meio da autorização que o cliente dá para que seus bancos troquem informações entre si. Sem essa permissão, o fluxo não ocorre. Para a binds.co, o resultado indica que a adoção do serviço depende diretamente da confiança acumulada na relação com o banco.

No caso de quem já foi vítima, cada pedido de autorização de dados traz à tona a lembrança do golpe. Isso exige das empresas mais clareza sobre quais informações são compartilhadas, com quem e por quanto tempo. Depois de uma fraude, o cliente não volta ao ponto de partida. Ele passa a avaliar cada permissão com mais critério, e isso aparece na adoção de qualquer serviço que dependa de dados. Reconquistar essa autorização exige mostrar, de forma clara, o que a instituição faz com a informação que recebe, completa Cabral.

Metodologia da pesquisa

O levantamento foi realizado pela binds.co com 1.609 respondentes, coletados entre 14 de julho e 05 de agosto de 2026. A margem de erro é de aproximadamente 2,4 pontos percentuais, com 95% de confiança. O cruzamento específico entre histórico de fraude e uso de Open Finance considerou 1.240 respondentes que responderam às duas perguntas: 608 sem histórico de fraude e 632 com histórico. Os dados sobre a ocorrência da fraude têm base de 1.248 respondentes e os de mudança de comportamento, de 632.